Artigo: SAÚDE E DIREITO À INFORMAÇÃO: O PROBLEMA DOS AGROTÓXICOS NOS ALIMENTOS

agrotoxico blog

Hoje tenho a honra e a alegria de compartilhar um artigo de um grande amigo, Tarcisio Miguel Teixeira, publicado na conceituada Revista da USP (Revista de Direito Sanitário), e que trata de um importantíssimo tema referente às discussões de uso / restrição, ampliação / proibição, causas e consequencias dos agrotóxicos nos alimentos que consumimos.

Logo no resumo, vemos que o artigo analisa o problema atual da presença de agrotóxicos nos alimentos sob a vertente da falta de informação a respeito dos produtos aplicados nos alimentos para sua produção. Estabelece como pressuposto a relação diretamente proporcional entre saúde e alimentação saudável e o direito fundamental de ser informado sobre a qualidade dos alimentos. Conclui com hipóteses e discussão sobre as razões da falta dessa informação nos produtos alimentícios comercializados in natura.

Quem desejar saber mais sobre, acesse o artigo clicando em http://www.revistas.usp.br/rdisan/article/view/127782

Fonte da imagem: https://www.google.com.br/search?q=O+PROBLEMA+DOS+AGROT%C3%93XICOS+NOS+ALIMENTOS&rlz=1C1ASUT_pt-BRBR492BR492&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwioiazDrrvbAhVDD5AKHb52AHoQ_AUICigB&biw=1366&bih=637#imgrc=IxSXO8yQz8W2eM:

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POR QUE NÓS SÓ COMEMOS 1% DAS PLANTAS QUE NOSSOS TATARAVÓS COMIAM?

Segundo a ONU, o número de vegetais consumidos pelo homem caiu de 10 mil para 170 nos últimos 100 anos.

sidnei

Uma curiosidade gastronômica. Recebo com carinho a matéria hoje compartilhada de um dos meus maiores professores do mestrado e doutorado, sobre a matéria de um outro grande amigo meu.

Segundo a ONU, o número de vegetais consumidos pelo homem caiu de 10 mil para 170 nos últimos 100 anos. Leia o artigo completo, pra nenhum vegano botar defeito

Jambu, ora-pró-nobis, assa-peixe, folha de begônia, bertalha… Elas parecem mato, mas são alimentos. E não julgue pela aparência: esses vegetais podem ir para a mesa de qualquer família, seja pelo sabor ou pelo valor nutritivo. Com um nome autoexplicativo, as PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) têm alto teor nutricional na dieta humana, embora muitas pessoas as confundam com “ervas daninhas”.

A lista ainda inclui espécies como taioba, peixinho, feijão-caupi ou catador, erva de touro, quiabo de metro, hibisco e caxi. “Muitas das vezes a pessoa tem uma dessas plantas no fundo de casa e acha que não pode usar ou comer”, afirma o engenheiro agrônomo Sidney Kock, da Agraer (Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural), órgão vinculado ao governo de Mato Grosso do Sul. Recentemente, inclusive, Sidney participou de um curso em parceria com a Embrapa, voltado a agricultores familiares, estudantes e técnicos. “A ideia foi apresentar algumas variedades e ensinar as pessoas a identificá-las”, conta.

O engenheiro agrônomo explica que a mudança no perfil demográfico e no estilo de vida nas últimas décadas, com a população concentrada em centros urbanos, numa rotina cada vez mais agitada, acabou restringindo nossa visão quanto à diversidade de alimentos. “No Brasil, a gente tem uma biodiversidade de plantas de cerca de 2 mil espécies, mas a nossa alimentação gira na maior parte do tempo em torno de 20 espécies de folhosas”, exemplifica.

Contudo, nem sempre foi assim. Muitas PANCs costumavam ser consumidas por nossos antepassados. Porém, devido à agricultura convencional, que trouxe a produção em larga escala de espécies como o trigo e o arroz, e também devido ao afastamento do homem em relação à natureza, as plantas não convencionais acabaram perdendo espaço no cardápio.

“Atualmente, 70% dos alimentos mais produzidos são milho, soja, arroz e trigo. Os outros 30% ficam a cargo de alimentos como o feijão, a alface, a tomate, a mandioca, entre outros. E pensando ainda nessa linha macro, as PANCs têm uma presença ínfima em nossa alimentação”, enfatiza Sidney. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) calcula que, em todo o planeta, o número de plantas consumidas pelo homem caiu de 10 mil para 170 nos últimos 100 anos. “E por puro desconhecimento, perdemos assim o alto valor nutritivo destas espécies”, salienta o especialista.

