‘Enigma do trem’ fará você questionar a racionalidade de suas decisões

A BBC (British Broadcasting Corporation) em língua portuguesa  (https://www.bbc.com/portuguese) veio com essa maravilhosa “pérola” do qual compartilho. Aos meus olhos, um dos melhores post já compartilhado. Trata-se de um clássico dilema entre a filosofia e a sociologia mas que pode (e deve) ser aplicada em diferentes áreas.

trem

A situação é a complicada: um trem avança sem freios e está prestes a atropelar cinco pessoas que estão sobre a linha férrea. Você está ao lado da estrada, em frente a uma alavanca que, caso seja puxada, consegue desviar o trajeto da composição. No entanto, se você acionar o equipamento, o trem vai atropelar outra pessoa na linha ao lado.

Você tem dez segundos para tomar uma decisão. Se não fizer nada, cinco pessoas morrem. Se você puxar a alavanca, elas serão salvas, mas, como consequência, outra pessoa vai morrer. O que fazer?

Esse experimento, conhecido como “o dilema do trem”, é um cenário clássico entre filósofos e sociólogos – ele é usado para estudar o modo como tomamos decisões e para confrontar diferentes perspectivas sobre uma mesma situação.

Conflito ético

Por um lado, há quem acredite que o correto seria causar o menor dano possível, ou seja, a melhor opção seria puxar a alavanca para salvar mais vidas, mesmo que uma pessoa acabe morrendo.

Do outro lado, alguns argumentam que seria imoral intervir na situação, causando um dano que não ocorreria sem a interferência, mesmo que as intenções sejam boas.

A espiral de perguntas poderia ser infinita: salvar cinco pessoas é melhor que salvar apenas uma? É correto salvar cinco pessoas, mas matar uma que não estava correndo risco? Quem escolheu não puxar a alavanca, mudaria de opinião se fossem 100 pessoas a morrer e não apenas cinco?

Na prática

“Esse dilema é sobre o bem-estar do indivíduo em contraponto ao bem-estar de um grupo”, diz o sociólogo Dries Bostyn, da Universidade de Gante, na Bélgica.

Bostyn liderou uma equipe de pesquisadores que tentou aplicar na prática o dilema hipotético. Eles usaram um caso diferente, mas que segue a mesma lógica.

Para seu experimento, Bostyn reuniu um grupo de 300 voluntários que se dispuseram a enfrentar o problema.

Ele perguntou para uma parte deles: em uma jaula há cinco ratos e em outra apenas um. Com uma contagem regressiva de 20 segundos, caso o voluntário não faça nada, os cinco ratos vão sofrer um choque elétrico que causará dor. Se antes do tempo acabar, a pessoa apertar um botão, apenas um rato, que está em outra jaula, levará o choque.

Segundo o sociólogo, 66% dos voluntários disseram que apertariam o botão para que o rato solitário recebesse o choque, o que evitaria que o grupo de cinco sofresse. Outros 34% disseram que não fariam nada e, consequentemente, os cinco ratos receberiam a descarga.

Depois, os pesquisadores colocaram outro grupo de voluntários diante da situação real. O resultado foi divergente. Eles ficaram diante da gaiola com cinco roedores e da outra, com apenas um.

Entre as caixas, havia o botão para aplicar o choque (na realidade, ele não produzia choque elétrico de fato, mas os participantes foram levados a acreditar que sim). O cronômetro começava a avançar e as pessoas tinham que decidir o que fazer, rapidamente.

Neste caso, 84% dos voluntários apertaram o botão para salvar os cinco ratos. Somente 16% não fizeram nada para evitar o possível efeito – resultado diferente de quando o teste é aplicado apenas na teoria.

Mudança

Para Bostyn, esse resultado sugere que “o que as pessoas pensam não corresponde ao o que elas fazem na prática”.

Um dos resultados mais interessantes do teste, segundo os pesquisadores, foi o sentimento contraditório experimentado pelos participantes.

“Foi fascinante ver as pessoas que acharam ter tomado uma boa decisão e depois pediram desculpas por sua escolha’, diz Bostyn. “É uma questão muito interessante para estudar no futuro.”

O experimento de Bostyn ainda tem várias limitações, pois é difícil comparar a morte de um rato com a de um ser humano.

No futuro, o pesquisador pretende fazer um teste em que a mesma pessoa responde ao caso hipotético e, depois, é submetida à experiência real.

