CONTROLE SOCIAL E TRANSPARÊNCIA – Como votou cada Deputado

transparencia

Com muita alegria replico o fruto de um projeto de pesquisa desenvolvido por um amigo (Paulo Carnicelli), onde diretamente, podemos acompanhar as atividades daqueles que votamos.

Você lembra em quem votou para deputado federal no processo eleitoral de 2014? Ele foi eleito ou não? Se sim, tem fiscalizado a atividade deste na Câmara dos Deputados? Geralmente ao depositar nosso voto na urna eletrônica pode parecer que nossa responsabilidade terminou naquele dia. A obrigatoriedade de escolher seu representante pelo “voto direto e secreto” foi feita e deixa-se por isso mesmo.

Com a crescente repercussão política que o país tem vivido nos anos pós eleições presidenciais, algumas atuações dos deputados eleitos tem tomado amplitude e visibilidade maior do que geralmente acompanhamos. Basta ver e lembrar das votações que tomaram o horário nobre da TV aberta sobre o encaminhamento do processo de impeachment de Dilma Rousseff e do prosseguimento da denúncia de corrupção passiva contra Michel Temer.

Em ambos os casos pudemos acompanhar em tempo real e fiscalizar aqueles que estão lá para representar seus eleitores. Passada toda esta exposição, alguns se perguntaram: como cada um dos parlamentares presentes votou nas diferentes situações? Pensamento e inquietação que motivou os integrantes do projeto “IF Transparente: Fomento à Participação Ativa do Sociedade” a buscar saber e expor tal encaminhamento.

A partir de informações de cada uma das votações, de 17 de abril de 2016 e 02 de agosto de 2017, elaboraram lista com nome de cada um dos deputados, o Estado que representam e os respectivos partidos a que são filiados e, na sequência, como cada um votou nos dois casos e compartilharam em sua página na rede facebook. Como é uma lista extensa (afinal, são 513 representantes eleitos em todos os Estados da Federação) há a possibilidade de se criar filtro para busca com mais precisão de cada uma das situações. Basta clicar em “Deputado” e, na sequência, selecionar o ícone de filtro na barra de ferramentas acima.

LINK PARA A PÁGINA DE IF TRANSPARENTE

LINK PARA A LISTA COMPARATIVA DOS VOTOS DE CADA UM DOS DEPUTADOS FEDERAIS

Entende-se que esta atividade e a correlação entre as votações é uma parcela pequeníssima do controle social, que deve ser exercido frequentemente por cada eleitor com ou sem representante eleito na Câmara, culminando assim em uma possibilidade maior de voto consciente. Como dica para potencializar este controle social e fiscalização, os coordenadores e bolsistas da página indica, ainda, a plataforma “Quem me Representa?“, que lita como cada um dos Deputados Federais vota nos principais temas apresentados na Câmara.

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Sentença Final – Leitura obrigatória para todas as eleições!

Justiça federal

Transcrevo aqui a sentença final proferida pelo Dr. Friedmann Anderson Wendpap, Juiz Federal da 1a. Vara Federal de Curitiba quanto ao Processo Eleitoral do IFPR – Instituto Federal do Paraná.

Esse documento é um referencial para TODOS os que desejam entender de processo eleitoral, principalmente as Instituições Públicas de Ensino.

Entendo que todo o processo eleitoral existente dentro da Academia, a partir de hoje, deve se debruçar sobre esse material e seguir os ricos ensinamentos apresentados em sua sentença final publicada no dia 02/06/17 às 14:37:00.

A leitura da sentença como um todo é um lavar da alma nesse momento pelo qual o país passa e, no fundo do coração ainda acreditar: Ainda existe esperança!

 


AUTOR: FREDERICO FONSECA DA SILVA
RÉU: UNIÃO – ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO
RÉU: EZEQUIEL WESTPHAL
RÉU: INSTITUTO FEDERAL DO PARANÁ

SENTENÇA

1. Trata-se de ação ordinária em que FREDERICO FONSECA DA SILVA pleiteia a nulidade do processo eleitoral do IFPR para o quadriênio 2015/2019 e em caráter sucessivo, sejam declarados nulos os votos oriundos dos campi Capanema, Barracão, Palmas e Avançado Coronel Vivida. Em sede liminar requer (i) a imediata suspensão dos efeitos da homologação dos resultados do processo eleitoral IFPR-2015, impedindo assim que os réus promovam a assunção ao cargo de reitor do candidato Ezequiel Westphal; (ii) determinar a imediata deflagração de novo processo eleitoral; (iii) determinar ao Ministério da Educação que nomeie reitor pro tempore para conduzir a instituição enquanto ocorre o processo eleitoral. Ainda, requer a participação do Ministério Público Federal.

Relata que foi candidato (de oposição) ao cargo de Reitor do IFPR para o quadriênio 2015/2019, porém o vencedor foi o candidato oficial, Professor Ezequias Westphal, atual (ao tempo da exordial) Reitor substituto.

Alega que essa vitória ocorreu em razão de inúmeras ilegalidades por parte do candidato eleito que, segundo o autor, teria utilizado a máquina pública em prol dos interesse pessoais, em ato de demonstração de poder do grupo político que tomou a Reitoria de assalto nos últimos anos.

Narra como o Dr Ezequiel Westphal veio a ocupar o cargo de Reitor interino do instituto, alegando a nulidade do processo eleitoral em razão da ofensa ao princípio da impessoalidade, uma vez que o próprio Reitor/candidato (i) nomeou livremente os membros da Comissão Deflagradora; (ii) determinou o cronograma eleitoral, fixando as eleições para 07/05/2015; e, (iii) estipulou que as limitações de cronograma eleitoral não poderiam ser revistas nem mesmo pela Comissão Eleitoral Central.

