Tribunais Superiores: a serviço de quem?Exposição revela detalhes do pouco conhecido “Tribunal de Hitler”

nazi

Setenta e três anos anos depois do fim da Segunda Guerra, pela primeira vez uma exposição traz detalhes do tribunal político instituído por Adolf Hitler, o chamado “Tribunal popular” (Volksgerichtshof), que, entre 1934 e 1945, proferiu mais de 15 mil sentenças, com 5.200 pessoas condenadas à morte. Segundo a curadora, Claudia Steur, o objetivo da mostra, que fica aberta até o fim de outubro em Berlim, é “causar consternação” por um capítulo terrível de injustiças que continuaram a acontecer mesmo depois de 1945. Poucos dos 577 juízes e promotores que fizeram parte dos tribunais foram punidos, e pelo menos metade seguiu a carreira com sucesso.

Um juiz, por exemplo, chegou a ser condenado a dez anos de prisão, mas foi absolvido em segunda instância. O presidente do tribunal popular, Roland Freisler, responsável pessoalmente por centenas de sentenças, morreu durante um bombardeio em fevereiro de 1945, um mês antes do fim da guerra. Andreas Nachama, diretor da Fundação Topografia do Terror, onde acontece a exposição, lembra que os juristas da era nazista conseguiram limpar sua imagem no pós-guerra, como se não tivessem apoiado de forma tão intensa o regime: “Quando a Segunda Guerra acabou, tinham entre 40 e 50 anos e fizeram carreira na Alemanha Ocidental”. Assim, quase todos viveram bem financeiramente. A viúva de Roland Freisler processou a Alemanha Ocidental para receber sua pensão, argumentando que, se o marido não tivesse morrido ao final da guerra, poderia ter apoiado a família com recursos. Já Hermann Reinecke, que trabalhou ao lado de Freisler em 185 sentenças de morte, foi considerado apenas um colaborador e ficou isento de culpa jurídica.

Antes de condenar as vítimas à morte, era comum que os juízes trabalhassem também na destruição psicológica dos réus. O ex-chanceler Helmut Schmidt, oficial da Wehrmacht que chegou a prestar serviços ao tribunal de Freisler, escreveu que a humilhação era parte do procedimento, “como se a morte não bastasse”. Anos mais tarde, esse mesmo oficial se tornou um dos chefes de governo mais queridos da Alemanha Ocidental. Os juízes usavam uma toga vermelha, e a sala do julgamento era decorada com faixas vermelhas e a cruz suástica, como revelam fotos e documentos. Em áudios originais de seus pronunciamentos, percebe-se que alguns, como Freisler, chegavam a imitar o estilo teatral de Hitler. O tribunal era um dos pilares do regime de opressão. Quando assumiu o poder, no final de janeiro de 1933, Hitler foi eleito por uma população fascinada com as suas promessas de prosperidade e grandeza da Alemanha e só aos poucos o regime do terror foi instaurado. A condenação à morte de apenas um dos supostos envolvidos no incêndio do Reichstag, o prédio do Parlamento, no início dos anos 1930, deixou o Führer furioso. A Justiça era influenciada pelo regime, mas não estava inteiramente tomada. Assim, o tribunal que deveria cuidar apenas dos casos de traição nacional foi fundado. Pouco depois, sua área de atuação foi ampliada: todos aqueles que eram considerados inimigos do regime eram condenados.

As vítimas eram presas, julgadas e executadas em tempo recorde, como foi o caso dos irmãos Hans e Sophie Scholl, que faziam parte do grupo de estudantes “Rosa branca”, de Munique, que distribuía folhetos com frases críticas ao regime. Freisler e seus ajudantes embarcaram para Munique, onde o julgamento foi acompanhado de muita propaganda e terminou em sentença de morte. Em julho de 1944, depois da mais importante tentativa de matar Hitler, o ministro da propaganda Joseph Goebbels escreveu em seu diário: “Mesmo aqueles que não tiveram uma posição clara devem ser condenados à morte”. Os julgamentos depois do atentado levaram à condenação de 50 pessoas à morte. Segundo Claudia Steur, o vermelho está presente em muitas partes da exposição não só porque esta era a cor da toga dos “juristas terríveis”, mas também porque o tom mostra ao visitante como o tribunal tornou-se um instrumento do terror que tinha o sangue das vítimas em suas mãos.

