Menos de 40% dos municípios brasileiros tem plano para habitação

habitação

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na semana passada a edição de 2017 do Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic) e, de acordo com o documento, menos da metade das cidades brasileiras não conta com nenhum planejamento estruturado para a questão habitacional. O relatório aponta que, no ano passado, dos 5.570 municípios do país, 59,6% tinham algum tipo de ação direcionada à moradia, mas apenas 39,7% tinham um Plano Municipal de Habitação.

O documento elabora pelo IBGE aponta também a presença de loteamentos irregulares e/ou clandestinos em 60,6% das cidades brasileiras, 17,2% das quais com presenta de favelas ou formas semelhantes de assentamento – um aumento de 18% em relação ao levantamento realizado em 2011, com especial foco na região Nordeste.

Em relação à ocupação de terrenos ou edifícios por movimentos sociais – dado nunca verificado nas edições anteriores do Munic -, verificou-se em 13% das cidades brasileiras (724, 332 apenas no Nordeste). A questão ganhou força, evidentemente, após o desabamento do edifício Wilson Paes de Almeida, no centro de São Paulo, que era ocupado por 455 pessoas de 171 famílias.

Das estratégias implementadas pelas prefeituras brasileiras, a mais frequente foi, segundo o documento, a construção de unidades habitacionais, em 61,1% dos municípios. Aparecem na sequência a concessão de aluguel social (41,0%), melhoria de unidades habitacionais (35,4%), regularização fundiária (32,8%), urbanização de assentamentos (31,9%), oferta de material de construção (31,2%), oferta de lotes (22,3%) e aquisição de unidades habitacionais (14,6%). Em comparação com o levantamento de 2011, todas as ações, com exceção da regularização fundiária, tiveram seus fundos orçamentários reduzidos.

Segundo o Munic de 2017, 3.319 municípios dispõem de um Conselho Municipal de Habitação, mas, assombrosamente, em apenas 1.680 destes o conselho havia se reunido pelo menos uma vez no ano que antecedeu o levantamento.

Referência Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas e IBGE

Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/898146/menos-de-40-percent-dos-municipios-brasileiros-nao-tem-plano-para-habitacao-diz-ibge?ad_medium=widget&ad_name=navigation-prev

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Sacolinha de amido de mandioca se dissolve na água quente evitando poluição

I am not a plastic

Plásticos, plásticos, plásticos.

O mundo está sufocado por plásticos.

Digitem plásticos no google e encontrarão próximo de 4 milhões de referencias. Digitem sacolas plástica e meio ambiente que esse número se aproxima de 500 mil referencias. Os microplásticos já chegaram nos dois pólos extremos da Terra e contaminam os oceanos (alguns pesquisadores consideram que o tamanho máximo do microplástico é de 1 milímetro, enquanto outros adotam a medida de 5 milímetros. O grande problema é que a grande quantidade de plástico nos oceanos, o microplástico altera a composição de certas partes dos oceanos, prejudicando o ecossistema da região e consequentemente a saúde humana).

Razão pela qual replico e compartilho uma solução “pé no chão” e fruto de uma cultura nossa, sem importação: sacolas ‘plásticas’ de amido de mandioca.

Eu não sou de plástico”, é assim que a sacolinha de amido de mandioca se apresenta. Desenvolvida pela Avani Eco, empresa de Bali, na Indonésia, ela é totalmente biodegradável, pode ser reciclada como papel e dissolve na água.

Por não ser tóxica, a sacola desaparece com um simples copo de água quente e depois pode até ser bebida. Além de contribuir para a diminuição da produção de produtos plásticos, o objeto não-tóxico também ajuda no consumo racional de água. A invenção é resultado do trabalho do biólogo Kevin Kumala.

O preço sugerido para comercialização é de R$ 1, por volta de 405 rupias indonésias. Mas para ser vendida é necessário que os pedidos atinjam a marca de pelo menos 5 mil unidades.