Voltando ao trem, você mudou de opinião?

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44148808

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ISRAEL – VOCÊ TEM UMA OPÇÃO DE BOLSA DE ESTUDOS

Gimi

Aproveito o tempo de hoje para transcrever um email que pessoalmente recebi do Diretor de Programas Internacionais, do Instituto Galileia, em Israel, e quero compartilhar com todos os que pensam estudar em Israel, assim como eu tive essa oportunidade.
O Galilee International Management Institute (GIMI), localizado em Israel, desenvolve cursos avançados de capacitação para profissionais de todo o mundo.
Fundado em 1987, mais de 18.000 profissionais oriundos de 170 países, se formaram em nossos programas, conferindo ao Instituto uma reputação global.
Você pode obter uma Bolsa de Estudos concedida ao GIMI pela OEA – Organização dos Estados Americanos e participar de um programa ainda em 2018.
Veja detalhes sobre os nossos programas, realizados em Israel, voltados ao público brasileiro e ministrados em português.
Para maiores informações mantenha contato com Sr. TSUR BUNIM – Agente Comercial do Galilee International Management Institute (GIMI) para o Brasil.
Celular / WhatsApp: (11) 99606-5051
Esperamos te ver em um dos nossos programas. Se preferir, estou a disposição na sede do GIMI.
Um cordial Shalom!
Gabriel Eigner
Diretor de Programas Internacionais
+972 4 642 8888
Galilee International Management Institute

A lei da física que controla discretamente sua vida – e pode ajudar a melhorá-la

blog

Por que um cacto tem a forma ideal para viver em um habitat sem água? Por que muitos rios formam curvas ao avançar rumo à sua foz?

Há uma teoria da física que explica isso. Na verdade, não só isso, mas também o comportamento de qualquer coisa em movimento, seja inanimada ou animada.

Trata-se de uma lei da física bem recente e ainda pouco conhecida pelo público em geral: chama-se Lei Constructal e foi formulada em 1996 por Adrian Bejan, professor de Engenharia Mecânica da Universidade Duke, nos Estados Unidos.

Bejan quis torná-la o mais acessível possível para as massas em seu livro A Física da Vida: A evolução de tudo, publicado em 2016. Mas como ela pode explicar praticamente tudo?

Tudo flui sob o mesmo princípio

A essência da teoria é que todo processo em movimento, seja de um ser vivo, como uma planta, ou algo mais intangível ou inanimado, como uma rota migratória ou a comunicação entre computadores, avança rumo a uma maior eficácia.

Esse avanço gera mudanças morfológicas e ajustes que respondem ao mesmo princípio de otimização, da evolução rumo a algo melhor. E isso, segundo escreveu Bejan em seu livro, se aplica a fluxos tão díspares como o “trânsito de uma cidade, o transporte de oxigênio dos pulmões e a fluidez dos pensamentos na arquitetura do cérebro”.

Bejan diz que toda a natureza é formada por sistemas de fluxo que mudam e evoluem com o tempo para se tornarem melhores. Assim, segundo a Lei Constructal, a tendência é sempre a uma fluidez mais fácil e, com o tempo, os fluxos se tornam maiores. E, quanto maiores o fluxos, mais inerentemente eficazes eles se tornam.

Lei ou teoria?

Na física, há muitas teorias, tantas quantas a mente puder imaginar, mas poucas leis. Uma lei deve explicar ou resumir um fenômeno universal, como as leis da dinâmica de Newton. Além disso, segundo o engenheiro, uma lei deveria ser “obedecida” por qualquer sistema imaginável: corpos, rios, máquinas.

Por sua vez, as teorias são previsões sobre como algo deve se dar e estão baseadas em uma lei. Para Bejan, a Lei Constructal explica o funcionamento de qualquer sistema dinâmico e é o motor de campos tão distintos como a evolução, a engenharia e o design.

O engenheiro se inspirou para concebê-la enquanto desenhava um sistema de refrigeração de computadores portáteis: ele se deu conta que as canalizações se ramificavam como se fossem árvores e, a partir daí, nasceu o conceito de sua lei.

Agora, sua proposta está ganhando grande aceitação nos círculos científicos e, segundo disse Bejan em entrevistas, até o momento não foi refutada por publicações especializadas.