Vegetais como a bertalha, por exemplo, foram substituídos na alimentação dos brasileiros por espécies como a couve, a rúcula e a própria alface. E não se engane: o que, hoje, não atrai o seu paladar, pode ser a base de muitos pratos chiques amanhã. A rúcula, por exemplo, já foi considerada uma erva daninha, e isso até pouco tempo atrás. Atualmente, é um dos vegetais que mais presentes em restaurantes e almoços de domingo. “Já há chefs de cozinha que usam várias PANCs para pratos conceituais e de sucesso no ramo da gastronomia”, destaca Sidney.

Fonte: https://agronewsbrasil.com.br/por-que-nos-so-comemos-1-das-plantas-que-nossos-tataravos-comiam/

Hortas urbanas produzem 20% dos alimentos consumidos no mundo

Prática tão antiga quanto a existência das cidades, a agricultura urbana tem atraído cada vez mais adeptos, misturando ativismo, educação, saúde e preservação ambiental

hortas urbanas

São Paulo – Uns acham que é “modinha”, outros que é “coisa de hippie“. O que a maioria desconhece, entretanto, é que as hortas urbanas são responsáveis por entre 15% e 20% de todo o alimento produzido no mundo e reúnem, atualmente, em torno de 800 milhões de agricultores urbanos no mundo, boa parte deles profissionais, segundo o estudo Estado do Mundo – Inovações que Nutrem o Planeta, da Worldwatch Institute (WWI), instituto de pesquisa sobre questões ambientais, publicado em 2011.

Em São Paulo, as hortas urbanas começaram a ter alguma visibilidade no meio acadêmico e despertar interessa da mídia – e de parte da população – a partir de 2004, época em que a ONG Cidades sem Fome começou a atuar na cidade e incentivar tal prática. O movimento de agricultura urbana na maior metrópole do país cresceu ainda mais em 2011, com a criação do grupo Hortelões Urbanos, que nasceu com o objetivo de “reunir pessoas interessadas em trocar experiências pessoais sobre plantio orgânico doméstico de alimentos e inspirar a formação de hortas comunitárias”. Atualmente, o grupo tem quase 65 mil membros no Facebook.

No ano seguinte, em 2012, nascia a Horta das Corujas, na praça Dolores Ibarruri, Vila Madalena, zona oeste da capital paulista, a primeira horta urbana feita em praça pública na cidade, criada por um público predominantemente de classe média e sem ligação anterior com a lida do campo. Apesar da novidade, Claudia Visoni, uma das fundadoras da horta, salienta que a prática da agricultura urbana é tão antiga quanto à própria civilização. “A gente não consegue um ponto inicial porque esse ponto inicial tem 10 mil anos”, afirma, destacando ser um conceito errado associar agricultura apenas ao ambiente do campo.

“A gente aprende errado na escola, porque a agricultura é irmã gêmea da urbanidade, as duas nasceram no mesmo dia. O dia em que o homem resolveu criar a primeira aldeia foi também o dia em que ele fez a primeira semeadura. Não existe uma coisa sem a outra, antes disso éramos caçadores-coletores, há dez mil anos. Não existe cidade sem agricultura, nem agricultura sem cidade, essa dicotomia é falsa, é inclusive ideológica e conveniente para o sistema agroindustrial”, explica Claudia Visoni, jornalista, ambientalista e agricultora urbana.

Segundo ela, existem entre 15 e 20 hortas urbanas ativas na cidade de São Paulo, algumas bem antigas, como a horta comunitária da Vila Nanci, na zona leste, há 30 anos. “Horta é uma coisa viva. Se deixar de ir 15 dias ou um mês, acabou a horta”, diz, explicando ser esse um fator da dificuldade de se mapear as hortas urbanas de São Paulo. Entre as hortas ativas da cidade, além das Corujas, ela cita a horta da Saúde, a horta do Centro Cultural São Paulo, a da City Lapa, da Faculdade de Medicina da USP, a Hora da Horta, entre outras.

Saúde e economia

A Horta das Corujas, assim como outras hortas urbanas de São Paulo, tem como característica a presença de pessoas nascidas e criadas em meio ao asfalto da cidade grande, sem ligação anterior com o trabalho na terra. Um movimento invertido de cidadãos que decidem adotar, nem que seja por algumas horas da semana, hábitos e práticas associadas ao meio rural, ao contrário do tradicional fluxo de pessoas que saem do campo e migram para a cidade.