Assevera que o Dr. Westphal estava eticamente impedido para atuar no processo de consulta em razão do conflito de interesses, nos moldes dos arts. 18 e 19 da Lei 9.784/99.

Alega a prejudicialidade da fixação de prazo eleitoral muito inferior ao permitido pela legislação (90 dias) pelo próprio candidato de situação, defendendo que o calendário, ao limitar à apenas seis úteis o prazo de campanha, impossibilitou que o autor percorresse os 24 câmpus da instituição no Paraná, fazendo o seu nome conhecido. Ressalta que outro candidato, utilizando-se do cargo, fez campanha fora do referido período por meio de visitas oficiais.

Traz aos autos comparativo com os prazos de campanha nas eleições dos Institutos Federais dos outros estados.

Aponta outras nulidades, como o indeferimento, sem justificativa plausível, de inscrição para Fiscal no Campus Palmas, que culminou na realização da votação na localidade sem qualquer fiscalização por parte do autor/candidato; o encerramento da votação nos Campi Barracão e Capanema antes do prazo previsto no regulamento; a desconsideração em bloco das urnas do Ensino à Distância – EAD.

Destaca a efetiva irrecorribilidade dos resultados e decisões do processo eleitoral, com negativa de fornecimento dos documentos essenciais à formulação de eventual recurso.

Aduz que a metologia de cálculos para classificação final dos candidatos adotada pelo edital de regulamento eleitoral é diferente do sistema da Lei 11.892/2008 e Decreto 6.986/2009, concedendo maior peso para os votos dos alunos.

A decisão do evento 4 deferiu medida cautelar para suspensão dos efeitos do ato de homologação do resultado do processo eleitoral, decisão essa que não foi reformada em sede recursal.

O réu Ezequiel Westphal apresentou contestação no evento 36. Alega que a Comissão Eleitoral Central só é formada após a deflagração do processo eleitoral, que deve ser feita pelo Conselho Superior, o qual é apenas presidido pelo Reitor do IFPR. Argumenta que o calendário das eleições de modo algum prejudicou ou favoreceu qualquer dos candidatos. Sustenta a ausência de irregularidade na votação do Campus Palmas. Aduz que o fechamento das urnas antes do horários nos campus Barracão e Capanema não geraram prejuízo, pois os eleitores faltantes não iriam comparecer de qualquer forma e, da mesma maneira, a contabilização das urnas dos campus de ensino à distância não iria modificar o resultado da eleição. Alega a inexistência de irregularidade quanto ao prazo de recurso e que o critério de valoração dos votos foi o requerido pelo autor, bem como que a eleição é exclusivamente consultiva, sendo que a nomeação do reitor é ato discricionário do Presidente da República.

O IFPR apresentou contestação no evento 37. Em preliminar defende os limites da lide ao interesse jurídico individual, de modo que o pedido de anulação do processo de consulta não beneficia diretamente o autor. Argumenta que não há lei que preveja a vedação da participação de candidato no Conselho Superior quando da convocação da Comissão Central e que o calendário foi estabelecido pela Comissão Central e não pelo candidato à reeleição, sendo que o calendário não colocou os candidatos em situação desigual. Pondera que indeferimento da inscrição da fiscal Carmem Waldow não interferiu do processo de votação do campus Palmas e Coronel Vivida, e que a restrição de horário de votação nos campi Barracão e Capanema não modificam o resultado final da votação local. Arguiu que o autor pretende a modificação das regras do jogo em relação aos requisitos para a votação dos alunos EAD e do direito de recorrer.

A União apresentou contestação no evento 41, em síntese, reiterando os termos da contestação do IFPR.

O autor apresentou réplica no evento 47.

O IFPR, a União e professor Ezequiel manifestaram-se pela desnecessidade de produção de provas (eventos 55, 57 e 60).

O autor requereu a produção de prova testemunhal, pericial de cálculo de grafotécnica e exibição das cédulas de votação (evento 72).

A decisão saneadora do evento 75 estabeleceu os pontos controvertidos quanto à execução dos processo de eleição e orientou a produção das provas.

No evento 99 a parte autora informou o descumprimento da ordem cautelar, com exercício dos atribuições de reitor pelo réu Ezequiel Westphal.

O réu apresentou justificativa para a sua posse como linha sucessória conforme Portaria 1340/2015.

A decisão do evento 102 acolheu o pedido do autor e determinou o imediato afastamento do réu da função de Reitor, com a fixação de astreinte em desfavor do IFPR.

O autor arrolou testemunhas no evento 109 e o réu no evento 112. Audiência realizada no dia 03/10/2016 (eventos 193/194)

Alegações finais apresentadas nos eventos 218/221.

É o relatório

2. Decido.

A principal tese de defesa da parte ré é no sentido de que as irregularidades apontadas pelo autor não teriam gerado prejuízo efetivo ao processo eleitoral.

Entretanto a premissa em que a tese de defesa se funda é falsa, pois o sucesso ou invalidade de um processo eleitoral não é verificado pela efetiva prejudicialidade de eventos pontuais no resultado final, e sim pela lisura em todos os atos formadores do processo. Os meios no processo democrático são fundamentais. A ética exige postura ortodoxa, não heterodoxa, isto é, “jeitinho”.

O processo em sí é importante para a democracia; a democracia é o próprio processo de debate de ideias, colocação dos fatos e projetos, exposição das figuras públicas que desejam obter o privilégio de servir a comunidade que pretendem representar.