Para especialistas os debates sobre o uso do plástico serão os grandes protagonistas da primeira metade do século 21. Atingindo níveis preocupantes, o item está sendo banido em países europeus e também no Brasil. Recentemente o McDonald’s anunciou a substituição do canudinho de plástico pelo de papel em todas as unidades britânicas. No Rio de Janeiro uma lei prevê o banimento dos canudos em bares da capital fluminense.

Triste mesmo é saber que uma cultura nossa é muito mais valorizada e pesquisada em outros países do que a sua região mãe.

Fonte (para a parte em itálico): https://www.hypeness.com.br/2018/06/sacolinha-de-amido-de-mandioca-se-dissolve-na-agua-quente-evitando-poluicao/

Fonte (imagem): http://www.dive-damai.com/i-am-not-plastic/

Tribunais Superiores: a serviço de quem?Exposição revela detalhes do pouco conhecido “Tribunal de Hitler”

nazi

Setenta e três anos anos depois do fim da Segunda Guerra, pela primeira vez uma exposição traz detalhes do tribunal político instituído por Adolf Hitler, o chamado “Tribunal popular” (Volksgerichtshof), que, entre 1934 e 1945, proferiu mais de 15 mil sentenças, com 5.200 pessoas condenadas à morte. Segundo a curadora, Claudia Steur, o objetivo da mostra, que fica aberta até o fim de outubro em Berlim, é “causar consternação” por um capítulo terrível de injustiças que continuaram a acontecer mesmo depois de 1945. Poucos dos 577 juízes e promotores que fizeram parte dos tribunais foram punidos, e pelo menos metade seguiu a carreira com sucesso.

Um juiz, por exemplo, chegou a ser condenado a dez anos de prisão, mas foi absolvido em segunda instância. O presidente do tribunal popular, Roland Freisler, responsável pessoalmente por centenas de sentenças, morreu durante um bombardeio em fevereiro de 1945, um mês antes do fim da guerra. Andreas Nachama, diretor da Fundação Topografia do Terror, onde acontece a exposição, lembra que os juristas da era nazista conseguiram limpar sua imagem no pós-guerra, como se não tivessem apoiado de forma tão intensa o regime: “Quando a Segunda Guerra acabou, tinham entre 40 e 50 anos e fizeram carreira na Alemanha Ocidental”. Assim, quase todos viveram bem financeiramente. A viúva de Roland Freisler processou a Alemanha Ocidental para receber sua pensão, argumentando que, se o marido não tivesse morrido ao final da guerra, poderia ter apoiado a família com recursos. Já Hermann Reinecke, que trabalhou ao lado de Freisler em 185 sentenças de morte, foi considerado apenas um colaborador e ficou isento de culpa jurídica.

Antes de condenar as vítimas à morte, era comum que os juízes trabalhassem também na destruição psicológica dos réus. O ex-chanceler Helmut Schmidt, oficial da Wehrmacht que chegou a prestar serviços ao tribunal de Freisler, escreveu que a humilhação era parte do procedimento, “como se a morte não bastasse”. Anos mais tarde, esse mesmo oficial se tornou um dos chefes de governo mais queridos da Alemanha Ocidental. Os juízes usavam uma toga vermelha, e a sala do julgamento era decorada com faixas vermelhas e a cruz suástica, como revelam fotos e documentos. Em áudios originais de seus pronunciamentos, percebe-se que alguns, como Freisler, chegavam a imitar o estilo teatral de Hitler. O tribunal era um dos pilares do regime de opressão. Quando assumiu o poder, no final de janeiro de 1933, Hitler foi eleito por uma população fascinada com as suas promessas de prosperidade e grandeza da Alemanha e só aos poucos o regime do terror foi instaurado. A condenação à morte de apenas um dos supostos envolvidos no incêndio do Reichstag, o prédio do Parlamento, no início dos anos 1930, deixou o Führer furioso. A Justiça era influenciada pelo regime, mas não estava inteiramente tomada. Assim, o tribunal que deveria cuidar apenas dos casos de traição nacional foi fundado. Pouco depois, sua área de atuação foi ampliada: todos aqueles que eram considerados inimigos do regime eram condenados.

