Mestrado em Geografia – UFMT

mestrado ufmt

Eis uma excelente notícia para que deseja fazer um mestrado, em uma Universidade Federal.

Eu conheço bem a UFMT, os colegas profissionais que lá atuam e, em especial, o professor e amigo Fábio Angeoletto, do que replico a solicitação e convite.

Palavra do Fábio: Estou buscando um profissional de qualquer área  (humanas, biológicas ou exatas) interessados em cursar o Mestrado em Geografia da UFMT  (campus de Rondonópolis), sob minha orientação, para desenvolver um projeto de pesquisa sobre os temas Agricultura Urbana, Biodiversidade Urbana ou Metabolismo Urbano.

O projeto terá assessoria de professores da Universidade de Reading, na Inglaterra, e há a possibilidade de bolsa de  estudo.

Interessados, contactar o Prof. Fábio Angeoletto  [fabio_angeoletto@yahoo.es] ou pelo Twitter @JupiterFulgor.

Peço aos demais colegas que repassem essa notícia para alunos interessados e outros.

 

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5 Cidades educadoras que transformaram suas realidades locais pelo aprendizado

educação

Atualmente, 470 cidades de 36 países, se reconhecem como cidades educadoras e estão  organizadas em rede pela Associação das Cidades Educadoras (AICE), que em sua carta fundante, defende que as cidades têm um potencial educativo em estado bruto, que precisa ser ativado. Fora da AICE, outros municípios também se colocaram o desafio de articular espaços, pessoas e ações em torno de processos de aprendizagem que primam pelo desenvolvimento integral de seus habitantes.

Para ilustrar essas dinâmicas, e talvez, inspirar novos rumos para nossos espaços urbanos, o Portal Aprendiz, parceiro do ArchDaily, listou cinco cidades, que pararam para pensar sobre si, sobre sua história e caminhos, e afirmar suas vocações e características como potencial educativo. Rosário, na Argentina, Santos, Sorocaba e Maranguape, no Brasil, e Barcelona, na Espanha, são apenas alguns exemplos do que é possível fazer de nossos municípios.

Rosário, Argentina

A terceira maior cidade da Argentina, Rosário, decidiu em 1996 tornar-se uma cidade educadora. A decisão – que partiu do poder público – acompanhou um redesenho profundo na maneira como as políticas públicas da cidade passaram a ser desenvolvidas.

“Começamos com uma descentralização institucional, com a ideia de que era necessário ter um governo mais próximo e amigável. Também se desenvolveram muito as políticas sociais, de maneira integrada com transportes e lazer, sempre tendo em mente a necessidade de oferecer aos mais vulneráveis oportunidades iguais”, explica Laura Alfonso, diretora do Escritório Regional da América Latina para a AICE.

Rosário também trabalhou com a criação de espaços culturais e de brincar, escolas de música, integração de práticas esportivas com promoção social, fortalecimento de instituições de bairro, economia social, hortas urbanas, aproximação entre educação, saúde e cultura. Para Rosário, tudo isso passou a fazer parte de uma política de educação que transcende o dia a dia da escola para refletir e impactar o cotidiano do município.

Além disso, a cidade adotou o modelo de orçamento participativo, já experimentado em muitas cidades brasileiras, que tem representado uma oportunidade de engajamento e aprendizado para todos os envolvidos. “Construímos também um Conselhos das Crianças, nas quais nossos jovens são instados a pensar que cidade querem e a oferecer ideias para o poder público”, revela Laura.

A proposta de Rosário busca enfrentar um desafio comum a várias cidades: reduzir as desigualdades e aprofundar a democracia. “É importante que nos sintamos responsáveis pelo nosso entorno, pela nossa vida política e cidadania. E uma Cidade Educadora tem que ser inclusiva, para que todos tenham seu direito à cidade garantido, para que cresçamos juntos”, conclui Laura, que organiza o próximo encontro internacional de Cidades Educadoras, que acontecerá em Rosário.

Santos (SP)

Com o maior porto da América Latina, Santos, no litoral paulistano, teve – e tem – uma importância enorme para o Brasil. Ponto de chegada de milhões de pessoas no país, assim como importante local para escoamento de mercadorias, a cidade – uma das mais antigas do país e com um dos maiores percentuais de idosos – resolveu assumir sua vocação de cidade educadora, reforçando a ideia de se aprende ao longo de toda a vida.