Nem só os juízes do tribunal popular tiveram pouca preocupação em ocultar seu passado depois da guerra. Hans Filbinger era juiz da Marinha e nazista tão convicto que no final da guerra continuou condenando à morte jovens que haviam desertado. Depois de 1945, ele chegou a ser governador do estado de Baden Württemberg e só renunciou quando, em 1972, seu passado nazista causou uma grande polêmica. Philipp Gassert, autor de uma biografia de Kurt Georg Kiesinger, o ex-nazista que foi chanceler nos anos 1960, lembra que depois da guerra havia um silêncio sobre o que cada um havia feito nos 12 anos de ditadura: “Com o movimento de 1968, os alemães começaram a debater o passado nazista dos seus pais”.

Fonte: http://alefnews.com.br/exposicao-revela-detalhes-do-pouco-conhecido-tribunal-de-hitler/

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POR QUE NÓS SÓ COMEMOS 1% DAS PLANTAS QUE NOSSOS TATARAVÓS COMIAM?

Segundo a ONU, o número de vegetais consumidos pelo homem caiu de 10 mil para 170 nos últimos 100 anos.

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Uma curiosidade gastronômica. Recebo com carinho a matéria hoje compartilhada de um dos meus maiores professores do mestrado e doutorado, sobre a matéria de um outro grande amigo meu.

Segundo a ONU, o número de vegetais consumidos pelo homem caiu de 10 mil para 170 nos últimos 100 anos. Leia o artigo completo, pra nenhum vegano botar defeito

Jambu, ora-pró-nobis, assa-peixe, folha de begônia, bertalha… Elas parecem mato, mas são alimentos. E não julgue pela aparência: esses vegetais podem ir para a mesa de qualquer família, seja pelo sabor ou pelo valor nutritivo. Com um nome autoexplicativo, as PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) têm alto teor nutricional na dieta humana, embora muitas pessoas as confundam com “ervas daninhas”.

A lista ainda inclui espécies como taioba, peixinho, feijão-caupi ou catador, erva de touro, quiabo de metro, hibisco e caxi. “Muitas das vezes a pessoa tem uma dessas plantas no fundo de casa e acha que não pode usar ou comer”, afirma o engenheiro agrônomo Sidney Kock, da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), órgão vinculado ao governo de Mato Grosso do Sul. Recentemente, inclusive, Sidney participou de um curso em parceria com a Embrapa, voltado a agricultores familiares, estudantes e técnicos. “A ideia foi apresentar algumas variedades e ensinar as pessoas a identificá-las”, conta.

O engenheiro agrônomo explica que a mudança no perfil demográfico e no estilo de vida nas últimas décadas, com a população concentrada em centros urbanos, numa rotina cada vez mais agitada, acabou restringindo nossa visão quanto à diversidade de alimentos. “No Brasil, a gente tem uma biodiversidade de plantas de cerca de 2 mil espécies, mas a nossa alimentação gira na maior parte do tempo em torno de 20 espécies de folhosas”, exemplifica.

Contudo, nem sempre foi assim. Muitas PANCs costumavam ser consumidas por nossos antepassados. Porém, devido à agricultura convencional, que trouxe a produção em larga escala de espécies como o trigo e o arroz, e também devido ao afastamento do homem em relação à natureza, as plantas não convencionais acabaram perdendo espaço no cardápio.

“Atualmente, 70% dos alimentos mais produzidos são milho, soja, arroz e trigo. Os outros 30% ficam a cargo de alimentos como o feijão, a alface, a tomate, a mandioca, entre outros. E pensando ainda nessa linha macro, as PANCs têm uma presença ínfima em nossa alimentação”, enfatiza Sidney. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) calcula que, em todo o planeta, o número de plantas consumidas pelo homem caiu de 10 mil para 170 nos últimos 100 anos. “E por puro desconhecimento, perdemos assim o alto valor nutritivo destas espécies”, salienta o especialista.

Vegetais como a bertalha, por exemplo, foram substituídos na alimentação dos brasileiros por espécies como a couve, a rúcula e a própria alface. E não se engane: o que, hoje, não atrai o seu paladar, pode ser a base de muitos pratos chiques amanhã. A rúcula, por exemplo, já foi considerada uma erva daninha, e isso até pouco tempo atrás. Atualmente, é um dos vegetais que mais presentes em restaurantes e almoços de domingo. “Já há chefs de cozinha que usam várias PANCs para pratos conceituais e de sucesso no ramo da gastronomia”, destaca Sidney.

Fonte: https://agronewsbrasil.com.br/por-que-nos-so-comemos-1-das-plantas-que-nossos-tataravos-comiam/

O fim do mito do reino de Davi

unnamedFotografia aérea da grande residência achada em Tel ‘Eton.

No dia 07 de maio de 2018, o Jornal El Pais traz a seguinte matéria que hoje compartilhamos.

Infomarção bíblica relata que Davi foi o rei israelita que, antes de ser monarca, evitou que seu povo fosse escravizado pelos filisteus depois de derrotar em combate o gigante Golias armado com uma funda. Diz-se também que ele e seu filho Salomão foram os monarcas que comandaram o reino bíblico de Judá, depois Reino de Israel, em sua época de maior esplendor. A Bíblia situa os dois temporalmente por volta do século X a.C., um período do qual são poucas as evidências em terra israelense, o que dificultava a crença de que realmente tivesse existido tal reino. No entanto, uma escavação realizada por um grupo de arqueólogos da Universidade Bar Ilan, dirigida pelo professor Avraham Faust, trouxe luz sobre isso.

Depois de dez anos de escavação em Tel’Eton, uma localidade no sudeste da região israelense de Shephelah, Faust certificou a existência de uma estrutura arquitetônica datada no mesmo século X a.C.

Essa edificação, dado seu tamanho, sua localização no cume de uma pequena colina do qual se divisam com facilidade os arredores e a qualidade de seus materiais de construção e das louças encontradas, foi atribuída a pessoas de classe alta e designada como A residência do governador.

O estudo que analisa a importância desse achado, publicado na revista Radiocarbon, da Universidade Cambridge, pelo próprio Faust e o arqueólogo Yair Sapir, chega a uma dupla conclusão: A primeira está relacionada com a contribuição de provas para a existência do citado Reino de Israel. Nesse sentido, é crucial o fato de que se trata de uma estrutura arquitetônica conhecida como casa de quatro quartos, amplamente comum na antiga sociedade israelita, embora não fosse exclusividade sua.

Este tipo de estrutura consistia basicamente de uma edificação de três seções com uma adicional na parte traseira, embora o número de quartos não fosse invariável e o nome permaneceu pelo mero fato de se tratar de uma construção muito típica e identificável. Além disso, a análise dos materiais revela o uso mais antigo encontrado até o momento da pedra silhar, que começava a ser registrado a partir do século VIII a.C.

“O reino devia ter algum monarca, fosse ele Davi ou Salomão”

O aparecimento de restos desse perfil, tão estreitamento vinculado com o tipo de construção e materiais da sociedade israelita, leva os investigadores à conclusão de que pode, sim, ter existido o Reino de Israel, que por volta do século X a.C se estendesse além das terras de Jerusalém. Um reino que, nas palavras de Faust e Sapir, “deve ter tido algum monarca, fosse ou não seu nome Davi ou Salomão”.

A segunda linha de conclusões traçada pela pesquisa da Universidade Bar Ilan está relacionada com o que eles denominam o efeito da casa antiga. Segundo eles, este efeito faz com que o surgimento de escassas evidências arqueológicas seja interpretado mais como uma questão de relato histórico do que como algo revelador da conformação sociopolítica de uma época concreta.

Nesse sentido, Faust e Sapir fixam o olhar no contexto ao qual seu achado os situa. A residência do governador, cujos materiais datam do século X a. C. –de uma análise com radiocarbono–, apresenta evidências de ter sido destruída em uma invasão assíria por volta de duzentos anos depois, dada a grande quantidade de louça despedaçada encontrada. Desse modo, e partindo do fato de que essa edificação estivesse construída de tal forma que permite intuir a existência de outras em seu entorno, se questiona se tais invasões podem ter sido a causa de uma civilização ter ficado oculta.

No lugar de supor, dada a falta de um maior número de evidências conclusivas para afirmar taxativamente a existência do Reino de Israel, os pesquisadores abrem o caminho para pensar que A residência do governador pudesse ser somente a cúpula de algo muito maior. A aproximação à realidade de um reino que, até agora, só tinha habitado a lenda.

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/07/cultura/1525672359_152532.html; https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/1633c7ca907cd37c

Noiva aos 83 anos, Ana dita como ser feliz hoje

 

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Em plena Páscoa, hoje irei ousar na matéria a ser compartilhada nesse blog. Acabo de fazer uma aposta com a minha esposa e ela afirma que essa matéria irá “bombar” pois as pessoas gostam de ler sobre o amor. Agora é só esperar para ver qual dos dois ganha a aposta!

A responsável pela matéria é a Jornalista Silvia Bessa, que publicou no dia 28/03/2018 (dia em que completei meus bons 57 anos de vida), no Diário de Pernambuco (http://www.diariodepernambuco.com.br/ -Jornal mais antigo em circulação da América Latina e o mais antigo do mundo em língua portuguesa).

“Aos 83 anos, ela estava deslumbrante em um vestido branco e longo, com transparências e rendas, encomendado em uma boutique fina da Inglaterra. “Mandei colocar mangas, tirar cauda e fiz quatro provas para ajustá-lo a como eu queria. Ficou muito bem escondido para Peter não ver antes da hora”, contou Ana. A noiva chegou conduzida por uma charrete perto das 12h à frente da porta da pequena igreja do Hotel Fazenda Marrecas, lugar que escolheu para o grande dia realizado naquele paraíso de Maragogi. Entrou sozinha ao som do Bolero de Ravel. Seguiu ao encontro do noivo sem um tradicional buquê na mão. “É ridículo buquê na minha idade”. Foi como ela quis. Na preparação, a noiva comportou-se como quem conduz a própria vida, ainda que em datas especiais e marcantes. 

No último sábado, a poucas horas do “sim”, às 6h uma maquiadora havia batido à porta do quarto do hotel onde Ana estava para conhecer a noiva, saber do gosto dela e preparar a pele para a maquiagem. “Isso é hora de alguém fazer maquiagem? Não farei”. Voltou a dormir. Quando acordou, foi convencida pela assessora matrimonial Paula Arcoverde a ir a um salão do município próximo, Barreiros. “Ela queria pouca maquiagem, cabelo solto e tudo muito simples”, lembrou Paula, da Save The Date, empresa organizadora de eventos dos mais requintados de Pernambuco. “Eu tenho mania de passar a mão no rosto e não queria ver tudo derretendo”, disse Ana, prática e objetiva. Na festa para trinta convidados, duas opções como prato principal para o almoço: duo de lagosta e camarão ao champagne e medalhão de filé mignon ao molho de cogumelos frescos. 

Ana de Lima Grant, brasileira, é natural de Pernambuco. Mora há muitos anos em São Paulo e trabalha ainda hoje construindo, vendendo e alugando imóveis. Tem um filho e dois netos. Peter Edward Grant é inglês, aposentado que fez sua vida como proprietário de agência de carros e empresas de segurança nas proximidades de Londres. É pai de uma filha e de dois netos. “Eu nunca tive esse desejo de casar de novo. Pelo contrário. Estava viúva há dez anos e ele há seis, mas era um sonho de Peter porque ele acredita na importância do casamento religioso e eu resolvi agradá-lo”, relatou a noiva.

“Peter era só sorrisos. Foi lindo de se ver os dois dizendo que depois de tantos estavam recomeçando”, contou Paula Arcoverde. Nem o filho dela nem a filha dele vieram para cerimônia. “Foi uma lição de vida para que a gente sempre acredite no amor. Porque não tem tempo para casar nem para recomeçar. Tem o tempo de ser feliz”, afirmou Paula. 

Por trás do casamento, a história de um encontro casual que o Facebook ofereceu há seis anos. “Eu sempre pedia nas minhas orações um companheiro. Não precisava ser rico, também não devia ser pobre, mas que fosse correto. Um belo dia eu estava conversando com meu filho. De uma hora para outra, eu vi alguém puxando conversa comigo”, narrou. Era Peter. “Ah, não, Marcelo, ele é muito velho”, comentou, rindo, com o filho. Peter tinha 68 anos e Ana 77 anos. “Mamãe, por que a senhora só gosta de jovens?”, perguntou o filho de Ana. 

Quatro meses depois de muitas conversas, Peter convidou Ana para conhecer a casa e a rotina dele. Acostumada a viajar e apaixonada pela Inglaterra, ela foi. Ficou três meses. No quarto mês, recebeu o primeiro pedido para o casamento. “Foi tão inesperado para mim que eu disse para ele que dois anos depois me pedisse de novo. Com dois anos, ele pediu e eu pedi para esperar um pouco mais. Ele esperou”. Após o quinto ano juntos, Ana achou que tinha chegado a hora. Foi a vez dela perguntar: “A sua proposta de casamento está de pé?”. Tiveram trabalho com a papelada por causa da nacionalidade dele. Acabaram conseguindo. Há seis anos, correm atrás do sol: passam seis meses na Inglaterra e seis meses no Brasil para curtir o verão dos dois países.

“Até a última hora eu não estava acreditando no que estava acontecendo comigo”, confidenciou-me a sorridente noiva Ana de Lima Grant enquanto aproveitava a praia de Maragogi que tanto encantou o marido. Ontem, os dois viajaram para Fernando de Noronha. A lua de mel só acaba dia 3 de abril. “Ele, minha vida mudou. Os filhos sempre tomam seu rumo e a gente fica. Minha idade não afeta em nada. Estamos em pleno vigor. Estamos de cabeça, corpo e água”, afirma Ana, a noiva, fazendo questão de mostrar sua feliz maturidade.
Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/vida-urbana/2018/03/28/interna_vidaurbana,746672/noiva-aos-83-anos-ana-dita-como-ser-feliz-hoje.shtml

Subterrâneos que resguardam parte da história de São Paulo

São Paulo, megalópole que ultrapassa os 12 milhões de habitantes, apesar do frenético ambiente de quem transita diariamente pela cidade no intenso “vai e vem”, esconde muitos mistérios aos olhos de quem passa por seu solo.

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Diante disso apresentamos uma seleção de locais subterrâneos desconhecidos pela maior parte do público e que resguardam parte da história da cidade. Teatros, aquário, estação de metrô não concluída, instituições artísticas e culturais são alguns dos quase secretos espaços. Confira nossa seleção a seguir:

1. Salão dos Arcos / Theatro Municipal

Como ícone arquitetônico e história que se confunde à da própria cidade, o Theatro Municipal de São Paulo é um dos mais importantes edifícios culturais paulistanos. Com estilo eclético e arquitetura concebida pelos arquitetos Cláudio Rossi e Domiziano Rossi e execução pelo escritório de Ramos de Azevedo, foi inaugurado em 1911, após dezesseis anos de construção. Com seus interiores palacianos, grandiosos salões e escadarias, o edifício foi tombado em 1981 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (CONDEPHAAT) e resguarda uma série de segredos e espaços desconhecidos pelo público.

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Entre os misteriosos espaços, o salão no subterrâneo do Theatro, inicialmente concebido para a circulação de ar entre os espaços e ainda, um túnel abaixo da Rua Coronel Xavier de Toledo que conduzia os artistas diretamente a um hotel do outro lado da rua, encanta quem visita-o, pela resistência ao tempo e preservação.

Internamente, desviando lateralmente à escadaria principal no foyer, uma porta esconde uma pequena escada de acesso ao subsolo. O salão com uma série de arcos cerâmicos e base em pedra assentadas com uma mistura de areia, calcário, conchas e gordura de baleia, tem capacidade para abrigar cerca de 120 pessoas. Em 2017, o salão inaugurou um bar intitulado Bar dos Arcos, permitindo que parte do público possa conhecer de perto o histórico ambiente.

Endereço: Praça Ramos de Azevedo, s/n – República, São Paulo – SP, 01037-010.

2. Teatro do Centro da Terra

Localizado a 12 metros abaixo do solo da cidade, nos cruzamentos dos bairros do Sumaré e Perdizes, o teatro foi inaugurado em 2001 após cerca de dez anos de obras e escavações. O nome em homenagem ao espetáculo Viagem ao centro da Terra faz menção à peça teatral apresentada em 1992 pela Companhia de teatro Multimídia de São Paulo.

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Junto ao auditório com capacidade para 100 pessoas, palco italiano, coxias e urdimento, há um conjunto de salas de ensaios, pesquisas, música e teatro distribuídas pelos quatro andares.

Endereço: R. Piracuama, 19 – Sumaré, São Paulo – SP, 05017-040.

3. Cripta da Catedral da Sé

Localizada a 7 metros abaixo do altar da catedral em estilo neogótico, o espaço possui cerca de 620 metros quadrados. Nos interiores, o piso em mármore Carrara em variantes de preto e branco e abóbodas ogivais com revestimento cerâmico resguardam quinze túmulos de bispos brasileiros e portugueses que atuaram na capital. Da quantidade de sepulturas, há a capacidade para o dobro, e além dos bispos, também se encontra a sepultura do cacique Tibiriçá, pertencente à lista dos primeiros indígenas a serem catequizados na cidade.

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As visitas guiadas ao subterrâneo da Igreja ocorrem com agendamento prévio.

Endereço: Praça da Sé – Sé, São Paulo – SP, 01001-000.

4. Casa das Caldeiras

Localizada no bairro da Água Branca, lateralmente à linha 7-Rubi da CPTM, o terreno com históricos galpões e três torres cerâmicas contribuíram à geração de energia para a indústria paulistana pertencente à família Matarazzo. O complexo foi fechado entre as décadas de 1970 e 1990 para restauro, após tombamento pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (CONDEPHAAT).

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No espaço subterrâneo, os túneis que conduziam a fumaça até as chaminés, atualmente deram lugar a um centro cultural destinado a exposições e atividades artísticas, preservando resquícios da memória paulistana. O espaço subterrâneo pode ser percorrido pelos visitantes do Centro Cultural.

Endereço: Av. Francisco Matarazzo, 2000 – Água Branca, São Paulo – SP, 05001-200.

5. Passagem literária da Consolação

O túnel localizado abaixo da esquina da frenética Avenida Paulista e Rua da Consolação, que anteriormente interligava os pedestres pelo cruzamento subterrâneo, transformou-se há alguns anos em um espaço dedicado à Arte e Cultura. A priori, apresentava condições precárias, marcadas pela sujeira e mal odor. Após manutenção e reformas deu lugar a um sebo, exposições e apresentações musicais.

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A passagem tem entrada pela Rua da Consolação, ao lado do Cine Belas Artes. Apesar de aspecto sombrio à quem passa pela calçada, descendo pelas escadas, o aspecto transforma-se em prol da Cultura.

Endereço: R. da Consolação – Consolação, São Paulo – SP, 01301-000.

6. Aquário subterrâneo do Parque da Luz

Inaugurado em 1825, o Parque Jardim da luz é o mais antigo da cidade de São Paulo. Rodeado por importantes edifícios para a história municipal, como o antigo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo – atual Pinacoteca do Estado de São Paulo, projetada pelos arquitetos Ramos de Azevedo e Domaziano Rossi em 1900, reformado em 1990 por Paulo Mendes da Rocha e ainda, a Estação da Luz, projetada pelo arquiteto britânico Charles Henry Driver em 1867. O jardim dispõe de importantes espécies vegetais, espelhos d’água, fonte e esculturas de Victor Brecheret, além do valor histórico e artístico, ainda mantém um dos tesouros da cidade: um aquário subterrâneo.

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Com entrada por meio de uma pequena caverna em forma de túnel, possui vidros laterais criados intencionalmente à visualização dos peixes do lago. Infelizmente, o aquário natural e passagem subterrânea aberta ao público apresentam mal estado de conservação, pela falta de manutenção na água, vidros e iluminação.

Endereço: R. Ribeiro de Lima, s/n – Bom Retiro, São Paulo – SP, 01122-000.

7. Estações abandonadas do Metrô de São Paulo

A pouco mais de oito metros abaixo do solo da Estação Dom Pedro II, há resquícios de parte da estação do metrô que começou a ser construída na década de 1960 e que nunca foi finalizada. Estruturas em concreto, treliças, túneis e linhas sem acesso ao público, escondem o que viria a ser uma nova plataforma de embarque. Atualmente, a área serve como área de manutenção dos trens.

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Endereço: Rua da Figueira, s/n – Brás, São Paulo – SP

8. Trilhos do Metrô de São Paulo

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Longe da agitação do Metrô de São Paulo, as madrugadas com a presença de funcionários que trabalham intensamente para manutenção dos trilhos e estações, escondem um ambiente desconhecido pelos passageiros. Ocasionalmente, são oferecidos diferentes modelos de visitas monitoradas às estações, entre o centro operacional e processos técnicos da madrugada, permitindo que o público conheça os bastidores da rede metroviária.

9. Túnel Quartel da ROTA

Inicialmente com cerca de 3 quilômetros de extensão, o túnel de tijolos cerâmicos e terra batida que interligava o prédio do quartel de Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (ROTA) à antiga penitenciária da Avenida Tiradentes e ainda à outras bases de segurança da Polícia, atualmente com apenas 100 metros, ainda guarda parte de suas histórias.

Como uma pequena galeria, junto a outras salas que contam parte da história do quartel e segurança paulistana, dispõe fotografias de época, cartazes e objetos que propicia entendimento aos visitantes. Construído com materiais importados da França (telhas), Itália (tijolos) e Letônia (pinho), atualmente o prédio do quartel é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (CONDEPHAAT).