As vítimas eram presas, julgadas e executadas em tempo recorde, como foi o caso dos irmãos Hans e Sophie Scholl, que faziam parte do grupo de estudantes “Rosa branca”, de Munique, que distribuía folhetos com frases críticas ao regime. Freisler e seus ajudantes embarcaram para Munique, onde o julgamento foi acompanhado de muita propaganda e terminou em sentença de morte. Em julho de 1944, depois da mais importante tentativa de matar Hitler, o ministro da propaganda Joseph Goebbels escreveu em seu diário: “Mesmo aqueles que não tiveram uma posição clara devem ser condenados à morte”. Os julgamentos depois do atentado levaram à condenação de 50 pessoas à morte. Segundo Claudia Steur, o vermelho está presente em muitas partes da exposição não só porque esta era a cor da toga dos “juristas terríveis”, mas também porque o tom mostra ao visitante como o tribunal tornou-se um instrumento do terror que tinha o sangue das vítimas em suas mãos.

Nem só os juízes do tribunal popular tiveram pouca preocupação em ocultar seu passado depois da guerra. Hans Filbinger era juiz da Marinha e nazista tão convicto que no final da guerra continuou condenando à morte jovens que haviam desertado. Depois de 1945, ele chegou a ser governador do estado de Baden Württemberg e só renunciou quando, em 1972, seu passado nazista causou uma grande polêmica. Philipp Gassert, autor de uma biografia de Kurt Georg Kiesinger, o ex-nazista que foi chanceler nos anos 1960, lembra que depois da guerra havia um silêncio sobre o que cada um havia feito nos 12 anos de ditadura: “Com o movimento de 1968, os alemães começaram a debater o passado nazista dos seus pais”.

Fonte: http://alefnews.com.br/exposicao-revela-detalhes-do-pouco-conhecido-tribunal-de-hitler/

O enigma da lâmpada que funciona desde 1901

Vamos procurar trazer nessa matéria mais um curioso enigma: a da lâmpada que funciona desde 1901, publicada pela BBC (https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144).

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A Lâmpada Centenária, que ilumina uma unidade dos bombeiros na Califórnia (EUA) há 117 anos, tem mais de 1 milhão de horas de uso. Ela é uma lâmpada tão famosa que tem a própria página na internet, um perfil no Facebook e até uma câmera exclusiva que a filma dia e noite.

É a Lâmpada Centenária (Centennial Bulb, em inglês), que, segundo o Livro Guinness dos Recordes, é o foco de luz elétrica que há mais tempo está aceso em toda a história.

A lâmpada fica em uma unidade dos bombeiros na cidade de Livermore, na Califórnia (EUA). Ainda no século passado, em 1901, os bombeiros queriam manter iluminados seus alojamentos dia e noite para poderem responder com prontidão quando necessário. Decidiram, então, instalar uma lâmpada.

Ela foi doada por um empresário local e fabricada à mão por uma empresa pioneira no setor.

Décadas se passaram e, exceto breves cortes de energia e duas mudanças, a lâmpada continuou iluminando o ambiente.

Em 2001, quando completou um século, ganhou oficialmente o título de Lâmpada Centenária. E, no dia 18 de junho deste ano, completou 117 anos com mais de 1 milhão de horas de uso. E continua funcionando.

Estima-se que em 117 anos, a lâmpada ficou apagada por apenas 20 minutos

‘Operação translado’

Os bombeiros que instalaram a lâmpada no começo do século passado dividiam o escritório com a polícia. Quando ambos os departamento se mudaram, a lâmpada foi levada para a nova unidade.

Em 1976, quando o foco de luz já havia entrado para o Guinness, os bombeiros se mudaram novamente para outra sede.

As autoridades da Califórnia planejaram uma grande operação para cuidar da famosa lâmpada durante o translado.

Para começar, cortaram o cabo por temer que, ao desenroscá-la, poderiam quebrá-la. Depois, um caminhão dos bombeiros e a polícia escoltaram a lâmpada até o novo lugar: a estação número 6 dos bombeiros, onde, ainda hoje, continua iluminando.