“Temos pessoas que não têm experiência camponesa de infância, que cresceram no asfalto e hoje estão se tornando agricultores, isso é novidade, pois antigamente todo mundo que era agricultor vinha de família de agricultores”, explica Claudia Visoni, ela mesma tendo crescido sem contato com a terra. “Fui conhecer como é a folha de um tomateiro há oito anos.”

Na Horta das Corujas, um espaço de 800 m², Claudia diz que os voluntários frequentes são poucos, mas que não consegue dimensionar quantos já passaram por lá e “deram uma trabalhadinha”. Os visitantes, por sua vez, veem de todas as partes da cidade e podem colher livremente os alimentos ali cultivados. “Aparece desde vizinho até gente que cruzou a cidade pra conhecer ou que vai levar o filho pra passear. A gente planta pra cidade, não precisa ter trabalhado na horta. É espaço público, qualquer um pode colher o que quiser”, afirma.

Ao contrário da ideia padrão de haver alface, tomate e cenoura, a ambientalista explica que, em plena Vila Madalena, plantas raras e não-convencionais também são cultivadas na horta, como taioba, ora-pro-nobis, almeirão roxo, bertalha, serralha, sabugueiro e caruru. “Fomos colonizados pelo varejo e o agronegócio pra comer o que interessa pra eles, então um dos problemas que temos é que as pessoas não reconhecem esses alimentos como comida”, enfatiza. Como consequência, ela brinca, há pessoas que chegam para conhecer a horta e exclamam que tem “muito mato”.

A prática da agricultura urbana é hoje uma atividade incentivada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (ONU/FAO) como estratégia de aumento da resiliência das cidades e adaptação às mudanças climáticas, além de ser um importante elemento na segurança alimentar da população. O estudo Estado do Mundo – Inovações que Nutrem o Planeta, publicado pela Worldwatch Institute (WWI), estima que dentre as 800 milhões de pessoas no mundo que se dedicam à agricultura urbana, 200 milhões produzem alimentos para vender nos mercados e empregam até 150 milhões de pessoas. Segundo o estudo, calcula-se que até 2020, entre 35 e 40 milhões de africanos que vivem nas cidades “dependerão da agricultura urbana para suprir suas necessidades alimentares”. Na prática, isso pode representar até 40% da ingestão diária recomendada de calorias e 30% das necessidades de proteínas.

“O cultivo de alimentos em cidades tem algumas vantagens em relação à agricultura rural, como proximidade dos mercados, baixo custo do transporte e redução de perdas pós-colheita, graças ao menor tempo entre as colheitas. Em períodos de turbulência ou instabilidade, a agricultura urbana sempre mantém as pessoas alimentadas quando o fornecimento de alimentos do campo é interrompido”, afirma o estudo publicado em 2011.

A história da agricultura urbana é longa e sempre esteve relacionada ao aumento da segurança alimentar e o combate à fome, principalmente em épocas de guerras e conflitos. A publicação da WWI mostra que pesquisas realizadas em 24 cidades da África e da Ásia, no final dos anos de 1990, revelaram que “famílias pobres que praticavam a agricultura urbana faziam mais refeições e tinham uma dieta mais balanceada do que as outras pessoas”. Em Kampala, capital de Uganda, dados da década de 1990 indicam que as crianças de famílias agricultoras eram mais bem nutridas do que aquelas que não pertenciam a famílias agricultoras.

“As cidades estão se tornando centros de intervenções de desenvolvimento e estratégias de planejamento destinadas a combater a fome, a pobreza e a desigualdade para promover a sustentabilidade. A agricultura urbana na África subsaariana é uma parte importantíssima desse movimento, pois oferece maneiras de atender às necessidades prementes da região, como segurança alimentar, geração de renda, fortalecimento de comunidades, descarte de resíduos e a condição das mulheres”, afirma trecho do estudo Estado do Mundo – Inovações que Nutrem o Planeta.

Guerrilha verde

As hortas urbanas acabaram virando dissertação de mestrado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) pelas mãos do geógrafo Gustavo Nagib, sob o título Agricultura urbana como ativismo na cidade de São Paulo: o caso da Horta das Corujas. Para o autor, o exemplo na Vila Madalena tem as características de uma horta ativista, cuja origem conceitual remete a contracultura nascida nos Estados Unidos no final dos anos de 1960 e começo de 1970, e que se batizou de guerrilla gardening ou, numa tradução livre, horticultura de guerrilha ou guerrilha verde.

“São iniciativas que não têm nada a ver com violência, mas ocupam o espaço público ou privado sem prévia permissão. Existia já naquele tempo todo um discurso de reapropriação do espaço público, de se livrar da ‘comida de plástico’, do fast-food, cheia de agrotóxicos, algo ligado ao movimento de produtos orgânicos nos Estados Unidos e o discurso de aproximar produção e consumo, autoprodução, trabalho comunitário, isso seria algo revolucionário para os ativistas da contracultura”, explica Gustavo Nagib.

Para ele, embora os processos de criação das hortas urbanas de São Paulo sejam próprios, as conexões com o movimento da contracultura estão presentes, mesmo que não ocupem, necessariamente, espaços públicos ou privados sem autorização. Entre as características da horta ativista, Nagib enfatiza a ausência de interesse comercial e a não existência de preocupação de subsistência.

“As hortas que se manifestam em espaço público você não pode comercializar o que está ali. No caso da Horta das Corujas, pelo contrário, está aberto pra quem quiser frequentar e pertence ao espaço público. A finalidade dela é muito mais de educação, de reeducação com o espaço público, de educação ambiental e de discutir uma série de temas que são propostos em oficinas e mutirões do que qualquer coisa que passe pela via de comercializar. Também não tem a preocupação da subsistência. Ninguém está sobrevivendo ou retirando uma parte considerável da sua sobrevivência daquela horta, então essa expressão de agricultura urbana ativista surge daí”, explica.

Apesar de muitas vezes seus frequentadores não terem a consciência dessa ocupação do espaço público, Gustavo Nagib diz que muitas hortas urbanas da cidade são iniciativas que, por não terem como base a subsistência ou a geração de renda, visam “propor uma nova visão de cidade, de como se pensar e usar seus espaços”.

Ao longo da pesquisa de mestrado, o geógrafo disse ter descoberto relações que vão muito além do gesto de plantar e colher um alimento livre de agrotóxico em plena área urbana. “Descobri uma séria de coisas relacionadas a uma horta comunitária que não esperava encontrar. Porque você fala: ‘ah…mas é só uma horta’, só que nessa hortinha tem milhares de coisas acontecendo, como o cultivo de plantas não-convencionais, abelhas sem ferrão fazendo a polinização, toda a relação das águas urbanas, já que o tratamento que demos aos nossos córregos urbanos é vergonhoso”, afirma, lembrando que a parte aberta do córrego das Corujas é um dos poucos contemplados pelo programa Córrego Limpo, parceria entre a Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado. “É raríssimo encontrar córregos abertos em áreas urbanizadas e limpos, com peixinhos e toda a segurança ambiental necessária”, destaca.

Para ele, a partir de um gesto que pode parecer tão inocente, como o de produzir uma horta urbana, surgem outras questões que enriquecem todo o processo. Ou, como disse Claudia Visoni, muita mais do que só “modinha” ou “coisa de hippie”.

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2017/03/hortas-urbanas-produzem-20-de-todo-o-alimento-produzido-no-mundo

Fonte da foto: https://www.google.com.br/search?q=hortas+urbanas&rlz=1C1ASUT_pt-BRBR492BR492&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjdsOXgn9naAhXBnJAKHd3FALgQ_AUICigB&biw=1366&bih=588#imgrc=v_Ykx-YgmjjmKM:

O homem que aprendeu a plantar chuva e quis ensinar para o mundo (The Rainwater Harvester)

plantador de chuva

The Experience of Mr. Phiri in Improving Dry Land Management (https://www.youtube.com/watch?time_continue=19&v=22V4vUtNC8Q).

Phri foi homenageado pela National Geographic por seu trabalho em benefício do meio ambiente.

Prezados colegas e leitores desse blog, compartilho, talvez, a mais singela e brilhante matéria até hoje postada, presente de um grande amigo meu que decidiu compartilhar comigo essa brilhante experiencia. Que, dessa leitura, haja frutos nas regiões áridas e semi-áridas do Brasil ou de qualquer lugar do mundo.

Zephaniah Phiri Maseko, um africano que vivia em uma região semiárida do Zimbábue, se encontrou sem emprego e sem dinheiro para sustentar sua família. Ele pensou: como irei alimentá-los?

Então percebeu que as únicas coisas que ele tinha eram 7 acres de terra e uma bíblia. Ele se inspirou tanto na história do livro de Gênesis e os jardins de Éden que decidiu ter um jardim desses para ele também, e iria achar uma solução para a água, tão escassa no local.

Phiri passou a observar as chuvas. Toda vez que chovia ele saia correndo pelo seu terreno, vendo como a água corria e para onde ia. E então ele começou a perceber que em algumas áreas o cultivo de alimentos não funcionava porque a água não infiltrava o solo e em outros a água acabava empossando ou causando erosões. E então ele foi aprendendo como “consertar” estes locais, começou a construir pequenas barragens, buracos e caminhos, todos com plantas que funcionariam como ‘esponjas vivas’. Phiri chamou esta técnica de plantar a chuva.

Por toda sua terra Phiri fez com que a água da chuva descesse com menor velocidade e fosse absorvida pela vegetação, tudo isso apenas com a ajuda da gravidade. Uma vez que a água infiltrou no terreno de Phiri, o próprio solo se tornou o “tanque” de água, com a vantagem de evaporar mais lentamente.

Ele também começou a plantar espécies que precisavam de mais água nos locais mais fundos, para onde a água corria, e nos locais mais elevados (que recebiam pouca água), ele plantava às que necessitavam de pouca água. Isso fez com que a própria vegetação se tornasse um grande reservatório de água.

Phiri transformou o lugar onde ele vive em um verdadeiro oásis em meio ao semiárido. Para acessar a água que fica guardada no solo, ele plantou diversas árvores frutíferas. Seu terreno passou a produzir diversas variações como milho, mandioca, vagem e frutas nativas, enquanto os outros mal conseguiam sobreviver. Também foi possível notar a mudança nos diversos poços da propriedade, que passaram a ficar cheios d’água.

Phiri queria compartilhar seu conhecimento e criou a ONG Zvishavane Water Project para compartilhar suas práticas. Muito rapidamente, a história de plantar chuva se espalhou por lá. Muitas pessoas de seu grupo também se tornaram especialistas no assunto, transformaram suas terras e desenvolveram novas técnicas. Ao longo dos anos, diversos especialistas de todo o mundo passaram a visitar Phiri para aprender com seus ensinamentos, sendo criado até mesmo um centro de permacultura de referência mundial na região.

Eu gostaria de pedir que todo novo fazendeiro comece desta forma. Tome conta do solo e da água e, por favor, parem de cortar árvores! Plante quantas árvores conseguir, para que seu solo sobreviva” – Zephaniah Phiri Maseko

“Desde que eu comecei a trabalhar na minha terra eu sempre apreciei a água plantada nela. O melhor para todos nós é que toda a água que cai da chuva fique contida no solo, não desperdice-a!” – Zephaniah Phiri Maseko

Phri foi homenageado pela National Geographic por seu trabalho em benefício do meio ambiente. Ele faleceu em 2015, mas deixou seu legado vivo.

FonteRedação CicloVivo. http://ciclovivo.com.br/noticia/o-homem-que-aprendeu-a-plantar-chuva-e-quis-ensinar-para-o-mundo/

UEM – PROCESSO SELETIVO 2018 – PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM AGROECOLOGIA – MESTRADO PROFISSIONAL

mestrado

Sou “filho” da UEM – Universidade Estadual de Maringá (Maringá – Paraná), instituição que honro. Foi lá que fiz o meu mestrado e doutorado, além de ter sido professor substituto por mais de dois anos, numa época em que o governador do estado insistia em não abrir concurso para docente efetivo.

Hoje recebo o pedido de colaborar na divulgação do Processo Seletivo de Mestrado em Agroecologia.

DO PÚBLICO-ALVO: Poderão se inscrever no processo seletivo para o Programa de Pós-Graduação em Agroecologia – Mestrado Profissional (PROFAGROEC), candidatos que concluíram curso superior de Graduação em Ciências Agrárias, Biológicas e afins, reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC), no país e/ou no exterior, e candidatos que comprovem, mediante declaração de Instituição de Ensino Superior, que terão concluído o curso de graduação até o ato de matrícula.

DAS VAGAS: São oferecidas 34 vagas no Programa de Pós-Graduação em Agroecologia – Mestrado Profissional (PROFAGROEC), para ingresso no primeiro semestre de 2018. O preenchimento das vagas existentes fica condicionado à aprovação de candidatos no processo seletivo e à disponibilidade de orientador.

DAS INSCRIÇÕES: As inscrições devem ser realizadas de 03 de outubro a 11 de novembro de 2017, de segunda à sexta-feira, exceto feriados, das 8h às 13h, na Secretaria do Programa de Pós-graduação em Agroecologia – Mestrado Profissional
(PROFAGROEC) no Bloco 115 – Campus Maringá, Paraná, pessoalmente ou por meio
de procuração autenticada.

As aulas serão às sextas e sábados para que os profissionais liberados pelas empresas possas fazer o mestrado.

O curso tem duração de 24 meses e são três áreas (linhas de pesquisa): – Manejo Agroecológico de Solos; Manejo Agroecológico de Doenças e Pragas; e, Sistemas de Cultivos Agroecológicos.

Para maiores informações, favor acessar: http://www.mpa.uem.br/

 

Edital lança R$ 10 milhões para compostagem

compostagem

O Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) e o Fundo Socioambiental (FSA) da Caixa lançaram, nesta terça-feira (12/09), edital de apoio a projetos de compostagem em municípios ou consórcios públicos intermunicipais que atuem na gestão de resíduos sólidos. No total, serão R$ 10 milhões para projetos no valor mínimo R$ 500 mil e máximo de até R$ 1 milhão.

“Pela primeira vez, teremos um edital específico para os municípios tratarem a fração orgânica dos resíduos, alinhados com a Política Nacional de Resíduos Sólidos”, destacou o secretário-executivo do MMA, Marcelo Cruz. Segundo o secretário de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do ministério, Jair Tannús, o principal parceiro do FNMA é o Fundo Socioambiental da Caixa. “O compromisso da Caixa com a sustentabilidade já rendeu investimentos de R$ 54 milhões em projetos ambientais com o MMA”, afirmou Osvaldo Bruno Cavalcante, diretor-executivo da Caixa.

As propostas poderão ser apresentadas, até o dia 11 de outubro, por municípios ou consórcios públicos intermunicipais em todo o território nacional que atuem na gestão de resíduos sólidos. Interessados podem participar de evento de capacitação de proponentes que será oferecido pela FSA da Caixa em parceria com o FNMA no dia 27 de setembro, das 9h às 18h. Poderão participar até dois representantes por instituição. Para se inscrever, basta enviar um e-mail para o endereço eletrônico fnma@mma.gov.br com o assunto: Capacitação Edital 01/2017. O curso será no Edifício Marie Prendi, na 505 Norte, em Brasília.

Compostagem – A compostagem é uma alternativa tecnológica de reciclagem de resíduos orgânicos ainda pouco explorada no Brasil. Por ser um processo relativamente simples e com vasta gama de aplicações, desde a escala domiciliar até a escala industrial, são diversas as possibilidades de políticas públicas que promovam esta prática e reduzam a quantidade de resíduos orgânicos enviados para disposição final.

A segregação na fonte dos resíduos em três frações (orgânicos, recicláveis secos e rejeitos) tem se mostrado uma prática de gestão muito eficiente e salutar para garantir a produção de composto de boa qualidade, boa aceitação por agricultores e baixíssimo risco de contaminação. A associação da prática de compostagem com a promoção do uso do composto, em projetos de agricultura urbana e periurbana ou de apoio à agricultura familiar, também é exemplo de sucesso na garantia da continuidade desta prática, fechando o ciclo da gestão dos resíduos orgânicos.

Fonte: MMA // http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2017/09/13/138668-edital-lanca-r-10-milhoes-para-compostagem.html

USP produz plástico 100% biodegradável com resíduos da agroindústria

Produto é barato, não compete com mercado de alimentos e contém antioxidantes, permitindo acondicionar hortifrútis.

plástico

Pesquisas da USP em Ribeirão Preto avançam na busca de plástico 100% biodegradável e competitivo com o plástico comum. Testes que reúnem na fórmula resíduos agroindustriais resultaram num produto com qualidades técnicas e econômicas promissoras.

A boa nova saiu dos laboratórios do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. A química Bianca Chieregato Maniglia desenvolveu filmes plásticos biodegradáveis a partir de matrizes de amido presentes em resíduos agroindustriais de cúrcuma, babaçu e urucum.

O fato do novo material ser totalmente desenvolvido a partir de descartes da agroindústria faz toda diferença. Ao mesmo tempo, recicla resíduos; é biodegradável; é produzido com fontes renováveis que não se esgotam como o petróleo (de onde sai o plástico comum) e cultivadas em qualquer lugar do mundo. Bianca lembra de mais predicados de seu produto: matéria-prima barata, que não compete com o mercado alimentício e ainda “contém composição interessante com a presença de ativos antioxidantes”.

Essa fórmula com compostos antioxidantes, lembra a pesquisadora, pode ser ainda mais interessante no desenvolvimento de “embalagens ativas”.

Os estudos parecem indicar o caminho certo para a obtenção de um plástico, ou pelo menos um filme plástico, totalmente biodegradável. Os pesquisadores da FFCLRP conseguiram produzir filmes plásticos com boa aparência, boas propriedades mecânicas, funcionais e ativas, o que os torna mais eficientes na conservação de hortifrútis. O grupo de pesquisa também tem trabalhado com a aplicação de aditivos como a palha de soja tratada, outro resíduo agroindustrial, para melhorar as propriedades destes filmes. A meta é o ganho de maior resistência mecânica e menor capacidade de absorver e reter água.

Bianca, porém, acredita que ainda demande mais pesquisa e teste para os 100% biodegradáveis chegarem ao mercado. Em perspectiva mais recente, comenta, “esse tipo de plástico deve atuar como alternativa ao comum”. Apesar de não substituir o tipo comum, pode ser aplicado a diversos tipos do produto, como já ocorre nas misturas de matérias-primas renováveis com polímeros não renováveis, formando as chamadas “blendas”. “Temos as boas propriedades dos plásticos comuns com parcial biodegradabilidade”, comenta.

Plásticos (não tão) “verdes”

O plástico comum, que é produzido com derivado do petróleo (matéria-prima não renovável, cuja composição não é metabolizada por microrganismos), leva até 500 anos para desaparecer.

Já o plástico biodegradável desenvolvido na USP é feito de material biológico, e por isso é atacado, na natureza, por outros agentes biológicos – bactérias, fungos e algas – e se transformam em água, CO2 e matéria orgânica. Ele se degrada em no máximo 120 dias.

Atualmente, existem no mercado outros tipos de plástico biodegradável. São feitos a partir de fontes renováveis – milho, mandioca, beterraba e cana-de-açúcar. Porém, estas fontes servem como matérias-primas para produzir um composto (ácido láctico) do qual se pode sintetizar o polímero (PLA – ácido polilático). “Devido ao fato destes plásticos não serem produzidos com polímeros naturais, como proteína e carboidratos, por exemplo, o material apresenta estrutura mais complexa e só se biodegrada corretamente em usinas de compostagem, onde há condições adequadas de luz, umidade e temperatura, além da quantidade correta de microrganismos”, lembra Bianca.

Além de caros, os plásticos produzidos por fontes renováveis hoje comercializados ainda deixam a desejar em relação a algumas propriedades mecânicas e funcionais se comparados aos plásticos produzidos com fontes não renováveis, e também demandam outros custos para não poluírem o meio ambiente.

Outro plástico muito divulgado na busca por maior sustentabilidade é o “plástico verde”. No entanto, a pesquisadora faz um alerta sobre este tipo de plástico. É feito de cana-de-açúcar, mas não é biodegradável. A partir da cana, é produzido o polietileno igual ao obtido do petróleo, assim o tempo de decomposição do plástico verde é o mesmo do plástico comum. “Vai continuar a causar problemas nas cidades e na natureza.”

Bianca defende que a aceitação e demanda por plásticos biodegradáveis dependam mais de consciência ambiental, legislação e vontade política que de fatores econômicos. Avalia que, em perspectiva global, quando se incluem custos indiretos, como geração de lixo, poluição e outros impactos à saúde e meio ambiente, “os biodegradáveis assumem posições economicamente mais favoráveis”.

Falando em economia, os custos de produção desses materiais podem ficar bem menores que os atuais. E isso se deve à utilização dos resíduos agroindustriais, como o produto agora desenvolvido na USP, cujos componentes não competem no mercado com a indústria de alimentos.

Os resultados desse estudo foram apresentados em março de 2017 à FFCLRP na tese de doutorado de Bianca, que trabalhou sob orientação da professora Delia Rita Tapia Blácido.


Fontes: Rita Stella e Paulo Henrique Moreno, do Jornal da USP //