Endereço: Av. Tiradentes, 440 – Luz, São Paulo – SP, 01101-010

Parte dos locais aqui apresentados e alguns outros, podem ser conferidos através de um tour virtual por meio de vídeos e fotografias através do site Tab Subterrâneos.

Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/886694/subterraneos-que-resguardam-parte-da-historia-de-sao-paulo?utm_medium=email&utm_source=ArchDaily%20Brasil&kth=830,995

Maior mapa-múndi do século XVI é montado digitalmente na Universidade de Stanford

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Impressionante como a cada dia descobrimos o quanto ainda não sabemos e, mais do que isso, o quanto povos longínquos, no tempo e no espaço, já sabiam demais. Estamos falando dos anos 1500 e vejam a precisão dos mapas da época.

Especialistas da Universidade de Stanford montaram digitalmente o que é considerado o maior mapa-múndi produzido no século XVI. De autoria do cartógrafo milanês Urbano Monte, a representação do mundo de 1587 fora dividida em 60 páginas e publicada na forma de altas, porém, com instruções claras sobre como remontá-la.

David Rumsey, diretor da coleção de mapas históricos da universidade, adquiriu o mapa de um historiador em 2017. A publicação conta com apenas uma outra cópia manuscrita no mundo e nunca antes havia sido montada na forma do mapa concebido por Monte.

Diferentemente da projeção de Mercator, frequentemente utilizada em mapas-múndi por preservar a forma dos continentes, a projeção de Monte parte do Polo Norte e, embora distorça as regiões mais próximas ao Polo Sul, conserva razoavelmente bem a relação das massas terrestres com os oceanos.

As páginas escaneadas compõem um mapa de mais de três metros quadrados e estão disponibilizadas online, assim como o planisfério composto, ambos livres de direitos autorais. “Estamos convencidos de que qualquer material que esteja livre dos direitos do autor deve estar na Internet com a maior qualidade possível à disposição de todo mundo”, disse Salim Mohammed, conservador-chefe da instituição em entrevista ao jornal El País.

“É o maior mapa-múndi do século XVI”, afirmou Rumsey, e “também é artisticamente grande; tem informações de eclipses, do Sol, a direção dos ventos e a duração dos dias nas diferentes regiões do mundo”.

Veja o mapa em lâminas e montado na forma de globo terrestre, aqui

FontesNexo El País, https://www.archdaily.com.br/br/887048/maior-mapa-mundi-do-seculo-xvi-e-montado-digitalmente-na-universidade-de-stanford?utm_medium=email&utm_source=ArchDaily%20Brasil&kth=830,995

O NATAL dos meus sonhos

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Um NATAL como o de Simeão!

Poderia até ousar em dizer: Um NATAL como o do desconhecido Simeão que, simplesmente, soube esperar e confiar.

Não! Definitivamente não quero falar do natal sob a ótica piegas de papai noel,  coca cola e/ou “orgias de presentes” como bem afirmava o meu pai, todo final de ano, à medida que os filhos geravam filhos. Não quero me render ao natal de festas e amigos secretos e que, no final, toque apenas a superficialidade do ser humano, como um momento agradável e passageiro.

Também não quero um natal cuja imagem propagada é distorcida, assim como a Páscoa já foi totalmente desvirtuada.

Desafio qualquer um, em qualquer lugar desse Ocidente, que venha a ser feita qualquer enquete, quiz ou pesquisas quanto ao significado da Páscoa que, seguramente, ganhará aquela opção associada a “coelho e chocolate”. Como se Páscoa fosse coelho e as bolinhas por eles produzidas não são, bem, …, chocolate.

Semelhantemente, desafio qualquer pesquisa ou enquete sobre NATAL onde, também ganhará a opção “papai noel e qualquer outra coisa”.

Mas, antes de voltar a falar de Simeão, não quero também viver natal de famosos, televisivos, nem de belas histórias e melodias de final de ano. Provavelmente, também não quero ter o ícone de nenhum referencial famoso, de gente famosa, locais consagrados, mas, apenas, poder afirmar que o verdadeiro NATAL é possível em e com pessoas simples, anônimas e desconhecidas, assim como Simeão.

Na verdade, quero poder trazer o momento e o sentido da tradicionalidade da história contada e passada de pai para filho, gerações por gerações, de forma oral, o conto e a verdadeira transmissão do NATAL.

Ou seja, Por que, efetivamente, celebramos e devemos sempre celebrar esse significado?

Dessa forma, “quero trazer à memória o que me pode dar esperança (Lamentações 3:21 onde, aos não tão acostumados com o manuseio bíblico, essa citação está no Livro de Lamentações, Velho Testamento, capítulo 3, versículo 21).

Particularmente, sou vidrado nesse, um tanto quanto desconhecido, versículo bíblico. Sim, desconhecido, pois em época de natal o que mais ouvimos são do tipo, “Ela dará à luz um filho, e você deverá dar-lhe o nome de Jesus”, “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens” ou “Vamos a Belém, e vejamos isso que aconteceu”, dentre tantas outras passagens testamentárias.

Não percamos a linha de raciocínio e voltemos ao versículo um tanto quanto “desconhecido”. No período em que Israel esteve no cativeiro babilônico, pelas suas tantas transgressões, o profeta Jeremias escreveu os poemas do livro de Lamentações, para tentar expressar a angústia e sofrimento que seu povo passava naquele tempo.

Talvez NATAL seja um pouco disso ou tenha um pouco a ver com tudo isso: A necessidade de se expressar ou de se identificar a angústia e sofrimento pelo qual o povo nos dias de hoje passa e que, em apenas uma noite, queremos, quase que num passe de mágica, fazer sumir toda essa dor e sofrimento.

Como um bom exercício, tente levantar, simultaneamente, duas campanhas financeiras: uma para animais domésticos e de pequeno porte desamparados e a outra para crianças em abrigos e orfanatos e, no final do intervalo de tempo investigado, veja qual foi a campanha que mais recolheu doações.

É nesse contexto que quero convidar a viver um NATAL do dia a dia, um NATAL de todos os dias, um NATAL para todos os dias. Um NATAL onde, na prática, diariamente, cotidianamente, eu possa trazer à memória o que me pode dar esperança, e explicar qual a real diferença entre NATAL e natal.

Que as pessoas ao meu derredor entendam a prática e o significado do NATAL sem que eu tenha que, se quer, abrir a boca para falar a respeito de nada, de milagre algum. Simplesmente por eu viver o milagre, ser fruto desse milagre e querer externalizar e compartilhar as boas novas desse milagre. Simeão, como bem registra a bíblia, em Lucas 2:25-35 (Novo Testamento, capítulo 2, versos de 25 a 35) esperou e vivenciou, com disse, essa esperança.

Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da Lei, ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação. A qual tu preparaste perante a face de todos os povos; Luz para iluminar as nações, e para glória de teu povo Israel. E José, e sua mãe, se maravilharam das coisas que dele se diziam. E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel, e para sinal que é contraditado (E uma espada traspassará também a tua própria alma); para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.

Quantos conhecem essa História? Simples e bela assim como o convite do verdadeiro NATAL.

Brincando de mesclar o Velho com o Novo Testamento, Jeremias com Simeão, no verso seguinte ao “trazer à memória o que me pode dar esperança”, o primeiro escreveu e o segundo vivenciou a misericórdia. Essa palavra misericórdia, que em hebraico é “hesed”, pode ser traduzida por “aliança de amor” ou “amor imutável”. Diante de tanta adversidade, parecia que não havia mais esperança nem para Jeremias, nem para o “velho” Simeão (e talvez muitos nos dias de hoje pensem exatamente dessa forma), mas ambos lembraram e esperaram que a “hesed” de Deus ainda permanecia sobre seu povo e que se renovara através do Cristo do Senhor. É essa mesma “hesed” que vem sobre as nossas vidas exatamente agora.

Por fim, a minha oração para essa noite de NATAL, desde que seja qualquer dia do seu calendário é que, como Simeão, “ninguém morra antes de ter visto o Cristo do Senhor”. E que, ao voltarmos para o nosso dia a dia, seja saindo de um ambiente para o outro, da casa para o trabalho, ou vice versa, o amanhecer de outro dia possamos, agora coletivamente, dizer para nós e para o próximo: Agora, Senhor, despedes em paz esse teu servo ou serva, segundo a tua palavra; Pois já os meus olhos viram a tua salvação”. Porque os meus pensamentos, os meus filhos e, quiçá, os filhos dos meus filhos, entenderam o real significado e importância do nascer de Cristo do Senhor em nossas vidas. E que, enquanto vivermos, possamos replicar ao próximo e as gerações que se renovam trazermos à memória o que nos pode dar esperança.

Um feliz, diferente, Real e Transformador NATAL para todos.