Segundo os registros, ela só ficou apagada por um total de 22 minutos, quando foi transferida – e nunca passou um dia inteiro sem funcionar.

Os filamentos da lâmpada que funciona desde 1901 são oito vezes mais grossos que os das lâmpadas comercializadas atualmente

Do que é feita a lâmpada que não apaga

A lâmpada centenária foi feita à mão em 1897 pela Shelby Eletronic Company, empresa que já não existe mais. O fundador da empresa, Adolphe Chaillet, era um dos rivais do famoso inventor Thomas Edison.

A lâmpada de Chaillet que entrou para a história mede oito centímetros e tem uma forma mais arredondada que as lâmpadas modernas. Acredita-se que, originalmente, era uma lâmpada de 30 watts. Com o tempo, contudo, enfraqueceu. Atualmente emite uma luz tênue, de aproximadamente 4 watts.

Um ponto considerado chave para explicar por que a lâmpada ainda emite luz está em seu interior. Em 2007, a física Debora Katz, da Academia Naval dos EUA, analisou outras lâmpadas da mesma coleção que a Centenária – que não pode ser trocada pelo receio de que quebre. Ela descobriu duas diferenças significativas em relação às lâmpadas comercializadas atualmente.

Em primeiro lugar, o filamento é oito vezes mais grosso que o de uma lâmpada moderna. Em segundo, que esse filamento, possivelmente feito de carbono, é semicondutor. Assim, quando a lâmpada esquenta, os filamentos se convertem em um condutor mais potente – em contraste com o comportamento de filamentos atuais, que perdem potência quando esquentam.

Teoria da conspiração

Os especialistas também assinalam que, ironicamente, o fato de estar presa no mesmo soquete e jamais ter sido apagada também pode contribuir com a sua longevidade.

O desgaste em acender e apagar lâmpadas incandescentes é maior do que quando ela permanece acesa continuamente. Isso acontece porque os filamentos aquecem e esfriam, fazendo com que o material dilate e contraia, o que provoca o surgimento de microfissuras e reduz a vida útil das lâmpadas.

Apesar dessas explicações, tanto Katz quanto outros especialistas reconhecem que há um certo mistério no fato de a lâmpada estar funcionando há tanto tempo.

Quando os bombeiros mudaram de sede, cortaram o fio da lâmpada, com receio de que ela quebrasse ao ser desenroscada do soquete.

Em 2010, um documentário espanhol sugeriu uma polêmica explicação.

O filme A Conspiração da Lâmpada de Luz (The Light Bulb Conspiracy, em inglês), que em espanhol levou o nome de Comprar, tirar, comprar, afirma que a Lâmpada Centenária seria uma prova do que chamou de “obsolescência programada”.

Trata-se da teoria de que produtos são feitos com uma vida útil limitada, para fomentar o consumo. Segundo a documentarista Cosima Dannoritzer, enquanto inventores como Chaillet aspiravam criar lâmpadas de longa duração, um acordo secreto de fabricantes firmado em 1924 teria resultado na decisão de limitar a vida útil dos produtos.

Atualmente, as lâmpadas de LED duram de 25 mil a 50 mil horas. Já as fluorescentes têm vida útil de 6 mil horas e as incandescentes de 1 mil horas.

Em meio à polêmica assinalada pelo filme, a Lâmpada Centenária já dura mil vezes mais do que isso e chega, neste ano, à mesma idade da pessoa mais velha do mundo – Nabi Tajima, mais conhecida como Chiyo Miyako, do Japão, que completou 117 anos este ano, mas que já veio a falecer (https://g1.globo.com/mundo/noticia/morre-no-japao-a-pessoa-mais-velha-do-mundo-aos-117-anos.ghtml).

Fontes: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44612144; http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2018/06/27/144442-o-enigma-da-lampada-que-funciona-desde-1901.html

Novo tipo de fotossíntese é descoberto

fotossintese

Todo leitor dessa matéria, independentemente de área, formação ou idade um dia já estudou a equação da fotossíntese:

6 CO2+ 2 H2A     CH2O + H2O + 2 A

Essa equação mostra que H2A pode ser a água (H2O) ou o sulfeto de hidrogênio (H2S) e evidencia que, se for água ela é a fonte de oxigênio na fotossíntese.