Ele acaba de receber a prestigiosa medalha Benjamin Franklin, em parte por sua “teoria constructal, que prevê o design natural e sua evolução nos sistemas engenharia, científicos e sociais”. Segundo o engenheiro, entender melhor essa lei pode nos ajudar a antecipar mudanças, por exemplo, em dinâmicas sociais, nos governos ou na economia.

E como pode melhorar sua vida?

Se uma dinâmica se torna mais eficaz quanto mais fluida e livre for, então, a moral para nossas vidas bem que poderia ser “não pare”.

Bejan, que nasceu e cresceu na Romênia sob um governo comunista, diz que sua Lei Constructal, se aplicada de maneira prática ao nosso dia a dia e ao nosso trabalho, sugere que quanto mais livres, flexíveis e dinâmicos nos tornamos, mais eficazes somos. Da mesma forma, a inação interromperia esse fluxo e deteria o processo de optimização natural.

Segundo disse Bejan há alguns anos à revista Forbes, sua teoria tem incontáveis aplicações, “porque coloca o design biológico e a evolução dentro do campo da física, junto a tudo mais até agora existia sob o guarda-chuva da ‘ciência dura’: a economia, as dinâmicas sociais, os negócios e o governo”.

Uma das frases que ele mais gosta de repetir em conversas e entrevistas, também recorrente em seus livros, é que “a liberdade é boa para o design”. Assim, a mensagem que ele passa é que devemos fluir mais e melhor para nos tornarmos melhores.

Fonte: http://www.bbc.com/portuguese/geral-44062700

A National Geographic Society está com editais abertos até o dia 10/07/2018 nos seguintes temas

natgeo

The National Geographic Society currently offers three types of grant applications—Early Career, Exploration, and Requests for Proposals.

Acessando a página da National Geographic (https://www.nationalgeographic.org/grants/grant-opportunities/) você encontra alguns editais abertos, que possam ou devam ser úteis na captação de recursos para pesquisas.

WildlifeThis area of focus supports projects that seek to discover and identify species and ecosystems and to mitigate threats to Earth’s life forms. Projects will improve understanding of biological diversity, including behavior, life history, evolution, ecology, and habitat requirements.

Human JourneySupports projects in a range of fields that are helping us understand the origins and development of our species; how we modified and adapted to diverse landscapes across the globe; the evolution of cultures and societies; and the current status of and trends in our cultural, linguistic, and genetic diversity.

Changing PlanetThis area of focus seeks to reduce negative human impacts on ecosystems and Earth processes by increasing knowledge, creating solutions, and inspiring action.

Para mais informações, acesse: https://www.nationalgeographic.org/grants/grant-opportunities/.

Tweet all about it – people in parks feel more positive

Veja que pesquisa surpreendentemente interessante: ecólogos urbanos quantificaram que pessoas cujos tuítes foram publicados enquanto elas visitavam áreas verdes tendem a apresentar conteúdos positivos.

twitter

People in parks are more positive, and around areas like major transport hubs more negative, according to our analysis of 2.2 million tweets in Melbourne.

Our research combines social media, such as Twitter, and big data analytics, tied to real time and place, to develop understanding of the well-being benefits of city parks. The analysis shows that tweets in parks contain more positive content (and less negativity) than in built-up areas. For built-up areas in general, negativity is often associated with major transport hubs, perhaps unsurprisingly, and residential areas.

Around the world we are seeking to improve the well-being of people living in cities. One way we do this is by providing public access to natural green spaces such as parks. But how do we assess the benefits and identify which parks, and which elements of a park, best promote well-being?

To date, researchers have examined the well-being benefits of parks using intrusive questionnaires, interviews and physiological tests (e.g. skin conductance, heart rate). We now have technology, including smartphones, apps and social media posts, that we can use to observe these benefits in detail, across very large scales.

Our findings add to the evidence that parks are important for creating smarter, healthier and more liveable cities.

How do we measure well-being in parks?

Hundreds of millions of people around the world use Twitter for updating their family, friends and followers about their daily activities, thoughts and feelings. People sometimes post public tweets that are linked to the location they are sending from. The words in each tweet can be analysed for their emotional content (referred to as sentiment).

Sentiment analysis categorises each word as positive, negative or neutral, to give an overall score for each tweet. We averaged tweets across the parks that they were posted from, to give an overall positivity/negativity score for each park.

On average, tweets by people in parks express more joy, anticipation and trust, and lower levels of anger and fear, compared to tweets by people in built-up areas. Being near parks also reduced negativity, but did not affect positivity.

Do time of day and seasons have an effect?

Each tweet is tagged with the time it’s posted. Tweet sentiment scores can also be averaged across specific periods, such as hour, day or month. Beyond the general positive effects of parks compared to built-up areas, we found some general patterns that show people tend to be influenced by the time they are tweeting.

Across the day, from lunch to the end of the work day, people tended to express less and less positivity, before bouncing back in the evening. This change seems to mirror general schooling and working life – that is, how people experience and recover from their work.

Similarly, there is a general pattern of people being more positive on weekends than weekdays. While this pattern is similar for both parks and built-up areas, parks seem more positive than built-up areas regardless of the day of week.

Across seasons, from warmer months to cooler months, people tended to express more positivity in parks. Positivity seems to improve steadily from May to December, as we move from winter to summer in Australia. In contrast, built-up areas do not seem to show any clear patterns.

Why are people happier in parks?

People might be happier in parks for several reasons. Parks can help them to recover from the stress and mental strain of living in cities, and provide a place to exercise, meet other people, or host special events such as music festivals.

We need to do more research to help us understand the effect of park features. For example, being green with lots of vegetation is likely related to biophilia. And how do the effects differ when parks are used as settings for particular activities?

We know parks are great places, but we are still working out exactly why they’re great. Knowing more about this will help us make even better parks. Making the best use of public open space and green space is really important as more and more people live in cities around the world.

Fonte: https://theconversation.com/tweet-all-about-it-people-in-parks-feel-more-positive-95290?utm_source=twitter&utm_medium=twitterbutton

O fim do mito do reino de Davi

unnamedFotografia aérea da grande residência achada em Tel ‘Eton.

No dia 07 de maio de 2018, o Jornal El Pais traz a seguinte matéria que hoje compartilhamos.

Infomarção bíblica relata que Davi foi o rei israelita que, antes de ser monarca, evitou que seu povo fosse escravizado pelos filisteus depois de derrotar em combate o gigante Golias armado com uma funda. Diz-se também que ele e seu filho Salomão foram os monarcas que comandaram o reino bíblico de Judá, depois Reino de Israel, em sua época de maior esplendor. A Bíblia situa os dois temporalmente por volta do século X a.C., um período do qual são poucas as evidências em terra israelense, o que dificultava a crença de que realmente tivesse existido tal reino. No entanto, uma escavação realizada por um grupo de arqueólogos da Universidade Bar Ilan, dirigida pelo professor Avraham Faust, trouxe luz sobre isso.

Depois de dez anos de escavação em Tel’Eton, uma localidade no sudeste da região israelense de Shephelah, Faust certificou a existência de uma estrutura arquitetônica datada no mesmo século X a.C.

Essa edificação, dado seu tamanho, sua localização no cume de uma pequena colina do qual se divisam com facilidade os arredores e a qualidade de seus materiais de construção e das louças encontradas, foi atribuída a pessoas de classe alta e designada como A residência do governador.

O estudo que analisa a importância desse achado, publicado na revista Radiocarbon, da Universidade Cambridge, pelo próprio Faust e o arqueólogo Yair Sapir, chega a uma dupla conclusão: A primeira está relacionada com a contribuição de provas para a existência do citado Reino de Israel. Nesse sentido, é crucial o fato de que se trata de uma estrutura arquitetônica conhecida como casa de quatro quartos, amplamente comum na antiga sociedade israelita, embora não fosse exclusividade sua.

Este tipo de estrutura consistia basicamente de uma edificação de três seções com uma adicional na parte traseira, embora o número de quartos não fosse invariável e o nome permaneceu pelo mero fato de se tratar de uma construção muito típica e identificável. Além disso, a análise dos materiais revela o uso mais antigo encontrado até o momento da pedra silhar, que começava a ser registrado a partir do século VIII a.C.

“O reino devia ter algum monarca, fosse ele Davi ou Salomão”

O aparecimento de restos desse perfil, tão estreitamento vinculado com o tipo de construção e materiais da sociedade israelita, leva os investigadores à conclusão de que pode, sim, ter existido o Reino de Israel, que por volta do século X a.C se estendesse além das terras de Jerusalém. Um reino que, nas palavras de Faust e Sapir, “deve ter tido algum monarca, fosse ou não seu nome Davi ou Salomão”.

A segunda linha de conclusões traçada pela pesquisa da Universidade Bar Ilan está relacionada com o que eles denominam o efeito da casa antiga. Segundo eles, este efeito faz com que o surgimento de escassas evidências arqueológicas seja interpretado mais como uma questão de relato histórico do que como algo revelador da conformação sociopolítica de uma época concreta.

Nesse sentido, Faust e Sapir fixam o olhar no contexto ao qual seu achado os situa. A residência do governador, cujos materiais datam do século X a. C. –de uma análise com radiocarbono–, apresenta evidências de ter sido destruída em uma invasão assíria por volta de duzentos anos depois, dada a grande quantidade de louça despedaçada encontrada. Desse modo, e partindo do fato de que essa edificação estivesse construída de tal forma que permite intuir a existência de outras em seu entorno, se questiona se tais invasões podem ter sido a causa de uma civilização ter ficado oculta.

No lugar de supor, dada a falta de um maior número de evidências conclusivas para afirmar taxativamente a existência do Reino de Israel, os pesquisadores abrem o caminho para pensar que A residência do governador pudesse ser somente a cúpula de algo muito maior. A aproximação à realidade de um reino que, até agora, só tinha habitado a lenda.

Fonte: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/07/cultura/1525672359_152532.html; https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/1633c7ca907cd37c

Hortas urbanas produzem 20% dos alimentos consumidos no mundo

Prática tão antiga quanto a existência das cidades, a agricultura urbana tem atraído cada vez mais adeptos, misturando ativismo, educação, saúde e preservação ambiental

hortas urbanas

São Paulo – Uns acham que é “modinha”, outros que é “coisa de hippie“. O que a maioria desconhece, entretanto, é que as hortas urbanas são responsáveis por entre 15% e 20% de todo o alimento produzido no mundo e reúnem, atualmente, em torno de 800 milhões de agricultores urbanos no mundo, boa parte deles profissionais, segundo o estudo Estado do Mundo – Inovações que Nutrem o Planeta, da Worldwatch Institute (WWI), instituto de pesquisa sobre questões ambientais, publicado em 2011.

Em São Paulo, as hortas urbanas começaram a ter alguma visibilidade no meio acadêmico e despertar interessa da mídia – e de parte da população – a partir de 2004, época em que a ONG Cidades sem Fome começou a atuar na cidade e incentivar tal prática. O movimento de agricultura urbana na maior metrópole do país cresceu ainda mais em 2011, com a criação do grupo Hortelões Urbanos, que nasceu com o objetivo de “reunir pessoas interessadas em trocar experiências pessoais sobre plantio orgânico doméstico de alimentos e inspirar a formação de hortas comunitárias”. Atualmente, o grupo tem quase 65 mil membros no Facebook.

No ano seguinte, em 2012, nascia a Horta das Corujas, na praça Dolores Ibarruri, Vila Madalena, zona oeste da capital paulista, a primeira horta urbana feita em praça pública na cidade, criada por um público predominantemente de classe média e sem ligação anterior com a lida do campo. Apesar da novidade, Claudia Visoni, uma das fundadoras da horta, salienta que a prática da agricultura urbana é tão antiga quanto à própria civilização. “A gente não consegue um ponto inicial porque esse ponto inicial tem 10 mil anos”, afirma, destacando ser um conceito errado associar agricultura apenas ao ambiente do campo.

“A gente aprende errado na escola, porque a agricultura é irmã gêmea da urbanidade, as duas nasceram no mesmo dia. O dia em que o homem resolveu criar a primeira aldeia foi também o dia em que ele fez a primeira semeadura. Não existe uma coisa sem a outra, antes disso éramos caçadores-coletores, há dez mil anos. Não existe cidade sem agricultura, nem agricultura sem cidade, essa dicotomia é falsa, é inclusive ideológica e conveniente para o sistema agroindustrial”, explica Claudia Visoni, jornalista, ambientalista e agricultora urbana.

Segundo ela, existem entre 15 e 20 hortas urbanas ativas na cidade de São Paulo, algumas bem antigas, como a horta comunitária da Vila Nanci, na zona leste, há 30 anos. “Horta é uma coisa viva. Se deixar de ir 15 dias ou um mês, acabou a horta”, diz, explicando ser esse um fator da dificuldade de se mapear as hortas urbanas de São Paulo. Entre as hortas ativas da cidade, além das Corujas, ela cita a horta da Saúde, a horta do Centro Cultural São Paulo, a da City Lapa, da Faculdade de Medicina da USP, a Hora da Horta, entre outras.

Saúde e economia

A Horta das Corujas, assim como outras hortas urbanas de São Paulo, tem como característica a presença de pessoas nascidas e criadas em meio ao asfalto da cidade grande, sem ligação anterior com o trabalho na terra. Um movimento invertido de cidadãos que decidem adotar, nem que seja por algumas horas da semana, hábitos e práticas associadas ao meio rural, ao contrário do tradicional fluxo de pessoas que saem do campo e migram para a cidade.

“Temos pessoas que não têm experiência camponesa de infância, que cresceram no asfalto e hoje estão se tornando agricultores, isso é novidade, pois antigamente todo mundo que era agricultor vinha de família de agricultores”, explica Claudia Visoni, ela mesma tendo crescido sem contato com a terra. “Fui conhecer como é a folha de um tomateiro há oito anos.”

Na Horta das Corujas, um espaço de 800 m², Claudia diz que os voluntários frequentes são poucos, mas que não consegue dimensionar quantos já passaram por lá e “deram uma trabalhadinha”. Os visitantes, por sua vez, veem de todas as partes da cidade e podem colher livremente os alimentos ali cultivados. “Aparece desde vizinho até gente que cruzou a cidade pra conhecer ou que vai levar o filho pra passear. A gente planta pra cidade, não precisa ter trabalhado na horta. É espaço público, qualquer um pode colher o que quiser”, afirma.

Ao contrário da ideia padrão de haver alface, tomate e cenoura, a ambientalista explica que, em plena Vila Madalena, plantas raras e não-convencionais também são cultivadas na horta, como taioba, ora-pro-nobis, almeirão roxo, bertalha, serralha, sabugueiro e caruru. “Fomos colonizados pelo varejo e o agronegócio pra comer o que interessa pra eles, então um dos problemas que temos é que as pessoas não reconhecem esses alimentos como comida”, enfatiza. Como consequência, ela brinca, há pessoas que chegam para conhecer a horta e exclamam que tem “muito mato”.

A prática da agricultura urbana é hoje uma atividade incentivada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (ONU/FAO) como estratégia de aumento da resiliência das cidades e adaptação às mudanças climáticas, além de ser um importante elemento na segurança alimentar da população. O estudo Estado do Mundo – Inovações que Nutrem o Planeta, publicado pela Worldwatch Institute (WWI), estima que dentre as 800 milhões de pessoas no mundo que se dedicam à agricultura urbana, 200 milhões produzem alimentos para vender nos mercados e empregam até 150 milhões de pessoas. Segundo o estudo, calcula-se que até 2020, entre 35 e 40 milhões de africanos que vivem nas cidades “dependerão da agricultura urbana para suprir suas necessidades alimentares”. Na prática, isso pode representar até 40% da ingestão diária recomendada de calorias e 30% das necessidades de proteínas.

“O cultivo de alimentos em cidades tem algumas vantagens em relação à agricultura rural, como proximidade dos mercados, baixo custo do transporte e redução de perdas pós-colheita, graças ao menor tempo entre as colheitas. Em períodos de turbulência ou instabilidade, a agricultura urbana sempre mantém as pessoas alimentadas quando o fornecimento de alimentos do campo é interrompido”, afirma o estudo publicado em 2011.

A história da agricultura urbana é longa e sempre esteve relacionada ao aumento da segurança alimentar e o combate à fome, principalmente em épocas de guerras e conflitos. A publicação da WWI mostra que pesquisas realizadas em 24 cidades da África e da Ásia, no final dos anos de 1990, revelaram que “famílias pobres que praticavam a agricultura urbana faziam mais refeições e tinham uma dieta mais balanceada do que as outras pessoas”. Em Kampala, capital de Uganda, dados da década de 1990 indicam que as crianças de famílias agricultoras eram mais bem nutridas do que aquelas que não pertenciam a famílias agricultoras.

“As cidades estão se tornando centros de intervenções de desenvolvimento e estratégias de planejamento destinadas a combater a fome, a pobreza e a desigualdade para promover a sustentabilidade. A agricultura urbana na África subsaariana é uma parte importantíssima desse movimento, pois oferece maneiras de atender às necessidades prementes da região, como segurança alimentar, geração de renda, fortalecimento de comunidades, descarte de resíduos e a condição das mulheres”, afirma trecho do estudo Estado do Mundo – Inovações que Nutrem o Planeta.

Guerrilha verde

As hortas urbanas acabaram virando dissertação de mestrado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP) pelas mãos do geógrafo Gustavo Nagib, sob o título Agricultura urbana como ativismo na cidade de São Paulo: o caso da Horta das Corujas. Para o autor, o exemplo na Vila Madalena tem as características de uma horta ativista, cuja origem conceitual remete a contracultura nascida nos Estados Unidos no final dos anos de 1960 e começo de 1970, e que se batizou de guerrilla gardening ou, numa tradução livre, horticultura de guerrilha ou guerrilha verde.

“São iniciativas que não têm nada a ver com violência, mas ocupam o espaço público ou privado sem prévia permissão. Existia já naquele tempo todo um discurso de reapropriação do espaço público, de se livrar da ‘comida de plástico’, do fast-food, cheia de agrotóxicos, algo ligado ao movimento de produtos orgânicos nos Estados Unidos e o discurso de aproximar produção e consumo, autoprodução, trabalho comunitário, isso seria algo revolucionário para os ativistas da contracultura”, explica Gustavo Nagib.

Para ele, embora os processos de criação das hortas urbanas de São Paulo sejam próprios, as conexões com o movimento da contracultura estão presentes, mesmo que não ocupem, necessariamente, espaços públicos ou privados sem autorização. Entre as características da horta ativista, Nagib enfatiza a ausência de interesse comercial e a não existência de preocupação de subsistência.

“As hortas que se manifestam em espaço público você não pode comercializar o que está ali. No caso da Horta das Corujas, pelo contrário, está aberto pra quem quiser frequentar e pertence ao espaço público. A finalidade dela é muito mais de educação, de reeducação com o espaço público, de educação ambiental e de discutir uma série de temas que são propostos em oficinas e mutirões do que qualquer coisa que passe pela via de comercializar. Também não tem a preocupação da subsistência. Ninguém está sobrevivendo ou retirando uma parte considerável da sua sobrevivência daquela horta, então essa expressão de agricultura urbana ativista surge daí”, explica.

Apesar de muitas vezes seus frequentadores não terem a consciência dessa ocupação do espaço público, Gustavo Nagib diz que muitas hortas urbanas da cidade são iniciativas que, por não terem como base a subsistência ou a geração de renda, visam “propor uma nova visão de cidade, de como se pensar e usar seus espaços”.

Ao longo da pesquisa de mestrado, o geógrafo disse ter descoberto relações que vão muito além do gesto de plantar e colher um alimento livre de agrotóxico em plena área urbana. “Descobri uma séria de coisas relacionadas a uma horta comunitária que não esperava encontrar. Porque você fala: ‘ah…mas é só uma horta’, só que nessa hortinha tem milhares de coisas acontecendo, como o cultivo de plantas não-convencionais, abelhas sem ferrão fazendo a polinização, toda a relação das águas urbanas, já que o tratamento que demos aos nossos córregos urbanos é vergonhoso”, afirma, lembrando que a parte aberta do córrego das Corujas é um dos poucos contemplados pelo programa Córrego Limpo, parceria entre a Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado. “É raríssimo encontrar córregos abertos em áreas urbanizadas e limpos, com peixinhos e toda a segurança ambiental necessária”, destaca.

Para ele, a partir de um gesto que pode parecer tão inocente, como o de produzir uma horta urbana, surgem outras questões que enriquecem todo o processo. Ou, como disse Claudia Visoni, muita mais do que só “modinha” ou “coisa de hippie”.

Fonte: http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2017/03/hortas-urbanas-produzem-20-de-todo-o-alimento-produzido-no-mundo

Fonte da foto: https://www.google.com.br/search?q=hortas+urbanas&rlz=1C1ASUT_pt-BRBR492BR492&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjdsOXgn9naAhXBnJAKHd3FALgQ_AUICigB&biw=1366&bih=588#imgrc=v_Ykx-YgmjjmKM: