Menos de 40% dos municípios brasileiros tem plano para habitação

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O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na semana passada a edição de 2017 do Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic) e, de acordo com o documento, menos da metade das cidades brasileiras não conta com nenhum planejamento estruturado para a questão habitacional. O relatório aponta que, no ano passado, dos 5.570 municípios do país, 59,6% tinham algum tipo de ação direcionada à moradia, mas apenas 39,7% tinham um Plano Municipal de Habitação.

O documento elabora pelo IBGE aponta também a presença de loteamentos irregulares e/ou clandestinos em 60,6% das cidades brasileiras, 17,2% das quais com presenta de favelas ou formas semelhantes de assentamento – um aumento de 18% em relação ao levantamento realizado em 2011, com especial foco na região Nordeste.

Em relação à ocupação de terrenos ou edifícios por movimentos sociais – dado nunca verificado nas edições anteriores do Munic -, verificou-se em 13% das cidades brasileiras (724, 332 apenas no Nordeste). A questão ganhou força, evidentemente, após o desabamento do edifício Wilson Paes de Almeida, no centro de São Paulo, que era ocupado por 455 pessoas de 171 famílias.

Das estratégias implementadas pelas prefeituras brasileiras, a mais frequente foi, segundo o documento, a construção de unidades habitacionais, em 61,1% dos municípios. Aparecem na sequência a concessão de aluguel social (41,0%), melhoria de unidades habitacionais (35,4%), regularização fundiária (32,8%), urbanização de assentamentos (31,9%), oferta de material de construção (31,2%), oferta de lotes (22,3%) e aquisição de unidades habitacionais (14,6%). Em comparação com o levantamento de 2011, todas as ações, com exceção da regularização fundiária, tiveram seus fundos orçamentários reduzidos.

Segundo o Munic de 2017, 3.319 municípios dispõem de um Conselho Municipal de Habitação, mas, assombrosamente, em apenas 1.680 destes o conselho havia se reunido pelo menos uma vez no ano que antecedeu o levantamento.

Referência Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas e IBGE

Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/898146/menos-de-40-percent-dos-municipios-brasileiros-nao-tem-plano-para-habitacao-diz-ibge?ad_medium=widget&ad_name=navigation-prev

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Um pódio para o Brasil…na matemática

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A Olimpíada Internacional de Matemática, conhecida como IMO, a sigla em inglês (The International Mathematical Olympiad – https://www.imo-official.org/), reúne geninhos da disciplina desde 1959, quando estreou na Romênia. O embate é duro: as questões requerem alta capacidade de abstração, raciocínio lógico e treino, muito treino para manter a concentração e resolver a prova com organização, criatividade e método. Nada que lembre a matemática da escola. A primeira participação do Brasil em uma IMO ocorreu em 1979 e, de lá para cá, o país acumulou dez medalhas de ouro. A última delas veio nesta 59ª edição, realizada de novo na Romênia, tradicional celeiro de cérebros para a matemática. Havia seis anos que os brasileiros não recebiam a medalha dourada.

O interesse de Pedro por matemática já levou o rapaz para muitos lugares. Além de competir na Romênia, Argentina e Cabo Verde, o paulista trocou a cidade natal, Santa Cruz do Rio Pardo, no interior do estado, pela capital, a mais de 340 quilômetros de distância. “Mudei de escola no 1º ano do ensino médio para me preparar melhor para as competições e ter mais condições de passar em uma boa universidade nos Estados Unidos”, conta Pedro, a quem não falta ambição: ele pretende estudar matemática ou ciências da computação na Universidade de Princeton ou no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Para maiores informações, contato e acesso: E-mail: Gregor Dolinar (Secretary of the IMO Board)  •   Webmaster: webmaster@imo-official.org

Fonte: https://veja.abril.com.br/educacao/um-podio-para-o-brasil-na-matematica/

Sacolinha de amido de mandioca se dissolve na água quente evitando poluição

I am not a plastic

Plásticos, plásticos, plásticos.

O mundo está sufocado por plásticos.

Digitem plásticos no google e encontrarão próximo de 4 milhões de referencias. Digitem sacolas plástica e meio ambiente que esse número se aproxima de 500 mil referencias. Os microplásticos já chegaram nos dois pólos extremos da Terra e contaminam os oceanos (alguns pesquisadores consideram que o tamanho máximo do microplástico é de 1 milímetro, enquanto outros adotam a medida de 5 milímetros. O grande problema é que a grande quantidade de plástico nos oceanos, o microplástico altera a composição de certas partes dos oceanos, prejudicando o ecossistema da região e consequentemente a saúde humana).

Razão pela qual replico e compartilho uma solução “pé no chão” e fruto de uma cultura nossa, sem importação: sacolas ‘plásticas’ de amido de mandioca.

Eu não sou de plástico”, é assim que a sacolinha de amido de mandioca se apresenta. Desenvolvida pela Avani Eco, empresa de Bali, na Indonésia, ela é totalmente biodegradável, pode ser reciclada como papel e dissolve na água.

Por não ser tóxica, a sacola desaparece com um simples copo de água quente e depois pode até ser bebida. Além de contribuir para a diminuição da produção de produtos plásticos, o objeto não-tóxico também ajuda no consumo racional de água. A invenção é resultado do trabalho do biólogo Kevin Kumala.

O preço sugerido para comercialização é de R$ 1, por volta de 405 rupias indonésias. Mas para ser vendida é necessário que os pedidos atinjam a marca de pelo menos 5 mil unidades.

Para especialistas os debates sobre o uso do plástico serão os grandes protagonistas da primeira metade do século 21. Atingindo níveis preocupantes, o item está sendo banido em países europeus e também no Brasil. Recentemente o McDonald’s anunciou a substituição do canudinho de plástico pelo de papel em todas as unidades britânicas. No Rio de Janeiro uma lei prevê o banimento dos canudos em bares da capital fluminense.

Triste mesmo é saber que uma cultura nossa é muito mais valorizada e pesquisada em outros países do que a sua região mãe.

Fonte (para a parte em itálico): https://www.hypeness.com.br/2018/06/sacolinha-de-amido-de-mandioca-se-dissolve-na-agua-quente-evitando-poluicao/

Fonte (imagem): http://www.dive-damai.com/i-am-not-plastic/

Tribunais Superiores: a serviço de quem?Exposição revela detalhes do pouco conhecido “Tribunal de Hitler”

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Setenta e três anos anos depois do fim da Segunda Guerra, pela primeira vez uma exposição traz detalhes do tribunal político instituído por Adolf Hitler, o chamado “Tribunal popular” (Volksgerichtshof), que, entre 1934 e 1945, proferiu mais de 15 mil sentenças, com 5.200 pessoas condenadas à morte. Segundo a curadora, Claudia Steur, o objetivo da mostra, que fica aberta até o fim de outubro em Berlim, é “causar consternação” por um capítulo terrível de injustiças que continuaram a acontecer mesmo depois de 1945. Poucos dos 577 juízes e promotores que fizeram parte dos tribunais foram punidos, e pelo menos metade seguiu a carreira com sucesso.

Um juiz, por exemplo, chegou a ser condenado a dez anos de prisão, mas foi absolvido em segunda instância. O presidente do tribunal popular, Roland Freisler, responsável pessoalmente por centenas de sentenças, morreu durante um bombardeio em fevereiro de 1945, um mês antes do fim da guerra. Andreas Nachama, diretor da Fundação Topografia do Terror, onde acontece a exposição, lembra que os juristas da era nazista conseguiram limpar sua imagem no pós-guerra, como se não tivessem apoiado de forma tão intensa o regime: “Quando a Segunda Guerra acabou, tinham entre 40 e 50 anos e fizeram carreira na Alemanha Ocidental”. Assim, quase todos viveram bem financeiramente. A viúva de Roland Freisler processou a Alemanha Ocidental para receber sua pensão, argumentando que, se o marido não tivesse morrido ao final da guerra, poderia ter apoiado a família com recursos. Já Hermann Reinecke, que trabalhou ao lado de Freisler em 185 sentenças de morte, foi considerado apenas um colaborador e ficou isento de culpa jurídica.

Antes de condenar as vítimas à morte, era comum que os juízes trabalhassem também na destruição psicológica dos réus. O ex-chanceler Helmut Schmidt, oficial da Wehrmacht que chegou a prestar serviços ao tribunal de Freisler, escreveu que a humilhação era parte do procedimento, “como se a morte não bastasse”. Anos mais tarde, esse mesmo oficial se tornou um dos chefes de governo mais queridos da Alemanha Ocidental. Os juízes usavam uma toga vermelha, e a sala do julgamento era decorada com faixas vermelhas e a cruz suástica, como revelam fotos e documentos. Em áudios originais de seus pronunciamentos, percebe-se que alguns, como Freisler, chegavam a imitar o estilo teatral de Hitler. O tribunal era um dos pilares do regime de opressão. Quando assumiu o poder, no final de janeiro de 1933, Hitler foi eleito por uma população fascinada com as suas promessas de prosperidade e grandeza da Alemanha e só aos poucos o regime do terror foi instaurado. A condenação à morte de apenas um dos supostos envolvidos no incêndio do Reichstag, o prédio do Parlamento, no início dos anos 1930, deixou o Führer furioso. A Justiça era influenciada pelo regime, mas não estava inteiramente tomada. Assim, o tribunal que deveria cuidar apenas dos casos de traição nacional foi fundado. Pouco depois, sua área de atuação foi ampliada: todos aqueles que eram considerados inimigos do regime eram condenados.