O que nós estamos querendo compartilhar nessa materia de hoje é que um novo estudo conduzido por pesquisadores do Imperial College London (Reino Unido) mudou nossa compreensão do mecanismo básico da fotossíntese e deve reescrever os livros didáticos.

A grande maioria da vida na Terra usa luz vermelha visível para realizar o processo de fotossíntese, mas os cientistas descobriram um novo tipo de fotossíntese que usa luz infravermelha próxima.

Essa forma alternativa foi detectada em uma ampla gama de cianobactérias (algas verde-azuladas) quando crescem em luz infravermelha, como em condições sombreadas encontradas em Yellowstone nos EUA e em rochas de praia na Austrália.

A descoberta também pode moldar a forma como procuramos por vida alienígena e fornecer insights sobre como podemos projetar culturas agrícolas mais eficientes que aproveitam os comprimentos de onda mais longos da luz.

Limite vermelho

O tipo de fotossíntese padrão e quase universal usa o pigmento verde, clorofila-a, tanto para coletar luz quanto para usar sua energia para produzir bioquímicos e oxigênio úteis. A maneira como a clorofila-a absorve a luz significa que apenas a energia da luz vermelha pode ser usada para a fotossíntese.

Como a clorofila-a está presente em todas as plantas, algas e cianobactérias que conhecemos, era de ampla aceitação que a energia da luz vermelha estabelecia uma espécie de “limite vermelho” para a fotossíntese, isto é, a quantidade mínima de energia necessária para fazer a química que produz oxigênio.

O limite vermelho é inclusive usado em astrobiologia para julgar se a vida complexa poderia ter evoluído em planetas em outros sistemas solares.

No entanto, quando algumas cianobactérias são cultivadas sob luz infravermelha, os sistemas padrão contendo clorofila-a são desativados e diferentes sistemas contendo um tipo diferente de clorofila, clorofila-f, assumem o controle.

Além do limite vermelho

Até agora, pensava-se que a clorofila-f apenas colhesse a luz. A nova pesquisa mostra que, em vez disso, a clorofila-f desempenha um papel fundamental na fotossíntese sob condições sombreadas, usando luz infravermelha de baixa energia para fazer a química complexa. Esta é a fotossíntese “além do limite vermelho”.

“A nova forma de fotossíntese nos fez repensar o que pensávamos ser possível. Também muda a forma como entendemos os principais eventos no coração da fotossíntese padrão”, disse um dos principais pesquisadores do estudo, Bill Rutherford, do Departamento de Ciências da Vida no Imperial College London.

No novo tipo de fotossíntese, mais detalhes puderam ser observados e muitas clorofilas denominadas “acessórias” foram vistas realmente realizando a etapa crucial da química. Isso indica que esse padrão pode valer para os outros tipos de fotossíntese, o que mudaria a visão de como funciona até mesmo a forma dominante de fotossíntese.

Anteriormente, a cianobactéria Acaryochloris já era conhecida por fazer fotossíntese além do limite vermelho. No entanto, porque este tipo parecia ocorrer apenas nesta espécie, com um habitat muito específico, foi considerado uma “exceção”. A Acaryochloris vive debaixo de animais marinhos que passam a maior parte da vida anexados a superfícies como rochas e docas, e isso bloqueia a maior parte da luz que recebe, exceto pelo infravermelho próximo.

A fotossíntese baseada em clorofila-f relatada pelos pesquisadores neste estudo representa um terceiro tipo de fotossíntese que é bem mais difundido.

No entanto, é usado apenas em condições especiais sombreadas ricas em infravermelho; em condições normais de luz, a forma padrão de fotossíntese é usada.

Culturas mais eficientes

Até agora, os cientistas pensavam que os danos causados pela luz seriam mais severos além do limite vermelho, mas o novo estudo mostrou que não é um problema em ambientes estáveis e sombreados.

Isso muda a nossa compreensão dos requisitos de energia da fotossíntese, e pode ser útil para pesquisadores que tentam projetar culturas para realizar fotossíntese mais eficiente usando uma faixa mais ampla de luz.

Como essas cianobactérias se protegem de danos causados por variações no brilho da luz pode ajudar os cientistas a descobrir o que é possível projetar nas plantas cultivadas.

A descoberta foi publicada na prestigiada revista Science (http://www.sciencemag.org/).

Fonte: Natasha Romanzoti, Hypescience, https://hypescience.com/novo-tipo-de-fotossintese-e-descoberto/; http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2018/06/16/144246-novo-tipo-de-fotossintese-e-descoberto.html

Qual o impacto da primeira Rua Completa em São Paulo?

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Primeiro necessitamos buscar entender o conceito do que significa RUA COMPLETA de alguma área urbana. Essa é a palavra chave que deve balizar essa leitura.

O conceito de Ruas Completas ganhou visibilidade nos últimos anos e chegou ao Brasil trazendo a visão de que ruas devem ser planejadas, projetadas, operadas e mantidas para permitir deslocamentos seguros, convenientes e confortáveis para todos os usuários, independente de sua idade, habilidades ou meio de transporte.

Dentro do programa da Rede Nacional para a Mobilidade de Baixo Carbono , a cidade de São Paulo foi a primeira das onze cidades a receber um projeto de Rua Completa na Rua Joel Carlos Borges. A intervenção é fruto da parceria entre WRI Brasil e Frente Nacional de Prefeitos (FNP), com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), e teve início em 2014 com o lançamento do Concurso 3 Estações, organizado pelo WRI Brasil em parceria com o USP Cidades, que convidou arquitetos e urbanistas a desenvolverem ideias para qualificar o entorno de três estações de trem de São Paulo: Berrini, Vila Olímpia e Santo Amaro. A proposta vencedora para o entorno da Berrini foi desenvolvida pela Urb-i e parte dela foi implementada em 2017 como parte do programa, que visa disseminar boas práticas em mobilidade urbana.

A primeira fase do projeto de intervenção contemplou o redesenho da via para aumentar a segurança de quem caminha: o espaço destinado para a circulação de pedestres foi ampliado através da pintura de faixas verdes no leito carroçável e contou com a instalação de balizadores, sinalização e redução do limite máximo de velocidade dos veículos motorizados.

Dado o caráter inédito da iniciativa de Rua Completa em São Paulo, foram coletados diversos dados do antes e depois da intervenção para avaliação do impacto das ações implementadas e definição de diretrizes de projeto para futuras ações na Rua Joel Carlos Borges e em outras vias a serem requalificadas pelo Brasil dentro do programa. Em abril de 2014, foi realizado um levantamento de dados base da Rua Joel Carlos Borges e da Rua Sansão Alves dos Santos (entorno próximo) e, após a implementação parcial do projeto em 2017, a Cidade Ativa foi convidada a elaborar uma nova pesquisa. Foram realizadas medições de fluxo de pedestres e veículos, mapeamento das atividades de permanência de pedestres (que revela como os usuários se apropriam do espaço) e avaliação de critérios sensoriais relativos à experiência do pedestre.

A comparação dos dados base com os atuais permite compreender, de maneira geral, se a intervenção teve algum impacto no fluxo de pedestres e veículos. Os gráficos com a comparação entre esses dois cenários revelam que não houveram grandes mudanças nos fluxos da Rua Joel Carlos Borges, mantendo-se uma proporção bem maior de pedestres em relação a veículos, cerca de 20 vezes.

Fonte: https://www.archdaily.com.br/br/896600/qual-o-impacto-da-primeira-rua-completa-em-sao-paulo?utm_medium=email&utm_source=ArchDaily%20Brasil&kth=830,995

 

NOSSA JUVENTUDE

atlas da violencia

Hoje o Blog abre espaço para o relato do professor e amigo Ricardo Mariz, da Esquina do Pensamento. Ele é leitor do meu blog e eu, ouvinte do vlog dele. Vale a pena refletir sobre esse tema e números que ele trás sobre a nossa juventude.

E a nossa juventude? Vamos prosear um pouco sobre esse assunto? (https://www.youtube.com/watch?v=R_QV3suy8Pw)

Na Esquina do Pensamento de hoje quero conversar com você sobre a nossa juventude. Parece-me que podemos enveredar, pelo menos, por dois caminhos nessa prosa. Conversar da nossa fase da juventude, ou seja, da juventude que mora em nós e conversar sobre a juventude atual.

Sobre o primeiro rumo possível dessa prosa, lembro-me de uma conversa que tive um amigo no mês passado. Recordávamos os fatos que cercaram o assassinato do Padre Josimo Tavares, ligado à Comissão Pastoral da Terra, que atuava na região do Bico do Papagaio. Isso aconteceu em 1986 e foi marcante para nossa formação da juventude. No final da semana passada, conheci um professor de São Paulo que também comentava sobre as suas experiências da juventude e como elas se fazem presentes no seu dia-a-dia, na forma que ele percebe sua docência e seus compromissos. Na juventude, além de viver o que temos para viver, vamos de alguma forma moldando um jeito de viver a vida, quando adultos.

Isso me remete ao outro rumo dessa prosa. A nossa juventude de hoje. Nos últimos dias formam divulgados os dados do IPEA sobre o Atlas da Violência. Nos últimos 10 anos nós assassinamos no Brasil 324.967 jovens. Sobre esses jovens aniquilamos literalmente as possibilidades de futuro. Fazendo um cálculo com médias, assassinamos 32.497 jovens por ano no Brasil, 2.708 jovens por mês e 90 jovens por dia. Ou seja, hoje o país irá assassinar aproximadamente 90 dos seus jovens. Vale a pena acessar o relatório do Atlas (http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=33410:atlas-da-violencia-2018&catid=406:relatorio-institucional&directory=1). Nele você irá verificar que esses assassinatos têm cara, cor, gênero e endereço.

Quando unimos esses dados com algumas informações apresentadas pelo MEC em março deste ano, verificamos que estamos construindo uma espécie de bomba relógio: segundo o MEC, 791 mil jovens foram reprovados ou abandonaram a escola da primeira para segunda série no final de 2016. Possivelmente parte desses jovens também não foram absolvidos pelo mercado e, mais grave ainda, parte deles já estão compondo a lista dos 90 assassinados em média por dia.

Vamos ter uma conversa aqui entre adultos e adultas: o que nós estamos fazendo? Que oportunidades estamos construindo para jovens e como os jovens conseguem experimentar a juventude, como uma oportunidade de intervenção efetiva na sociedade e como um passo importante da sua formação da vida adulta.

Numa outra ponta dessa preocupação convivemos com um número crescente de suicídios de jovens que estão nas escolas ou nas universidades.  Que mensagens ou apelos moram nesses fatos?

Olha, todos nós temos vários desafios cotidianos. Em alguns momentos ficar em pé na roda da vida já parece muito, mas precisamos escutar as mensagens do nosso tempo e essas mensagens não estão possivelmente entre as dezenas que você recebe no seu celular, ao menos não estão ali, objetivamente colocadas. Nós não podemos resolver, mas podemos fazer muita coisa.

Lembro-me de uma história do galo que acordava cedo, cantava e o sol nascia. Com o tempo ele passou a acreditar que o canto dele fazia o sol nascer. Num dia ele acabou acordando mais tarde e verificou que o sol já havia nascido. Uma grande decepção! Resolveu não cantar mais. Se o canto dele não fazia o sol nascer, não valeria a pena cantar. O galo depressivo, não queria fazer nada. Depois de muita terapia, alguma medicação, o galo foi se dando conta que o canto dele não fazia o sol nascer, mas ficava mais bonito quando o sol nascia ladeado pelo seu canto. Pois bem, nós não fazemos o sol nascer. Nós não podemos tudo, mas podemos muito. A juventude que mora dentro de cada um de nós e a juventude do nosso país merece nada menos do que o melhor de cada um de nós.

Abração e até a próxima Esquina.