Para concretizar essa proposta, a Secretaria de Educação do município investe em políticas públicas que fortaleçam a ligação da comunidade com a escola, como “Santos da Gente”, que visa apresentar a cidade, seu patrimônio histórico e cultural, para os estudantes. Aproveitando o fato de que cerca de 19% da população da cidade é composta por idosos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade desenvolveu o projeto “Vovô Sabe Tudo”, que leva idosos para participar da educação como condutores de bondes, contadores de história e cuidadores de hortas comunitárias.

O incentivo à formação de grêmios escolares e uma Câmara Jovem buscam fortalecer os espaços de participação voltados para crianças e adolescentes, além de permitir que eles se envolvam ativamente nos debates sobre o futuro da cidade.

“Também tentamos abrir a escola para a comunidade, fazendo ela um ponto para serviços de saúde, prestação de serviços e emissão de documentos”, aposta Venuzia Fernandes, secretária de Educação de Santos.

Sorocaba (SP)

Há 90 km da capital paulista e com, aproximadamente, meio milhão de habitantes, Sorocaba decidiu aliar saúde e educação para repensar seu espaço e desenvolvimento. Reconhecida pela Unesco desde 2010 como uma Cidade Educadora, o município de Sorocaba (SP) criou em 2005 o programa “Cidade Educadora, Cidade Saudável”, congregando esforços da Secretaria de Educação com as de Saúde, Esporte, Lazer, Cultura e Cidadania, além da pasta de Segurança, para transformar a localidade em um vetor de qualidade de vida.

Uma reforma urbana foi executada, visando a construção de parques, praças, plantio de árvores, ciclovias, academias ao ar livre e a despoluição do rio Sorocaba. A partir daí, estabeleceu-se um sistema pedagógico ancorado em três pilares: aprender a cidade, aprender na cidade e aprender com a cidade. Como toda mudança, a proposta exigiu a qualificação dos educadores e a criação de roteiros pedagógicos que envolvessem as escolas e espaços.

Trilhas Educativas foram adotadas para que os professores criassem percursos pedagógicos pela cidade e se entendessem como mediadores de conhecimento. Com a tarefa de repensar a educação, os profissionais acabavam por rever também seus papéis.

Barcelona, Espanha

Barcelona é conhecida por ser a primeira cidade do mundo a se declarar uma “Cidade Educadora”, apostando nos espaços públicos e na articulação de diferentes setores para garantir a educação integral de suas crianças e adolescentes. Um dos exemplos mais claros dentro da capital Catalunha, se dá na formação dos Território Educativo de Ciutat Vella, distrito histórico e lar de 122 nacionalidades, mais de mil organizações sociais, 49 escolas e de uma cultura de participação social enraizada na comunidade.

A concretização do Território Educativo de Ciutat Vella pode ser vista no dia a dia de escolas e organizações e, claro, nas ruas. Do modo como as famílias se relacionam com as instituições de ensino e suas propostas pedagógicas; passando pela conexão entre organizações sociais e escolas, à frequência com que estudantes ocupam e fazem uso dos espaços público.

O projeto “Apadriño”, por exemplo, busca aproveitar o que o bairro – e seus equipamentos culturais, pessoas e lugares – têm de melhor em favor das escolas. “Queremos que isso influa no currículo escolar e no projeto educativo para que os alunos não olhem os museus, teatros e aparelhos culturais como OVNIs, mas como parte de um território que eles podem acessar”, aponta Iolanda Fresnillo, diretora da ONG Tot Raval.

Recentemente, foi firmada uma parceria entre uma escola de música e uma instituição de ensino, na qual as crianças aprendem a ‘batucada’ e relacionam com a matemática que aprendem em sala. “O nosso objetivo principal é gerar redes que facilitarão a convivência intercomunitária. Esse é o aspecto mais importante: a ideia de que todos somos corresponsáveis pela educação.”

Cachoeira – Maranguape (CE)

Perto de Fortaleza, o município de Cachoeira abriga o distrito de Maranguape, e nele, seu Ecomuseu comunitário, sediado num antigo casarão que hoje faz parte de uma terra coletiva.  A comunidade rural tem cerca de 1500 habitantes, dos quais 400 têm até 18 anos e, desde 2010, eles vêm experimentando como podem aprender juntos em diálogo com o território.