As vítimas eram presas, julgadas e executadas em tempo recorde, como foi o caso dos irmãos Hans e Sophie Scholl, que faziam parte do grupo de estudantes “Rosa branca”, de Munique, que distribuía folhetos com frases críticas ao regime. Freisler e seus ajudantes embarcaram para Munique, onde o julgamento foi acompanhado de muita propaganda e terminou em sentença de morte. Em julho de 1944, depois da mais importante tentativa de matar Hitler, o ministro da propaganda Joseph Goebbels escreveu em seu diário: “Mesmo aqueles que não tiveram uma posição clara devem ser condenados à morte”. Os julgamentos depois do atentado levaram à condenação de 50 pessoas à morte. Segundo Claudia Steur, o vermelho está presente em muitas partes da exposição não só porque esta era a cor da toga dos “juristas terríveis”, mas também porque o tom mostra ao visitante como o tribunal tornou-se um instrumento do terror que tinha o sangue das vítimas em suas mãos.

Nem só os juízes do tribunal popular tiveram pouca preocupação em ocultar seu passado depois da guerra. Hans Filbinger era juiz da Marinha e nazista tão convicto que no final da guerra continuou condenando à morte jovens que haviam desertado. Depois de 1945, ele chegou a ser governador do estado de Baden Württemberg e só renunciou quando, em 1972, seu passado nazista causou uma grande polêmica. Philipp Gassert, autor de uma biografia de Kurt Georg Kiesinger, o ex-nazista que foi chanceler nos anos 1960, lembra que depois da guerra havia um silêncio sobre o que cada um havia feito nos 12 anos de ditadura: “Com o movimento de 1968, os alemães começaram a debater o passado nazista dos seus pais”.

Fonte: http://alefnews.com.br/exposicao-revela-detalhes-do-pouco-conhecido-tribunal-de-hitler/

METABOLISMO URBANO, INFRAESTRUTURAS VERDES E MICROCLIMAS DE RONDONÓPOLIS (MT) – URBAN METABOLISM, GREEN INFRASTRUCTURES MICROCLIMATES OF RONDONÓPOLIS (Brazil)

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Tenho a alegria de poder divulgar o encontro, cujas informações podem ser encontradas abaixo:

Evento Científico organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal de Mato Grosso em parceria com a Universidade de Reading-UK (http://www.reading.ac.uk/)

 Local: Anfiteatro da Universidade Federal de Mato Grosso – Campus de Rondonópolis

MESAS REDONDAS

 Dia 11/07/2018 às 19:30 hs

O Papel da Pesquisa Científica na Produção de Cidades Mais Sustentáveis

The Role of Scientific Research in the Production of Sustainable Cities

Palestrantes: Daniela Perroti – Reading-UK, Zhiwen Luo – Reading-UK; Jeater Santos – PPGEO/UFMT, Fábio Angeoletto – PPGEO/UFMT, Normandes Mattos – PPTEC; Ornela Iourio – Leeds-UK e Eugene Mohareb – Reading-UK 

Dia 12/07/2018 AS 19:30 hs

O Papel da Gestão Pública na Qualidade Ambiental de Rondonópolis-MT

             The Role of Public Management in the Environmental Quality of Rondonópolis-MT

Palestrantes: José Carlos Junqueira – Prefeito de Rondonópolis-MT, Nivea Calzolari – Secretária Municipal de Infraestrura, João Bohrer – Secretário Municipal de Meio Ambiente; Marco A. Souza –Ms em Geografia pelo PPGEO; Deleon S. Leandro –  Mestre em Geografia pelo PPGEO;

Apoio Institucional:

Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT – Brasil

University of Reading – UK (http://www.reading.ac.uk/)

University of Leeds – UK (https://www.leeds.ac.uk/)

Ministério Público Estadual de Mato Grosso

Juizado Volante Ambiental de Mato Grosso – JUVAM

Prefeitura Municipal de Rondonópolis

NOSSA JUVENTUDE

atlas da violencia

Hoje o Blog abre espaço para o relato do professor e amigo Ricardo Mariz, da Esquina do Pensamento. Ele é leitor do meu blog e eu, ouvinte do vlog dele. Vale a pena refletir sobre esse tema e números que ele trás sobre a nossa juventude.