A legitimação do candidato eleito depende da lisura nessa etapa do processo político, de modo que a presença de ruídos constantes nesse período retiram a credibilidade do sistema, e por consequência, degrada a democracia.

Essa importância da lealdade do processo de consulta, Mutatis mutandis, pode ser equiparada à elaboração da nossa Constituição de 1988:

61. O princípio popular teve importante papel na sua elaboração. Nela, num certo sentido, encontramos a prova de que o procedimento constituinte será compatível como poder popular se se efetivar com fidelidade a um princípio de justiça do resultado, porque, como vimos antes citando Canotilho, a justiça da constituição depende do procedimento seguido em sua feitura.  (SILVA, José Afonso. Poder Constituinte e poder popular: estudos sobre a constituição. São Paulo: malheiros, 2002, p. 111) (destacou-se)

Por esses conceitos intrínsecos a processo verdadeiramente democrático, o estabelecimento das regras do jogo deve ser por colegiado de todos os candidatos que participarão do pleito ou por colegiado do qual nenhum candidato participe. A presença de apenas um dos candidatos no órgão legislativo, mesmo que a opinião não seja teoricamente vinculativa, já resulta em desequilíbrio, que ilegitima todo o processo.

A lei e o regulamento que permitem que o reitor candidato à reeleição deflagre o processo de consulta e participe da tomada de decisões de como o processo deverá decorrer são inconstitucionais, pois contrários ao pilar da democracia, evidenciado pela faceta da impessoalidade. Repito, não é porque em outros Entes da Federação ocorre a participação do reitor candidato à reeleição na deflagração e fixação das regras que a situação é constitucional e merece ser convalidada. Non omne quod licet honestum est. O nivelamento por baixo não transmuta a imoralidade em moralidade. O conflito de interesses e a mácula à equidade remanescem, ainda que mil eleições com essa nódoa sejam realizadas.

Ninguém nasce democrático como imaginava Rousseau, o protótipo do Pangloss de Voltaire. A rigor, “todo sistema altruísta é inerentemente instável, pois se expõe ao abuso por parte dos indivíduos egoístas, sempre prontos a explorá-los”.1A democracia existe porque o mundo é hobbesiano. Os anjos não precisam de governo. A sofisticação do sistema democrático representativo foge aos instintos; está fora da compreensão empírica. Exige instrução, treinamento e resultados positivos para os participantes. Sem benefícios claros para todos, especialmente a construção de oportunidades iguais para acesso às alavancas de poder, as pessoas se sentem usadas para que tiranos se apresentem com verniz de legitimação democrática.

A raison d’être da consulta à comunidade acadêmica para formar a lista a ser levada a autoridade nomeante é, por meio da eleição e do resultado da gestão, ensinar os participantes sobre todos os aspectos da democracia. Desde a escolha dos nomes, até os resultados gerenciais obtidos. Do micro-cosmo do Instituto Federal, expandir a experiência à política geral, na qual existe baixíssima aferição dos resultados éticos, institucionais, econômicos, decorrentes da vitória.

A accountability (controlabilidade em português não muito castiço) possível no pequeno âmbito da escola deve extrapolar para a política geral pelas atitudes das pessoas com formação superior. Financiadas que foram pelos milhões de trabalhadores que não alcançaram tal distinção, delas espera-se capacidade de compreensão da complexidade da política e discernimento para melhorar as condições gerais.

A expectativa do povo que paga tributos para financiar o ensino superior é que a honestidade (impessoalidade, moralidade, eficiência) do micro-cosmo acadêmico limpe a política geral. Gotas de água limpa com grande potência de desinfecção. Ninguém deseja que as nódoas da política geral tisnem a atividade política intra-muros da academia. Da escola, espera-se albor, não breu. Se a eleição na escola repete as mazelas da política geral, qual a razão para fazê-la?

O reitor candidato, por obediência a alma do processo democrático, deve se abster de exercer funções públicas incompatíveis com o seu interesse pessoal, repassando para o sucessor natural essas atribuições em especial. Essa é a postura ética e constitucional exigível do réu na situação em se colocou e de todos os outros reitores que, sendo candidatos à reeleição, participaram ativamente da elaboração das regras do jogo.

A clara ruptura da ordem democrática desde o início do processo eleitoral faz presumir o prejuízo nos debates que deveriam ter ocorrido na academia sobre quais os rumos deveriam seguir e, logicamente, no resultado. Reitere-se, é irrelevante se nos campus ‘x’ ou ‘y’ em que houve a irregularidade eventuais “votos perdidos” tivesse sido direcionados ao candidato vencedor, pois não é o resultado final o mais importante. Os meios importam. Meios imorais contaminam os fins.

Desta forma, a prejudicialidade dos pontos controvertidos i, iv, e v (saneador evento 75) é presumida, e a resposta para o item ii é negativa, de modo que imperiosa a procedência do pedido inicial para declarar a nulidade do processo eleitoral realizado no IFPR para o quadriênio 2015/2019.

Outras deturpações ocorridas durante o processo eleitoral igualmente demonstram que ele não foi legitimo/democrático.

O relato do ocorrido na propaganda eleitoral dos dois candidatos no campus de Palmas demonstra como foi dado tratamento diferenciado, com maior exposição do reitor Ezequiel, e restrição da fala do autor, pela própria comissão eleitoral. A impessoalidade rege a administração pública; é decorrência lógica do princípio republicano e democrático, e se não fosse suficiente está prevista expressamente no caput do art. 37 da Constituição Federal.

Marçal Justen Filho conceitua esse caro princípio como essencial para impedir tratamento vantajoso ou prejudicial:

4.6. A Impessoalidade

A impessoalidade pe uma faceta da isonomia, tomando em vista especificamente a aplicação da lei pelo Estado. Todos são iguais perante o Estado, o que não impede discriminações contempladas na norma constitucional ou legal. Onde a norma legal não discriminou, é vedado introduzir inovações diferenciadoras.