“Com o Ecomuseu a comunidade interage mais com o global. Vamos abrindo horizontes maiores e as pessoas vão mudando seu sistema de crenças, ao mesmo tempo em que fortalecem o que há de cultural, popular e tradicional”, reflete Nadia Helena, da coordenação dos projetos de educação do Ecomuseu. O acervo do projeto é preparado continuamente pelos moradores e estudantes, através de pesquisas escolares.

A cidade aprendeu, com seu passado de cooperação para garantir as colheitas e a posse da terra, a trabalhar em conjunto e resolveu também levar esforço para a educação de suas crianças, jovens e adolescentes. A Escola Municipal José de Moura, localizada em Cachoeira, entrou de cabeça na jogada, afinal, ao lado da cultura e do meio ambiente, a educação é um dos pilares do Ecomuseu.

“O projeto entrou em definitivo na vida escolar. Todo o público da escola, educadores, estudantes e funcionários, passam a integrar as atividades de educação integral. O Ecomuseu se estende para escola e a escola para eles, misturando o espaço físico, os tempos e ativos de aprendizado”, afirma Nádia.

Via Portal Aprendiz

Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/894538/5-cidades-educadoras-que-transformaram-suas-realidades-locais-pelo-aprendizado?utm_medium=email&utm_source=ArchDaily%20Brasil&kth=830,995

Tweet all about it – people in parks feel more positive

Veja que pesquisa surpreendentemente interessante: ecólogos urbanos quantificaram que pessoas cujos tuítes foram publicados enquanto elas visitavam áreas verdes tendem a apresentar conteúdos positivos.

twitter

People in parks are more positive, and around areas like major transport hubs more negative, according to our analysis of 2.2 million tweets in Melbourne.

Our research combines social media, such as Twitter, and big data analytics, tied to real time and place, to develop understanding of the well-being benefits of city parks. The analysis shows that tweets in parks contain more positive content (and less negativity) than in built-up areas. For built-up areas in general, negativity is often associated with major transport hubs, perhaps unsurprisingly, and residential areas.

Around the world we are seeking to improve the well-being of people living in cities. One way we do this is by providing public access to natural green spaces such as parks. But how do we assess the benefits and identify which parks, and which elements of a park, best promote well-being?

To date, researchers have examined the well-being benefits of parks using intrusive questionnaires, interviews and physiological tests (e.g. skin conductance, heart rate). We now have technology, including smartphones, apps and social media posts, that we can use to observe these benefits in detail, across very large scales.

Our findings add to the evidence that parks are important for creating smarter, healthier and more liveable cities.

How do we measure well-being in parks?

Hundreds of millions of people around the world use Twitter for updating their family, friends and followers about their daily activities, thoughts and feelings. People sometimes post public tweets that are linked to the location they are sending from. The words in each tweet can be analysed for their emotional content (referred to as sentiment).

Sentiment analysis categorises each word as positive, negative or neutral, to give an overall score for each tweet. We averaged tweets across the parks that they were posted from, to give an overall positivity/negativity score for each park.

On average, tweets by people in parks express more joy, anticipation and trust, and lower levels of anger and fear, compared to tweets by people in built-up areas. Being near parks also reduced negativity, but did not affect positivity.

Do time of day and seasons have an effect?

Each tweet is tagged with the time it’s posted. Tweet sentiment scores can also be averaged across specific periods, such as hour, day or month. Beyond the general positive effects of parks compared to built-up areas, we found some general patterns that show people tend to be influenced by the time they are tweeting.

Across the day, from lunch to the end of the work day, people tended to express less and less positivity, before bouncing back in the evening. This change seems to mirror general schooling and working life – that is, how people experience and recover from their work.

Similarly, there is a general pattern of people being more positive on weekends than weekdays. While this pattern is similar for both parks and built-up areas, parks seem more positive than built-up areas regardless of the day of week.

Across seasons, from warmer months to cooler months, people tended to express more positivity in parks. Positivity seems to improve steadily from May to December, as we move from winter to summer in Australia. In contrast, built-up areas do not seem to show any clear patterns.

Why are people happier in parks?

People might be happier in parks for several reasons. Parks can help them to recover from the stress and mental strain of living in cities, and provide a place to exercise, meet other people, or host special events such as music festivals.

We need to do more research to help us understand the effect of park features. For example, being green with lots of vegetation is likely related to biophilia. And how do the effects differ when parks are used as settings for particular activities?

We know parks are great places, but we are still working out exactly why they’re great. Knowing more about this will help us make even better parks. Making the best use of public open space and green space is really important as more and more people live in cities around the world.

Fonte: https://theconversation.com/tweet-all-about-it-people-in-parks-feel-more-positive-95290?utm_source=twitter&utm_medium=twitterbutton

POR QUE NÓS SÓ COMEMOS 1% DAS PLANTAS QUE NOSSOS TATARAVÓS COMIAM?

Segundo a ONU, o número de vegetais consumidos pelo homem caiu de 10 mil para 170 nos últimos 100 anos.

sidnei

Uma curiosidade gastronômica. Recebo com carinho a matéria hoje compartilhada de um dos meus maiores professores do mestrado e doutorado, sobre a matéria de um outro grande amigo meu.

Segundo a ONU, o número de vegetais consumidos pelo homem caiu de 10 mil para 170 nos últimos 100 anos. Leia o artigo completo, pra nenhum vegano botar defeito

Jambu, ora-pró-nobis, assa-peixe, folha de begônia, bertalha… Elas parecem mato, mas são alimentos. E não julgue pela aparência: esses vegetais podem ir para a mesa de qualquer família, seja pelo sabor ou pelo valor nutritivo. Com um nome autoexplicativo, as PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) têm alto teor nutricional na dieta humana, embora muitas pessoas as confundam com “ervas daninhas”.

A lista ainda inclui espécies como taioba, peixinho, feijão-caupi ou catador, erva de touro, quiabo de metro, hibisco e caxi. “Muitas das vezes a pessoa tem uma dessas plantas no fundo de casa e acha que não pode usar ou comer”, afirma o engenheiro agrônomo Sidney Kock, da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), órgão vinculado ao governo de Mato Grosso do Sul. Recentemente, inclusive, Sidney participou de um curso em parceria com a Embrapa, voltado a agricultores familiares, estudantes e técnicos. “A ideia foi apresentar algumas variedades e ensinar as pessoas a identificá-las”, conta.

O engenheiro agrônomo explica que a mudança no perfil demográfico e no estilo de vida nas últimas décadas, com a população concentrada em centros urbanos, numa rotina cada vez mais agitada, acabou restringindo nossa visão quanto à diversidade de alimentos. “No Brasil, a gente tem uma biodiversidade de plantas de cerca de 2 mil espécies, mas a nossa alimentação gira na maior parte do tempo em torno de 20 espécies de folhosas”, exemplifica.

Contudo, nem sempre foi assim. Muitas PANCs costumavam ser consumidas por nossos antepassados. Porém, devido à agricultura convencional, que trouxe a produção em larga escala de espécies como o trigo e o arroz, e também devido ao afastamento do homem em relação à natureza, as plantas não convencionais acabaram perdendo espaço no cardápio.

“Atualmente, 70% dos alimentos mais produzidos são milho, soja, arroz e trigo. Os outros 30% ficam a cargo de alimentos como o feijão, a alface, a tomate, a mandioca, entre outros. E pensando ainda nessa linha macro, as PANCs têm uma presença ínfima em nossa alimentação”, enfatiza Sidney. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) calcula que, em todo o planeta, o número de plantas consumidas pelo homem caiu de 10 mil para 170 nos últimos 100 anos. “E por puro desconhecimento, perdemos assim o alto valor nutritivo destas espécies”, salienta o especialista.

Vegetais como a bertalha, por exemplo, foram substituídos na alimentação dos brasileiros por espécies como a couve, a rúcula e a própria alface. E não se engane: o que, hoje, não atrai o seu paladar, pode ser a base de muitos pratos chiques amanhã. A rúcula, por exemplo, já foi considerada uma erva daninha, e isso até pouco tempo atrás. Atualmente, é um dos vegetais que mais presentes em restaurantes e almoços de domingo. “Já há chefs de cozinha que usam várias PANCs para pratos conceituais e de sucesso no ramo da gastronomia”, destaca Sidney.

Fonte: https://agronewsbrasil.com.br/por-que-nos-so-comemos-1-das-plantas-que-nossos-tataravos-comiam/

O fim do mito do reino de Davi

unnamedFotografia aérea da grande residência achada em Tel ‘Eton.

No dia 07 de maio de 2018, o Jornal El Pais traz a seguinte matéria que hoje compartilhamos.