E a nossa juventude? Vamos prosear um pouco sobre esse assunto? (https://www.youtube.com/watch?v=R_QV3suy8Pw)

Na Esquina do Pensamento de hoje quero conversar com você sobre a nossa juventude. Parece-me que podemos enveredar, pelo menos, por dois caminhos nessa prosa. Conversar da nossa fase da juventude, ou seja, da juventude que mora em nós e conversar sobre a juventude atual.

Sobre o primeiro rumo possível dessa prosa, lembro-me de uma conversa que tive um amigo no mês passado. Recordávamos os fatos que cercaram o assassinato do Padre Josimo Tavares, ligado à Comissão Pastoral da Terra, que atuava na região do Bico do Papagaio. Isso aconteceu em 1986 e foi marcante para nossa formação da juventude. No final da semana passada, conheci um professor de São Paulo que também comentava sobre as suas experiências da juventude e como elas se fazem presentes no seu dia-a-dia, na forma que ele percebe sua docência e seus compromissos. Na juventude, além de viver o que temos para viver, vamos de alguma forma moldando um jeito de viver a vida, quando adultos.

Isso me remete ao outro rumo dessa prosa. A nossa juventude de hoje. Nos últimos dias formam divulgados os dados do IPEA sobre o Atlas da Violência. Nos últimos 10 anos nós assassinamos no Brasil 324.967 jovens. Sobre esses jovens aniquilamos literalmente as possibilidades de futuro. Fazendo um cálculo com médias, assassinamos 32.497 jovens por ano no Brasil, 2.708 jovens por mês e 90 jovens por dia. Ou seja, hoje o país irá assassinar aproximadamente 90 dos seus jovens. Vale a pena acessar o relatório do Atlas (http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=33410:atlas-da-violencia-2018&catid=406:relatorio-institucional&directory=1). Nele você irá verificar que esses assassinatos têm cara, cor, gênero e endereço.

Quando unimos esses dados com algumas informações apresentadas pelo MEC em março deste ano, verificamos que estamos construindo uma espécie de bomba relógio: segundo o MEC, 791 mil jovens foram reprovados ou abandonaram a escola da primeira para segunda série no final de 2016. Possivelmente parte desses jovens também não foram absolvidos pelo mercado e, mais grave ainda, parte deles já estão compondo a lista dos 90 assassinados em média por dia.

Vamos ter uma conversa aqui entre adultos e adultas: o que nós estamos fazendo? Que oportunidades estamos construindo para jovens e como os jovens conseguem experimentar a juventude, como uma oportunidade de intervenção efetiva na sociedade e como um passo importante da sua formação da vida adulta.

Numa outra ponta dessa preocupação convivemos com um número crescente de suicídios de jovens que estão nas escolas ou nas universidades.  Que mensagens ou apelos moram nesses fatos?

Olha, todos nós temos vários desafios cotidianos. Em alguns momentos ficar em pé na roda da vida já parece muito, mas precisamos escutar as mensagens do nosso tempo e essas mensagens não estão possivelmente entre as dezenas que você recebe no seu celular, ao menos não estão ali, objetivamente colocadas. Nós não podemos resolver, mas podemos fazer muita coisa.

Lembro-me de uma história do galo que acordava cedo, cantava e o sol nascia. Com o tempo ele passou a acreditar que o canto dele fazia o sol nascer. Num dia ele acabou acordando mais tarde e verificou que o sol já havia nascido. Uma grande decepção! Resolveu não cantar mais. Se o canto dele não fazia o sol nascer, não valeria a pena cantar. O galo depressivo, não queria fazer nada. Depois de muita terapia, alguma medicação, o galo foi se dando conta que o canto dele não fazia o sol nascer, mas ficava mais bonito quando o sol nascia ladeado pelo seu canto. Pois bem, nós não fazemos o sol nascer. Nós não podemos tudo, mas podemos muito. A juventude que mora dentro de cada um de nós e a juventude do nosso país merece nada menos do que o melhor de cada um de nós.

Abração e até a próxima Esquina.

‘Enigma do trem’ fará você questionar a racionalidade de suas decisões

A BBC (British Broadcasting Corporation) em língua portuguesa  (https://www.bbc.com/portuguese) veio com essa maravilhosa “pérola” do qual compartilho. Aos meus olhos, um dos melhores post já compartilhado. Trata-se de um clássico dilema entre a filosofia e a sociologia mas que pode (e deve) ser aplicada em diferentes áreas.

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A situação é a complicada: um trem avança sem freios e está prestes a atropelar cinco pessoas que estão sobre a linha férrea. Você está ao lado da estrada, em frente a uma alavanca que, caso seja puxada, consegue desviar o trajeto da composição. No entanto, se você acionar o equipamento, o trem vai atropelar outra pessoa na linha ao lado.

Você tem dez segundos para tomar uma decisão. Se não fizer nada, cinco pessoas morrem. Se você puxar a alavanca, elas serão salvas, mas, como consequência, outra pessoa vai morrer. O que fazer?

Esse experimento, conhecido como “o dilema do trem”, é um cenário clássico entre filósofos e sociólogos – ele é usado para estudar o modo como tomamos decisões e para confrontar diferentes perspectivas sobre uma mesma situação.

Conflito ético

Por um lado, há quem acredite que o correto seria causar o menor dano possível, ou seja, a melhor opção seria puxar a alavanca para salvar mais vidas, mesmo que uma pessoa acabe morrendo.

Do outro lado, alguns argumentam que seria imoral intervir na situação, causando um dano que não ocorreria sem a interferência, mesmo que as intenções sejam boas.

A espiral de perguntas poderia ser infinita: salvar cinco pessoas é melhor que salvar apenas uma? É correto salvar cinco pessoas, mas matar uma que não estava correndo risco? Quem escolheu não puxar a alavanca, mudaria de opinião se fossem 100 pessoas a morrer e não apenas cinco?

Na prática

“Esse dilema é sobre o bem-estar do indivíduo em contraponto ao bem-estar de um grupo”, diz o sociólogo Dries Bostyn, da Universidade de Gante, na Bélgica.

Bostyn liderou uma equipe de pesquisadores que tentou aplicar na prática o dilema hipotético. Eles usaram um caso diferente, mas que segue a mesma lógica.

Para seu experimento, Bostyn reuniu um grupo de 300 voluntários que se dispuseram a enfrentar o problema.

Ele perguntou para uma parte deles: em uma jaula há cinco ratos e em outra apenas um. Com uma contagem regressiva de 20 segundos, caso o voluntário não faça nada, os cinco ratos vão sofrer um choque elétrico que causará dor. Se antes do tempo acabar, a pessoa apertar um botão, apenas um rato, que está em outra jaula, levará o choque.

Segundo o sociólogo, 66% dos voluntários disseram que apertariam o botão para que o rato solitário recebesse o choque, o que evitaria que o grupo de cinco sofresse. Outros 34% disseram que não fariam nada e, consequentemente, os cinco ratos receberiam a descarga.

Depois, os pesquisadores colocaram outro grupo de voluntários diante da situação real. O resultado foi divergente. Eles ficaram diante da gaiola com cinco roedores e da outra, com apenas um.

Entre as caixas, havia o botão para aplicar o choque (na realidade, ele não produzia choque elétrico de fato, mas os participantes foram levados a acreditar que sim). O cronômetro começava a avançar e as pessoas tinham que decidir o que fazer, rapidamente.

Neste caso, 84% dos voluntários apertaram o botão para salvar os cinco ratos. Somente 16% não fizeram nada para evitar o possível efeito – resultado diferente de quando o teste é aplicado apenas na teoria.

Mudança

Para Bostyn, esse resultado sugere que “o que as pessoas pensam não corresponde ao o que elas fazem na prática”.

Um dos resultados mais interessantes do teste, segundo os pesquisadores, foi o sentimento contraditório experimentado pelos participantes.

“Foi fascinante ver as pessoas que acharam ter tomado uma boa decisão e depois pediram desculpas por sua escolha’, diz Bostyn. “É uma questão muito interessante para estudar no futuro.”

O experimento de Bostyn ainda tem várias limitações, pois é difícil comparar a morte de um rato com a de um ser humano.

No futuro, o pesquisador pretende fazer um teste em que a mesma pessoa responde ao caso hipotético e, depois, é submetida à experiência real.

Voltando ao trem, você mudou de opinião?

Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44148808