A impessoalidade não afasta a exigência de tratamento igualitário para os iguais e não igualitário para os desiguais. Não case essencialmente Às normas legais consagrar as discriminações. O conteúdo essencial do princípio reside em impedir que algum sujeito receba tratamento mais vantajoso ou prejudicial do que o reservado par ao conjunto da população. Ninguém pode ser dispensado de encargo ou receber vantagens em virtude de haver conquistado a simpatia ou ser destinatário da antipatia do agente estatal

(JUSTEN FILHO, Marçal. Curso de direito administrativo. 12 ed. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2016, p. 64)

A utilização da máquina do IFPR na condição de reitor para autopromoção em período próximo ao do processo da eleição, resta configurada no evento da posse de servidores no Campus Colombo, haja vista que o deslocamento do reitor para esse tipo de ato não era usual. Adende-se a forma ostensiva como o réu utilizou do pronunciamento oficial no programa EAD (evento 202), para exposição da sua figura, apresentação do currículo e dos projetos. Merece destaque de que não foi aberto espaço semelhante para o candidato concorrente.

Nesse tópico do uso do EAD para pronunciamento oficial, vale observar que o “cérebro humano … não pode fazer mais do que uma ou duas coisas ao mesmo tempo. Se um meme dominar a atenção de um cérebro humano, tem de fazê-lo à custa dos memes “rivais”.2 “Quando planta um meme fértil na minha mente, você literalmente parasita o meu cérebro, transformando-o num veículo de propagação do meme, da mesma maneira que um vírus pode parasitar o mecanismo genético de uma célula hospedeira”.3

A igualdade dos meios na competição eleitoral é conditio sine qua para propiciar aos eleitores a liberdade de escolha. O uso desigual dos meios de acesso a atenção e memória do eleitor atenta contra essa liberdade; transforma o eleitor num ente cativo de quem detém o controle sobre as vias que conduzem ao cérebro e à decisão de voto. Ao inibir/restringir a pluralidade de ideias que chegam à mente do eleitor, comete-se ofensa contra quem se pede voto, se pede confiança.

A dignidade humana do eleitor é respeitada quando se propicia a ele a pluralidade/qualidade informacional hábil a julgamento consciente. Considerado como humano, não como hospedeiro de ideia parasita. O punctum saliens é o art. 21 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O indeferimento da fiscal Carmem Waldow no campus Palmas é desprovido de lógica. A testemunha Sanderson afirma que indeferiu o pedido de registro da senhora Carmem porque o outro candidato não possuía fiscal. Ora, se a indicação de fiscal é faculdade dos candidatos, não há sentido em proibir o exercício da faculdade de um candidato porque o outro decidiu não utilizar da prerrogativa. Assim, o que ocorreu foi a proibição de fiscalização por parte da campanha do autor, pouco importando que houvesse coincidência de preferência política com a fiscal da campanha local. A decisão defenestra os conceitos básicos dos modais deônticos da permissão, proibição e obrigação.

A proibição de exercício da faculdade de fiscalização por parte da campanha do autor, dada a necessidade de plena transparência no processo democrático, resulta na presunção de inidoneidade da votação lá ocorrida.

3. Diante do exposto, confirmo a medida cautelar, e julgo procedente o pedido inicial, nos termos do art. 487, I do CPC, para fins de declarar a nulidade do processo eleitoral realizado no IFPR para o quadriênio 2015/2019.

Condeno cada um dos réus ao pagamento de honorários de sucumbência em favor do procurador do autor os quais fixo em R$ 10.000,00 (dez mil reais), considerando o disposto no §8º do art. 85 do CPC.

Forte no art. 491 do Código de Processo Civil, o valor deverá ser atualizado a contar da data do arbitramento pelo IPCA-E mensal. Os juros incidirão a partir do trânsito em julgado da presente decisão (§16 do art.85 do CPC) e serão fixados à taxa de 1% ao mês (art.406 do CC c/c art.161 do CTN). Deixo de aplicar a taxa SELIC (prevista no Manual de Cálculos do Conselho da Justiça Federal), tendo em vista que: “a utilização da taxa Selic como índice de apuração dos juros legais não é juridicamente segura, porque impede o prévio conhecimento dos juros; não é operacional, porque seu uso será inviável sempre que se calcularem somente juros ou somente correção monetária [….]” (Enunciado 20 da 1ª Jornada de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal).

Condeno a parte ré à restituição das custas adiantes na proporção de um terço para cada.

Na forma do art. 40 do CPP, vista ao MPF, para verificação de eventual conduta típica na seara penal e improbidade administrativa.

Sentença registrada eletronicamente e publicada com a disponibilização no sistema. Intimem-se as partes.

Apresentada apelação, intime-se a parte contrária para contrarrazões, e decorrido o prazo legal, remetam-se os autos ao TRF/4ª Região.

Oportunamente, arquivem-se.

EXTRA, EXTRA, EXTRA: Da escola, espera-se luz, não sombra! Manifesto público para a comunidade acadêmica

Foram mais de dois anos de paciência e o texto de hoje no blog é o mais esperado desde maio de 2015.

Explico, rememoro e compartilho: em 2015, o IFPR passou por um processo de eleição para escolha do Reitor no período de 2015 a 2019. Em junho daquele ano, por ordem da Justiça Federal do Paraná, a homologação do resultado do processo eleitoral IFPR foi suspensa em caráter liminar, em face das diversas irregularidades que macularam o processo como um todo e que foram fartamente denunciadas por meio deste blog.

Alguns links, entre dezenas deles, que tratam do assunto:

Passados pouco mais de dois anos, na data de hoje, 30/05/2017, a Justiça Federal do Paraná, por meio do juiz Friedmann Anderson Wendpap, da 1º Vara Federal do Paraná, julgou pela nulidade do processo eleitoral realizado pelo IFPR. Em suma, a sentença é um verdadeiro banho de democracia naqueles que tentaram, em vão, fazer prevalecer sua vontade sobre a vontade da maioria da comunidade do IFPR.

A sentença do juiz destaca aquilo que sempre repetimos e defendemos: o sucesso ou invalidade de um processo eleitoral não é verificado pela efetiva prejudicialidade de eventos pontuais no resultado final, e sim pela lisura em todos os atos formadores do processo. Os meios nos processos democráticos são fundamentais. A ética exige postura ortodoxa, não heterodoxa, isto é, jeitinho”. Apenas para que conste, a outra parte na ação defendia que as irregularidades não teriam gerado prejuízo efetivo ao processo eleitoral.

Durante todo este tempo, permanecemos firmes no propósito de aguardar a decisão judicial com a certeza de vitória. Por diversas vezes fomos acusados de tumultuar a Instituição, não saber perder e até nos imputando a culpa pelos problemas do IFPR.

O tempo, senhor do destino, não tardou em nos dar razão!

Com a decisão, esperamos que no devido tempo o IFPR consiga promover eleições justas, em que os candidatos tenham condições de prover um amplo debate e que a comunidade escolha livremente o candidato que apresentar as melhores propostas para a Instituição. Conforme a sentença: a expectativa popular é que a honestidade do micro-cosmo acadêmico ilumine a política geral. Gotas de água limpa com grande potência de desinfecção. Ninguém imagina que as nódoas da política geral tisnarão a atividade política intra-muros da academia. Da escola, espera-se luz, não sombra.

Nosso desejo por mudanças segue vivo e forte: #mudaIFPR. Hoje é dia de comemorar porque a democracia ganhou!

Mais de 100.000 acessos (ou #100.000)

Esse é um momento ímpar que eu gostaria de compartilhar com todos vocês. Aliás, os méritos são todos vossos.

100-000

Esse Blog foi criado em março de 2015 e, em janeiro de 2017, com apenas 1 ano e 10 meses, conseguimos a expressiva marca de 100.000 acessos. Alguns duvidaram, poucos debocharam; e muitos, mas muitos, apoiaram.

Um Blog que se prontifica a compartilhar notícias que agreguem o processo formativo nas áreas, basicamente, de educação e pesquisa; sem venda de espaços para fins lucrativos, deixando o leitor livre apenas para ler e não se influenciar por propagandas; sem robô para disparar e-mails. Todos os e-mails que você recebem são enviados apenas por mim; e, usando uma ferramenta gratuita.

Observamos que, com o passar dos anos, esse Blog vem se internacionalizando. Pessoas de vários outros países começam a acessá-lo. O que é bom e vem dando credibilidade.

Em 2015, decorrente do processo para reitor (amplamente exposto e discutido aqui), tivemos 50.284 acessos, sendo 48.026 daqui do Brasil. O acesso estrangeiro representou apenas 4,49% (vide Tabela abaixo com todos os países que acessaram o Blog). Tomando como projeção o mês de janeiro de 2017, verificamos que 12,11% dos acessos são do exterior e apenas os Estados Unidos é responsável por quase 10% dos acessos agora em 2017.

Em 2015, fizemos 196 publicações; Em 2016, 107. Agora, para 2017, pensamos que compartilhar de 2 a 3 publicações por semana, seja o ideal, para que todos possam reservar um pouco do cada vez mais raro tempo, sem sobrecarregar ninguém. Tempo para leitura e reflexão!

Esse Blog é vosso! Sintam-se livres para compartilharem as matérias. Fazer comentários e críticas é sempre bom, ajuda a amadurecer nessa caminhada. Recomendem matérias para divulgações de eventos técnicos-científicos.

Recebam todos o meu sincero agradecimento e parabéns!

Países 2.015 2.016
Brasil 48.026 45.485
Estados Unidos 768 1.651
Portugal 140 101
Espanha 69 55
Canadá 59 84
Alemanha 30 42
Reino Unido 20 47
França 17 37
Itália 15 39
Holanda 14 19
Argentina 12 35
Bolívia 12 0
México 11 17
Suíça 10 6
Noruega 9 6
Haiti 9 9
Moçambique 6 15
Austrália 6 10
Finlândia 5 6
Colômbia 5 17
Irlanda 4 15
Chile 4 16
Peru 4 3
Uruguai 4 11
Japão 3 8
União Europeia 3 3
Rep. dos Camarões 2 0
China 2 0
Suécia 2 6
África do Sul 2 7
Coreia do Sul 2 3
Israel 2 29
Tailândia 1 3
Arábia Saudita 1 0
Equador 1 2
Romênia 1 0
Angola 1 6
Luxemburgo 1 0
Polônia 1 6
República Dominicana 1 0
Índia 1 2
Burquina Faso 1 0
Taiwan 0 9
Hong Kong 0 4
Russia 0 14
Nova Zelândia 0 8
Malásia 0 3
Paraguai 0 13
El Salvador 0 3
Croácia 0 2
Costa Rica 0 2
Áustria 0 2
Hungria 0 2
Geórgia 0 2
Grécia 0 1
Tanzânia 0 1
Bélgica 0 1
Guiana Francesa 0 1
Timor-Leste 0 1
Moldávia 0 1
Indonésia 0 1
Venezuela 0 1
Etiópia 0 1
Eslovênia 0 1
Bielorrússia 0 1
Armênia 0 1
Catar 0 1
Guiné-Bissau 0 1
Panamá 0 1
Islândia 0 1
Bahrein 0 1
Chipre 0 1

Campanha #SomosTodosSurdolímpicos

Estamos encerrando o ano de 2016, e esse blog mais vivo do que nunca, completando 1 ano e 9 meses e com mais de 97.000 acessos (graças a cada um de vocês que confiaram nesse projeto).

confederacao

Sou solidário e apoio o Projeto #SomosTodosSurdolímpicos pelo fato de conhecer, trabalhar e admirar uma colega que, além de competente servidora do IFPR também é atleta da Seleção Brasileira de Futsal. E, para não sermos redundantes quanto a falta total de apoio governamental ao esporte amador, é zero, para com essa mobilidade de deficiência auditiva.

Dessa forma, os atletas fazem campanha e se mobilizam. Assim, através da campanha #SomosTodosSurdolímpicos, a CBDS (Confederação Brasileira de Desportos de Surdos) está divulgando e buscando captar recursos para a Delegação Brasileira Surdolímpica 2017. São aceitas doações (pessoas físicas) e patrocínios (pessoas jurídicas) em forma de dinheiro ou de materiais e serviços (passagens aéreas, uniformes e materiais esportivos). Para arrecadar fundos a equipe está vendendo camisetas da campanha e arredando doações a partir do site Kickante ou por depósito bancário. 

Ajude essa equipe a fazer bonito na Surdolimpíadas 2017!!!


Para comprar camisetas da campanha: http://loja.goleirodealuguel.com.br/camisetas

Sobre a campanha:
A CBDS é uma entidade não governamental, sem fins lucrativos, gerenciada e mantida, há 32 anos, através de trabalho voluntário em atividades relacionadas com esporte praticado por pessoas com deficiência auditiva (perda auditiva bilateral a partir de 55dB). E, está organizando sua equipe para participar pela oitava vez da Surdolimpíadas de Verão (Summer Deaflympics, termo original em inglês).

As Surdolímpiadas de Verão são organizadas pelo Comitê Internacional de Desportos de Surdos (ICSD – sigla em inglês), caracteriza-se por ser a versão dos jogos olímpicos de verão exclusiva para atletas com perda auditiva. É o maior evento esportivo da comunidade surda. A 23ª edição será realizada em Samsun-Turquia, entre os dias 18 a 30 de julho de 2017, com previsão de participação de mais de 100 países, em 21 modalidades esportivas.

Há possibilidade de que cerca de 220 pessoas (surdoatletas, comissão técnica e equipe de apoio) participem da Surdolímpiadas 2017 vestindo a camisa do Brasil, competindo em 15 modalidades esportivas. Mas, para isso acontecer é preciso recursos financeiros e materiais que ultrapassam 3 milhões de Reais. Não há, até o momento, nenhum patrocínio ou repasse governamental garantido para este fim, por isso a CBDS está buscando empresas e pessoas que possam colaborar.

Objetivo: arrecadar contribuições para algumas despesas referentes à participação da Delegação Brasileira nos Jogos Surdolímpicos de Verão 2017.

Meta: R$ 220.000,00

Forma: Contribuição por meio de site de financiamento coletivo “Kickante”, com pagamento por cartão de crédito ou boleto bancário

Período: A campanha no Kickante estará no ar de 25/11/2016 a 21/01/2017.

Mais informações: www.cbds.org.br (acesse menu SURDOLIMPÍADAS) http://www.2017deaflympics.com

Contatos por e-mail surdolimpiadas@cbds.org.br

MAKAKIKO NÃO MORREU!

makakiko

Particularmente eu gosto e vejo que essa frase é muito, e sempre mais, usada quando se refere a Elvis. “Elvis não morreu”! Eu também gostaria de poder afirmar isso.

Recentemente, ministrando uma palestra sobre Popper, eu cheguei a afirmar isso (“Popper não morreu … quando elaborou teorias que refutavam o ideal totalitário dos regimes comunistas e nazistas”). Nos dias de hoje seria algo como refutar a ditadura do proletário e a ditadura da classe dominante. Popper mantém vivo, principalmente quando seus ideais e a forma de analisar o contexto e as considerações periféricas do meio influenciam no todo.

Até provoquei a plateia, contextualizando para os dias de hoje se Popper seria aplaudido ou odiado por ter mudado o seu jeito de pensar, traindo ou sendo traído pelo que ele sempre acreditou. Afinal, Popper, afinal, seria ‘coxinha’ ou ‘mortadela’?  (tudo entre aspas, pelo amor de Deus!). Afinal de contas, e por causa disso, quantos bloqueariam Popper no Facebook?

Mas, o que me motivou a fazer essa reflexão foi compartilhar algo inusitado: em pleno feriado prolongado (aqui em Curitiba foi de 07 – 11 de setembro) recebi um email de alguém desconhecido, não cadastrado, no meu email institucional, apresentando uma matéria supostamente publicada em uma Revista que não é indexada. Ou melhor, nem existe essa revista quando fazemos a busca rasa e rápida no google.

A suposta Revista chama-se Atualidades & Educação. Mas, ao anexar (lembram-se daqueles e-mails falsos – vírus, de charlatães baratos, com erros crassos de português? Vide, como exemplo: http://tvuol.uol.com.br/video/ladrao-escreve-errado-na-placa-do-carro-e-e-preso-04020E983864D0813326) o suposto autor anexou o arquivo “Jornal eduação e atualidade” (Façam as vossas próprias avaliações!).

O suposto autor esqueceu apenas os princípios básicos de informática na proteção e conservação de segurança ao mandar em pdf padrão anexado. Bastando, ao se clicar com o botão direito e escolher a opção ‘inspecionar’, aparece o nome do verdadeiro autor, um servidor público federal, pertencente ao quadro do próprio IFPR, descumprindo as normas do uso do email institucional.

Tempo passados, uma semana antes das eleições, os servidores do IFPR foram surpreendidos com um email falso, assinado por um ‘laranja’ (covardes sempre se escondem), com alegações falsas ao meu respeito. Razão pela qual esse processo encontra-se hoje na Polícia Civil para rastreamento. Ah, e antes que eu me esqueça, esse suposto autor, diferente do Makakiko, tem como sobrenome Cobblepot (o conhecido ‘Pinguim’ de Gottan City).

Ou seja, a metodologia repete-se. O meio utilizado também. E a burrice de se deixar rastro também. Não precisamos de eduação como essa!

Minhas desculpas aos formandos BCC do IFPR

Dizer que me empenho ao máximo para ministrar aulas maravilhosas não é mérito nenhum. Aos meus olhos, todos os professores tem, por obrigação, fazer isso: aulas que atraiam, que apaixonem, que conquistem os alunos, e não o inverso.

Talvez seja isso que os motivem a, regularmente, me convidarem para um posto de honra nas vossas formaturas. E assim foi para com a maravilhosa turma de Bacharel em Ciências Contábeis onde ministro duas disciplinas: Estatística e Agronegócio (ou, apresentando o universo agrário para novos contadores).

E, pela primeira vez na minha vida, faltei ao compromisso. Nada contra! Nenhum protesto! Como falei, fui reconhecido por uma das melhores turmas com quem convivi.

Registro a minha falta, junto com o meu pedido de desculpas, pois nesse dia especial, parte dessa semana já estava toda comprometida com o IF Bahiano, na cidade de Senhor do Bonfim, onde vivi um dos melhores momentos profissionais desses últimos tempos pela forma como fui recebido, tratado e valorizado.

Vi alunos que viajaram 260 km todos os dias para não perderem a palestra e os mini-cursos referentes a água, sua falta, seus problemas e como aumentar a sua disponibilidade naquele meio, bem como reusá-la para diversos fins.

Aos meus formandos, sinto no coração que todos eles me perdoaram pela ausência pois sabiam que esse ‘velho’ professor continua semeando boas novas em terras longínquas.

Aos meus novos discípulos baianos e agora aos meus novos profissionais já formados, o meu muito obrigado.

Abaixo transcrevo na íntegra o discurso proferido na festa de formatura que muito me emocionou ao ler. Carinhosamente sou chamado de Formigão. Por doces. E quem não é?

Boa noite a todos os presentes.

Hoje é uma noite especial. Talvez a mais importante das nossas vidas.

Hoje se encerra um ciclo. Quando sairmos pelas portas do Instituto, estaremos enfim caminhando sozinhos. Levando conosco tudo que nos foi ensinado. Porém, com a certeza de que um dia poderemos retornar. E essa possibilidade de retornar a um lugar cheio de pessoas especiais e extremamente dedicadas nos alegra imensamente.

Então, nada mais justo que homenagear quem tanto nos ajudou nessa caminhada. Nossos queridos, estimados e admirados mestres.

É difícil expressar por palavras o quanto vocês foram cruciais para que chegássemos até aqui. O conhecimento que compartilharam os ensinamentos, os macetes, a vontade de servir e principalmente a paciência que tiveram conosco.

Sabemos que não deve ter sido fácil pra vocês nos aguentarem durante tanto tempo. Foram tantas bolas fora que ficaríamos horas só falando disso. Confúcio dizia: ‘’Se não sabes, aprende; se já sabes, ensina’’.

E foi exatamente isso que vocês fizeram. Nos ensinaram e nos apontaram o caminho a seguir durante todos esses 4 anos.

Hoje podemos enfim ter uma conversa de profissional pra profissional, enfim após 4 longos anos podemos trocar experiências, discutir assuntos pertinentes a nossa área e compartilhar informações relevantes para o nosso crescimento. E tudo isso foi possível graças a atenção de vocês. Acreditem, vocês fizeram milagre. E mais, vocês já estão no processo de canonização (risos)

Impossível não lembrar das aulas de Contabilidade Pública com o Professor Ciro. Lembro que no primeiro e-mail que ele nos escreveu, ele dizia que a primeira impressão que ele teve da nossa turma foi muito boa, pois alguns professores já haviam falado muito bem da gente. Em modéstia parte fomos a melhor turma mesmo (risos). Espero que hoje, essa impressão tenha evoluído a ponto de você nos ter como amigos, assim como nós o temos. Você foi essencial na nossa formação, mostrou ser mais que um Professor, se mostrou amigo e companheiro da turma. Ainda não esquecemos de quando você nos dava aula de custos no costelão, nas pizzarias e acreditem, até nos sábados. Foram muitos sábados que o Senhor deixou de estar com a sua família, para poder nos ensinar. E sem ganhar nada a mais por isso, diga-se de passagem. Foram muitos sábados e isso foi mais que prova de profissionalismo, sua atitude mostrou o quanto se importa com a gente e com o nosso desenvolvimento. Hoje o resultado esta aqui. Tudo isso graças a sua dedicação. Obrigada Professor Ciro.

Também é difícil esquecer a dedicação da professora Cristina nas aulas de ética. Sempre nos fazendo pensar sobre o melhor comportamento, sobre a melhor atitude a ser tomada diante de alguma situação, isso para que pudéssemos ter uma boa convivência na nossa sociedade.

Em uma das aulas que deu, guardamos a resposta de 3 questionamentos.
– Qual é o lugar mais importante do mundo? O lugar mais importante do mundo é onde você está, porque ali está seu ser, de modo que ali você pode viver a sua vida plenamente, com todas as suas  potências;

– Qual é a tarefa mais importante do mundo? A tarefa mais importante do mundo é a que você deve fazer, e não a que você quer fazer.

– Qual é o homem mais importante do mundo? O homem mais importante do mundo é aquele que precisa de você, porque é ele que dá a ocasião de exercitar a virtude mais bela: a caridade.

E é por esses caminhos da ética que vamos definir como será a nossa trajetória, nosso trabalho e nossas escolhas. Isso sem falar na pressão que sofremos na entrega do nosso primeiro TCC. A professora Cristina chegou chegando, nos cobrando, questionando, colocando a prova o nosso tema escolhido e sempre dizendo: Pessoal, não vai dar tempo, não vai dar tempo, vocês tem que correr, vamos, vamos… E assim foi até o ultimo dia da entrega. Então Professora Cristina. Acreditamos que essa vitória também é sua.

Agora eu vou falar de formiga, sim, de formiga. E das grandes. Pra quem não sabe, aqui no Instituto tem um formigão. Onde tem doce ele esta lá. Se tem comida, ele esta lá. Estou me referindo ao Professor Fred. Que de tanto comer doce, se tornou um dos professores mais doces do Instituto. De uma bondade e um coração sem tamanho. Assim definiríamos esse formigão. Professor que ao participar do Congresso Mundial de Alimentos na Alemanha, nos trouxe o que? Chocolates, muitos chocolates, os mais deliciosos que comemos até hoje. Professor que deixou de tirar férias para ajudar certos alunos atrasadinhos na matéria. Que também deixou de estar com a família, para se dedicar em nos ensinar.

Em Contabilidade aplicada ao Agronegócio, ele não falou agronomês com a gente, sempre didático e atencioso. Sempre em busca de novidades, assuntos atuais, nos motivando e principalmente nos apoiando em tudo o que fazemos. Saiba Professor Fred, que você se tornou exemplo pra muitos alunos. Sua inteligência, sua humildade, humanidade e bondade, nos faz ver que existe esperança na humanidade.

A você o nosso abraço. Porque há braços.

E pra finalizar as homenagens de hoje, vou falar do nosso paraninfo. O Professor Paulinho. Pensa num serumaninho calmo. Pois bem… Esse é o Professor Paulinho. Uma calmaria sem fim.

Em 4 anos de convivência ele nunca perdeu a paciência com a gente. E olha que não faltaram motivos. (risos)

Lembro de um dia quando um dos nossos colegas estava apresentando trabalho. O colega estava a uns 15 minutos falando, e então voltou ao Professor e disse: ‘’Professor, ta certo isso que eu falei?’’ E então o Professor Paulinho respondeu: ‘’Você pode repetir? É que eu não estava prestando atenção no que você estava falando?!’’
A classe inteira caiu em risos…. e então demos sequencia nas apresentações, enquanto o professor pensava na morte da bezerra.

Assim foi a nossa convivência com esse ser maravilhoso, sempre alegre, saudável e acima de tudo especial. O Professor Paulinho além de inteligente, sincero e querido… é mais humilde que painel de jipe, assim como esta sendo essa colação. Professor que nos ensinou a questionar tudo que foi abordado com um: VEJA BEM… DEPENDE. Professor que acompanhou de perto cada passo que demos nesses 4 anos. Nos orientando nos nossos trabalhos de conclusão de curso, nos fazendo atingir o limite máximo para que pudéssemos entregar algo realmente de qualidade. E hoje temos o resultado disso tudo. Muito obrigada por tudo Professor Paulinho. Não existe palavras para expressar o quanto você nos ajudou. Foi uma honra para todos nós poder conviver e aprender com você. Obrigada por tudo.

Agora sim… finalizando as homenagens. Gostaria de encerrar dizendo que na vida tudo é uma troca. A forma como se doaram para que pudéssemos chegar até aqui serve de exemplo. E isso foi de suma importância… e um simples muito obrigado não bastaria para expressar tamanho feito. Pois deixaram de realizar seus sonhos para que pudéssemos realizar os nossos.

No primeiro ano de curso tivemos a noticia que nosso curso seria com A de eterno. Ou seja, que ele nunca iria acabar. O que estamos vivendo hoje é apenas um sonho que acabara amanhã com o despertar do relógio às 6 da manhã. Escolhemos uma profissão onde a principal regra é estudar, estudar e estudar. Mas para a nossa sorte tivemos o apoio de grandes profissionais. Esse novo desafio que nos bate a porta agora esta apenas começando, mas felizmente, estamos preparados para enfrentar todo e qualquer obstáculo. Graças a vocês.

Procuramos com essa homenagem uma forma de exprimir o quanto essa noite nos causa uma emoção impar.

E mais uma vez, essa mais nova conquista, só foi possível graças a atenção e a dedicação de vocês.

Hoje é um dia de felicidade. Um dia de vitória. Vencemos, mas vencemos juntos.

Nessa linda noite não cabe espaço para despedidas, apenas para recordações e agradecimentos. Carregaremos um pouco de vocês em cada passo que dermos. E certamente um pouco de nós ficará com vocês. Pelo menos assim esperamos.

A vocês e a todos os outros mestres que nos deram tanta sabedoria e nos ensinaram a vivenciá-las com dignidade, todo o nosso carinho e respeito!

‘’Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina’’.