Infomarção bíblica relata que Davi foi o rei israelita que, antes de ser monarca, evitou que seu povo fosse escravizado pelos filisteus depois de derrotar em combate o gigante Golias armado com uma funda. Diz-se também que ele e seu filho Salomão foram os monarcas que comandaram o reino bíblico de Judá, depois Reino de Israel, em sua época de maior esplendor. A Bíblia situa os dois temporalmente por volta do século X a.C., um período do qual são poucas as evidências em terra israelense, o que dificultava a crença de que realmente tivesse existido tal reino. No entanto, uma escavação realizada por um grupo de arqueólogos da Universidade Bar Ilan, dirigida pelo professor Avraham Faust, trouxe luz sobre isso.

Depois de dez anos de escavação em Tel’Eton, uma localidade no sudeste da região israelense de Shephelah, Faust certificou a existência de uma estrutura arquitetônica datada no mesmo século X a.C.

Essa edificação, dado seu tamanho, sua localização no cume de uma pequena colina do qual se divisam com facilidade os arredores e a qualidade de seus materiais de construção e das louças encontradas, foi atribuída a pessoas de classe alta e designada como A residência do governador.

O estudo que analisa a importância desse achado, publicado na revista Radiocarbon, da Universidade Cambridge, pelo próprio Faust e o arqueólogo Yair Sapir, chega a uma dupla conclusão: A primeira está relacionada com a contribuição de provas para a existência do citado Reino de Israel. Nesse sentido, é crucial o fato de que se trata de uma estrutura arquitetônica conhecida como casa de quatro quartos, amplamente comum na antiga sociedade israelita, embora não fosse exclusividade sua.

Este tipo de estrutura consistia basicamente de uma edificação de três seções com uma adicional na parte traseira, embora o número de quartos não fosse invariável e o nome permaneceu pelo mero fato de se tratar de uma construção muito típica e identificável. Além disso, a análise dos materiais revela o uso mais antigo encontrado até o momento da pedra silhar, que começava a ser registrado a partir do século VIII a.C.

“O reino devia ter algum monarca, fosse ele Davi ou Salomão”

O aparecimento de restos desse perfil, tão estreitamento vinculado com o tipo de construção e materiais da sociedade israelita, leva os investigadores à conclusão de que pode, sim, ter existido o Reino de Israel, que por volta do século X a.C se estendesse além das terras de Jerusalém. Um reino que, nas palavras de Faust e Sapir, “deve ter tido algum monarca, fosse ou não seu nome Davi ou Salomão”.

A segunda linha de conclusões traçada pela pesquisa da Universidade Bar Ilan está relacionada com o que eles denominam o efeito da casa antiga. Segundo eles, este efeito faz com que o surgimento de escassas evidências arqueológicas seja interpretado mais como uma questão de relato histórico do que como algo revelador da conformação sociopolítica de uma época concreta.

Nesse sentido, Faust e Sapir fixam o olhar no contexto ao qual seu achado os situa. A residência do governador, cujos materiais datam do século X a. C. –de uma análise com radiocarbono–, apresenta evidências de ter sido destruída em uma invasão assíria por volta de duzentos anos depois, dada a grande quantidade de louça despedaçada encontrada. Desse modo, e partindo do fato de que essa edificação estivesse construída de tal forma que permite intuir a existência de outras em seu entorno, se questiona se tais invasões podem ter sido a causa de uma civilização ter ficado oculta.

No lugar de supor, dada a falta de um maior número de evidências conclusivas para afirmar taxativamente a existência do Reino de Israel, os pesquisadores abrem o caminho para pensar que A residência do governador pudesse ser somente a cúpula de algo muito maior. A aproximação à realidade de um reino que, até agora, só tinha habitado a lenda.

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/07/cultura/1525672359_152532.html; https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/1633c7ca907cd37c

Los Angeles está pintando suas ruas de branco para combater o aumento da temperatura

los angeles

Na última primavera, o Los Angeles Bureau of Street Services testou uma abordagem nova e criativa para combater o aumento das temperaturas no centro da cidade. O projeto piloto cobriu uma rua em cada um dos 15 distritos do conselho de LA com CoolSeal, um revestimento reflexivo à base de asfalto desenvolvido pela empresa GuardTop, com sede na Califórnia. Depois de ver uma diferença de 11-13 graus Fahrenheit nas ruas revestidas, Los Angeles e outras cidades planejam implementar telhados e pavimentos mais reflexivos para reduzir os efeitos colaterais das “ilhas de calor”.

Saiba mais sobre o revestimento CoolSeal e a luta contra o efeito “ilha de calor” a seguir.

De acordo com o Washington Post, o CoolSeal foi originalmente usado pelos militares para ocultar aviões aterrados das câmeras infravermelhas dos espiões. Embora a aplicação teste nos bairros de Los Angeles tenha produzido resultados impressionantes, há uma pequena desvantagem, o revestimento custa cerca de US$ 40.000 por milha e dura sete anos.

A Agência de Proteção Ambiental define uma “ilha de calor” como um lugar onde a terra e a vegetação são substituídas por infraestrutura, edifícios e estradas. A substituição de ambientes mais úmidos e permeáveis por ambientes mais secos e menos permeáveis faz com que regiões urbanas densas se tornem muito mais quentes do que as áreas circunvizinhas. Esta “ilha” pode, muitas vezes, ser 50-90 graus Fahrenheit mais quente do que a temperatura do ar.

De acordo com o Los Angeles Times, o governo espera ter uma diferença de 3 graus na temperatura até 2019. Graças aos testes iniciais do ano passado, a cidade agora conhece algumas das melhores táticas e estratégias para começar a trabalhar em direção a esse objetivo, bem como uma melhor ideia sobre por onde começar dentro da própria cidade.

Desde o programa piloto usando CoolSeal no ano passado, GuardTop recebeu pedidos de informação de todo o mundo, incluindo China, Israel, Austrália e Arábia Saudita, de acordo com o Washington Post. Portanto, é possível afirmar que esta tendência no design ambiental veio para ficar.

Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/893469/los-angeles-esta-pintando-suas-ruas-de-branco-para-combater-o-aumento-da-temperatura?utm_medium=email&utm_source=ArchDaily%20Brasil&kth=830,995

Hortas urbanas produzem 20% dos alimentos consumidos no mundo

Prática tão antiga quanto a existência das cidades, a agricultura urbana tem atraído cada vez mais adeptos, misturando ativismo, educação, saúde e preservação ambiental

hortas urbanas

São Paulo – Uns acham que é “modinha”, outros que é “coisa de hippie“. O que a maioria desconhece, entretanto, é que as hortas urbanas são responsáveis por entre 15% e 20% de todo o alimento produzido no mundo e reúnem, atualmente, em torno de 800 milhões de agricultores urbanos no mundo, boa parte deles profissionais, segundo o estudo Estado do Mundo – Inovações que Nutrem o Planeta, da Worldwatch Institute (WWI), instituto de pesquisa sobre questões ambientais, publicado em 2011.

Em São Paulo, as hortas urbanas começaram a ter alguma visibilidade no meio acadêmico e despertar interessa da mídia – e de parte da população – a partir de 2004, época em que a ONG Cidades sem Fome começou a atuar na cidade e incentivar tal prática. O movimento de agricultura urbana na maior metrópole do país cresceu ainda mais em 2011, com a criação do grupo Hortelões Urbanos, que nasceu com o objetivo de “reunir pessoas interessadas em trocar experiências pessoais sobre plantio orgânico doméstico de alimentos e inspirar a formação de hortas comunitárias”. Atualmente, o grupo tem quase 65 mil membros no Facebook.

No ano seguinte, em 2012, nascia a Horta das Corujas, na praça Dolores Ibarruri, Vila Madalena, zona oeste da capital paulista, a primeira horta urbana feita em praça pública na cidade, criada por um público predominantemente de classe média e sem ligação anterior com a lida do campo. Apesar da novidade, Claudia Visoni, uma das fundadoras da horta, salienta que a prática da agricultura urbana é tão antiga quanto à própria civilização. “A gente não consegue um ponto inicial porque esse ponto inicial tem 10 mil anos”, afirma, destacando ser um conceito errado associar agricultura apenas ao ambiente do campo.

“A gente aprende errado na escola, porque a agricultura é irmã gêmea da urbanidade, as duas nasceram no mesmo dia. O dia em que o homem resolveu criar a primeira aldeia foi também o dia em que ele fez a primeira semeadura. Não existe uma coisa sem a outra, antes disso éramos caçadores-coletores, há dez mil anos. Não existe cidade sem agricultura, nem agricultura sem cidade, essa dicotomia é falsa, é inclusive ideológica e conveniente para o sistema agroindustrial”, explica Claudia Visoni, jornalista, ambientalista e agricultora urbana.

Segundo ela, existem entre 15 e 20 hortas urbanas ativas na cidade de São Paulo, algumas bem antigas, como a horta comunitária da Vila Nanci, na zona leste, há 30 anos. “Horta é uma coisa viva. Se deixar de ir 15 dias ou um mês, acabou a horta”, diz, explicando ser esse um fator da dificuldade de se mapear as hortas urbanas de São Paulo. Entre as hortas ativas da cidade, além das Corujas, ela cita a horta da Saúde, a horta do Centro Cultural São Paulo, a da City Lapa, da Faculdade de Medicina da USP, a Hora da Horta, entre outras.

Saúde e economia

A Horta das Corujas, assim como outras hortas urbanas de São Paulo, tem como característica a presença de pessoas nascidas e criadas em meio ao asfalto da cidade grande, sem ligação anterior com o trabalho na terra. Um movimento invertido de cidadãos que decidem adotar, nem que seja por algumas horas da semana, hábitos e práticas associadas ao meio rural, ao contrário do tradicional fluxo de pessoas que saem do campo e migram para a cidade.

“Temos pessoas que não têm experiência camponesa de infância, que cresceram no asfalto e hoje estão se tornando agricultores, isso é novidade, pois antigamente todo mundo que era agricultor vinha de família de agricultores”, explica Claudia Visoni, ela mesma tendo crescido sem contato com a terra. “Fui conhecer como é a folha de um tomateiro há oito anos.”

Na Horta das Corujas, um espaço de 800 m², Claudia diz que os voluntários frequentes são poucos, mas que não consegue dimensionar quantos já passaram por lá e “deram uma trabalhadinha”. Os visitantes, por sua vez, veem de todas as partes da cidade e podem colher livremente os alimentos ali cultivados. “Aparece desde vizinho até gente que cruzou a cidade pra conhecer ou que vai levar o filho pra passear. A gente planta pra cidade, não precisa ter trabalhado na horta. É espaço público, qualquer um pode colher o que quiser”, afirma.

Ao contrário da ideia padrão de haver alface, tomate e cenoura, a ambientalista explica que, em plena Vila Madalena, plantas raras e não-convencionais também são cultivadas na horta, como taioba, ora-pro-nobis, almeirão roxo, bertalha, serralha, sabugueiro e caruru. “Fomos colonizados pelo varejo e o agronegócio pra comer o que interessa pra eles, então um dos problemas que temos é que as pessoas não reconhecem esses alimentos como comida”, enfatiza. Como consequência, ela brinca, há pessoas que chegam para conhecer a horta e exclamam que tem “muito mato”.

A prática da agricultura urbana é hoje uma atividade incentivada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (ONU/FAO) como estratégia de aumento da resiliência das cidades e adaptação às mudanças climáticas, além de ser um importante elemento na segurança alimentar da população. O estudo Estado do Mundo – Inovações que Nutrem o Planeta, publicado pela Worldwatch Institute (WWI), estima que dentre as 800 milhões de pessoas no mundo que se dedicam à agricultura urbana, 200 milhões produzem alimentos para vender nos mercados e empregam até 150 milhões de pessoas. Segundo o estudo, calcula-se que até 2020, entre 35 e 40 milhões de africanos que vivem nas cidades “dependerão da agricultura urbana para suprir suas necessidades alimentares”. Na prática, isso pode representar até 40% da ingestão diária recomendada de calorias e 30% das necessidades de proteínas.

“O cultivo de alimentos em cidades tem algumas vantagens em relação à agricultura rural, como proximidade dos mercados, baixo custo do transporte e redução de perdas pós-colheita, graças ao menor tempo entre as colheitas. Em períodos de turbulência ou instabilidade, a agricultura urbana sempre mantém as pessoas alimentadas quando o fornecimento de alimentos do campo é interrompido”, afirma o estudo publicado em 2011.

A história da agricultura urbana é longa e sempre esteve relacionada ao aumento da segurança alimentar e o combate à fome, principalmente em épocas de guerras e conflitos. A publicação da WWI mostra que pesquisas realizadas em 24 cidades da África e da Ásia, no final dos anos de 1990, revelaram que “famílias pobres que praticavam a agricultura urbana faziam mais refeições e tinham uma dieta mais balanceada do que as outras pessoas”. Em Kampala, capital de Uganda, dados da década de 1990 indicam que as crianças de famílias agricultoras eram mais bem nutridas do que aquelas que não pertenciam a famílias agricultoras.

“As cidades estão se tornando centros de intervenções de desenvolvimento e estratégias de planejamento destinadas a combater a fome, a pobreza e a desigualdade para promover a sustentabilidade. A agricultura urbana na África subsaariana é uma parte importantíssima desse movimento, pois oferece maneiras de atender às necessidades prementes da região, como segurança alimentar, geração de renda, fortalecimento de comunidades, descarte de resíduos e a condição das mulheres”, afirma trecho do estudo Estado do Mundo – Inovações que Nutrem o Planeta.

Guerrilha verde

As hortas urbanas acabaram virando dissertação de mestrado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) pelas mãos do geógrafo Gustavo Nagib, sob o título Agricultura urbana como ativismo na cidade de São Paulo: o caso da Horta das Corujas. Para o autor, o exemplo na Vila Madalena tem as características de uma horta ativista, cuja origem conceitual remete a contracultura nascida nos Estados Unidos no final dos anos de 1960 e começo de 1970, e que se batizou de guerrilla gardening ou, numa tradução livre, horticultura de guerrilha ou guerrilha verde.

“São iniciativas que não têm nada a ver com violência, mas ocupam o espaço público ou privado sem prévia permissão. Existia já naquele tempo todo um discurso de reapropriação do espaço público, de se livrar da ‘comida de plástico’, do fast-food, cheia de agrotóxicos, algo ligado ao movimento de produtos orgânicos nos Estados Unidos e o discurso de aproximar produção e consumo, autoprodução, trabalho comunitário, isso seria algo revolucionário para os ativistas da contracultura”, explica Gustavo Nagib.

Para ele, embora os processos de criação das hortas urbanas de São Paulo sejam próprios, as conexões com o movimento da contracultura estão presentes, mesmo que não ocupem, necessariamente, espaços públicos ou privados sem autorização. Entre as características da horta ativista, Nagib enfatiza a ausência de interesse comercial e a não existência de preocupação de subsistência.

“As hortas que se manifestam em espaço público você não pode comercializar o que está ali. No caso da Horta das Corujas, pelo contrário, está aberto pra quem quiser frequentar e pertence ao espaço público. A finalidade dela é muito mais de educação, de reeducação com o espaço público, de educação ambiental e de discutir uma série de temas que são propostos em oficinas e mutirões do que qualquer coisa que passe pela via de comercializar. Também não tem a preocupação da subsistência. Ninguém está sobrevivendo ou retirando uma parte considerável da sua sobrevivência daquela horta, então essa expressão de agricultura urbana ativista surge daí”, explica.

Apesar de muitas vezes seus frequentadores não terem a consciência dessa ocupação do espaço público, Gustavo Nagib diz que muitas hortas urbanas da cidade são iniciativas que, por não terem como base a subsistência ou a geração de renda, visam “propor uma nova visão de cidade, de como se pensar e usar seus espaços”.

Ao longo da pesquisa de mestrado, o geógrafo disse ter descoberto relações que vão muito além do gesto de plantar e colher um alimento livre de agrotóxico em plena área urbana. “Descobri uma séria de coisas relacionadas a uma horta comunitária que não esperava encontrar. Porque você fala: ‘ah…mas é só uma horta’, só que nessa hortinha tem milhares de coisas acontecendo, como o cultivo de plantas não-convencionais, abelhas sem ferrão fazendo a polinização, toda a relação das águas urbanas, já que o tratamento que demos aos nossos córregos urbanos é vergonhoso”, afirma, lembrando que a parte aberta do córrego das Corujas é um dos poucos contemplados pelo programa Córrego Limpo, parceria entre a Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado. “É raríssimo encontrar córregos abertos em áreas urbanizadas e limpos, com peixinhos e toda a segurança ambiental necessária”, destaca.

Para ele, a partir de um gesto que pode parecer tão inocente, como o de produzir uma horta urbana, surgem outras questões que enriquecem todo o processo. Ou, como disse Claudia Visoni, muita mais do que só “modinha” ou “coisa de hippie”.

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2017/03/hortas-urbanas-produzem-20-de-todo-o-alimento-produzido-no-mundo

Fonte da foto: https://www.google.com.br/search?q=hortas+urbanas&rlz=1C1ASUT_pt-BRBR492BR492&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjdsOXgn9naAhXBnJAKHd3FALgQ_AUICigB&biw=1366&bih=588#imgrc=v_Ykx-YgmjjmKM: