Sobre armas automáticas, natureza, araras e pokémons

araras azuis

Vamos mais uma vez vamos trazer e compartilhar a reflexão do Fábio Angeoletto, amigo, professor e pesquisador da UFMT.

Atualmente vivemos um paradoxo: enquanto que as sociedades tornam-se mais e mais tecnologicamente sofisticadas, elas também quedam crescentemente mais ignorantes, do ponto de vista biológico. Estamos fracassando em prover as pessoas de alfabetização ambiental. Não por acaso, um norte-americano mediano consegue identificar centenas de logotipos de corporações empresariais, mas é incapaz de identificar mais do que 10 espécies da flora nativa do seu entorno, mesmo que por seus nomes populares.

Crianças inglesas de 4 a 11 anos de idade conseguem identificar mais personagens do videogame Pokémon do que espécies da flora e fauna britânicas. Esse analfabetismo ambiental atravessa gerações: metade dos adultos britânicos é incapaz de identificar o onipresente pardal, essa avezinha tão comum nas cidades de ambos os hemisférios.

O botânico Peter H. Raven cunhou a expressão “cegueira vegetal”, para se referir às pessoas – a maioria de nós – que mal notam as plantas, e são incapazes de identificá-las. Raven, em entrevista ao jornal “The New York Times”, declarou não ser incomum que as pessoas não estejam certas sequer de que as plantas são seres vivos.

Vejamos aqui no Brasil, um exemplo de Rondonópolis (MT), uma cidade ainda de cunho rural: uma menina de sete anos perguntou à sua tia (estudante da UFMT) “se as galinhas realmente existem”. Ela só conhece a carne de frango e os nuggets.

Como enfatizaram os ecólogos James R. Miller e Robert Pyle “a ignorância coletiva redunda em indiferença coletiva”.

A bióloga Kathryn L. Hand e colaboradores publicaram recentemente um artigo onde defendem a importância dos quintais como um espaço importante de conexão com a natureza para crianças e adultos. No artigo, intitulado “The importance of urban gardens in supporting children’s biophilia”, os autores corretamente argumentam sobre os benefícios significativos que redundam da exposição e conexão com a natureza. Nas cidades, onde o acesso à vida silvestre nem sempre é fácil, os quintais podem proporcionar esse contato. Por outro lado, os autores lamentam as diferenças na biodiversidade de quintais de famílias de nível socioeconômico mais elevado, e na escassez ou ausência de verde nos quintais dos mais pobres. Hand e seus colegas também exprimem preocupação em relação ao declínio da área dos quintais, uma tendência no estabelecimento de novos bairros.

Eu analisei essas mesmas questões, relativas aos quintais de cidades brasileiras, no artigo “En Maringá el césped del vecino es más verde”, publicado na Revista Rua, da Unicamp. Lamentavelmente, nas cidades brasileiras os quintais são “invisíveis”: pouco ou nada se sabe a respeito de suas características (área média, espécies vegetais existentes) e sobre as famílias que manejam essa vegetação. Mas o potencial dos quintais para a conservação da biodiversidade é imenso.

Ainda em Rondonópolis, com a proposta de “virar a própria mesa”, o “Projeto Araras Urbanas” está mapeando quintais (e outros espaços) que abrigam ninhos de araras-canindé (Ara ararauna), com filhotes. O projeto é desenvolvido pelo meu orientando no Mestrado em Geografia da UFMT, o biólogo João F. C. Bohrer, com o apoio técnico do Instituto Arara Azul e do Grupo de Pesquisas em Biologia Evolutiva e da Conservação, da Universidade Complutense de Madri.

Nosso principal objetivo é gerar dados sobre a biologia das araras na mancha urbana. Convidamos todos os moradores de Rondonópolis a participarem do projeto como cientistas cidadãos, nos informando sobre a presença de araras nos seus bairros. Para isto criamos o grupo de WhatsApp ARARAS URBANAS ROO: 66 – 996 423 528.

Amigos das araras, por favor, unam-se e divulguem esse grupo!

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BNDES LANÇA PRÊMIO PARA VALORIZAR PRÁTICAS AGRÍCOLAS TRADICIONAIS DO BRASIL

BNDES

Objetivo é ajudar os sistemas agrícolas tradicionais brasileiros a concorrerem a título internacional de reconhecimento da FAO

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou no último dia 12, uma iniciativa que irá contribuir para que as práticas de agricultura tradicional do Brasil concorram, pela primeira vez, a um importante reconhecimento internacional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Em parceria com a FAO, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), será anunciado, em cerimônia no 6º Congresso Latino-Americano de Agroecologia (Agroecologia 2017), em Brasília, o Prêmio BNDES de Boas Práticas para Sistemas Agrícolas Tradicionais.

Até quinze Sistemas Agrícolas Tradicionais (SATs) brasileiros receberão prêmios em dinheiro, capacitação da Embrapa e orientação para se candidatarem a receber o título de “Sistema Agrícola Tradicional Globalmente Importante” (Globally Important Agricultural Heritage System, GIAHS).

A FAO já concedeu o título de GIAHS a 36 sistemas agrícolas históricos de 17 países, mas o Brasil ainda não foi contemplado. Os países que já têm GIAHS são Chile, Peru, México, Argélia, Irã, Marrocos, Tunísia, Emirados Árabes Unidos, Egito, Quênia, Tanzânia, Filipinas, China, Bangladesh, Índia, Japão e Coreia do Sul.

Um Sistema Agrícola Tradicional é definido como um conjunto de elementos que inclui saberes, mitos, formas de organização social, práticas, produtos, técnicas/artefatos e outras manifestações associadas. Eles formam sistemas culturais que envolvem espaços, práticas alimentares e agroecossistemas manejados por povos e comunidades tradicionais e por agricultores familiares. Os SATs integram o patrimônio cultural imaterial das comunidades que os praticam.

Para essa iniciativa, o BNDES disponibilizará recursos de seu Fundo Social para dar prêmios de R$ 70 mil a 5 SATs, e R$ 50 mil a outros 10 SATs. Além disso, todos os premiados receberão uma ajuda de R$ 5 mil para participar cerimônia de premiação, que contará com um Evento de Capacitação da Embrapa, para ajudar as comunidades a manter suas tradições agrícolas.

De acordo com o Relatório sobre o Estado dos Recursos Genéticos de Plantas do Mundo, apresentado durante a 4ª Conferência Técnica Internacional sobre os Recursos Fitogenéticos, realizada em 1996 em Leipzig, na Alemanha, nos últimos 100 anos agricultores de todo o mundo perderam entre 90% e 95% de suas variedades e práticas agrícolas.

Veja as regras do Prêmio BNDES de Boas Práticas para Sistemas Agrícolas Tradicionais.

Fonte: https://www.bndes.gov.br/wps/portal/site/home/imprensa/noticias/conteudo/bndes-lan-a-pr-mio-para-valorizar-pr-ticas-agr-colas-tradicionais-do-brasil

BRASIL CONSTRÓI SUA 1ª CIDADE 100% INTELIGENTE E SUSTENTÁVEL (IDEALIZADA PARA A POPULAÇÃO DE BAIXA RENDA)

Croatá

Parece uma notícia fake mas não é! o Jornal Comunicação e Informação da FAO, Número 204,  28 de Agosto a 01 de Setembro de 2017 (http://boaspraticas.org.br/index.php/pt/informativo-fao-brasil) nos brinda com essa boa matéria.

Ela está chegando e já tem até nome: Croatá Laguna EcoPark. Trata-se da primeira cidade 100% inteligente e sustentável a ser construída no Brasil, com apoio das companhias italianas Planeta Idea e SocialFare e da StarTAU, nome do Centro de Empreendedorismo da Universidade de Tel Aviv, em Israel.

As três empresas israelenses que participarão são Magos, fabricante de radares para segurança, GreenIQ​­, sistema que controla a irrigação com base na previsão do tempo, economizando até 50% de água, e Pixtier, plataforma em nuvem que fornece mapas em 3D, permitindo planejamento e gerenciamento eficientes das cidades.

A ideia da smart city social insere-se em um contexto internacional que identifica, sobretudo nos países emergentes, dois fenômenos: 1) os fluxos migratórios dos campos levarão a população que vive nas cidades dos atuais 50% a um percentual de 80% nos próximos 25 anos; 2) 27% da população mundial têm menos de 15 anos. Isso quer dizer que, nos próximos anos, essas pessoas entrarão para o mercado de trabalho e precisarão de casas e serviços. “Essa tipologia de cidade nasce para gerir de forma ordenada tais fluxos com serviços inovadores”, disse Gianni Savio, diretor geral da Planet Idea, à revista Comunità Italiana.

O empreendimento está sendo erguido no Ceará e deve se tornar referência para outros municípios do Brasil, assim que for inaugurado (ainda em 2017, segundo prometem os envolvidos no projeto).

Em sua primeira fase, a cidade contará com espaço residencial para 150 casas, além de um porto (que até 2025 deve ser o segundo maior do Brasil!) e áreas destinadas ao lazer, comércio, serviços públicos e indústria. Entre outros benefícios, o empreendimento terá: corredores verdes ao longo de toda a cidade, ciclovias de ponta a ponta do município, tratamento de águas residuais, aproveitamento de águas pluviais, coleta inteligente de resíduos, produção de energia solar e eólicapraças com equipamentos esportivos que geram energia por meio dos movimentos dos cidadãos; monitoramento da qualidade do ar e da água; redes inteligentes de eletricidade e água; iluminação pública inteligente; aplicativos para serviços de mobilidade compartilhada, como carros, motos e bikes; hortas compartilhadas espalhadas por toda a cidade; infraestrutura digital com wi-fi grátis para todos os moradores.

E mais: a população poderá saber tudo o que acontece na cidade, em tempo real, por meio de aplicativo, que funciona como uma espécie de painel de controle do Croatá Laguna EcoPark.

Uma casa por lá custará cerca de R$ 24.300, segundo os idealizadores, que podem ser pagos em até 120 vezes, exatamente para ser uma alternativa à população de baixa renda. 

FonteDébora Spitzcovsky / Mundo

Fontehttp://www.conib.org.br/noticias/3222/israelenses-ajudam-a-construir-no-cear-a-primeira-cidade-inteligente-para-populao-de-baixa-renda

Edital lança R$ 10 milhões para compostagem

compostagem

O Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) e o Fundo Socioambiental (FSA) da Caixa lançaram, nesta terça-feira (12/09), edital de apoio a projetos de compostagem em municípios ou consórcios públicos intermunicipais que atuem na gestão de resíduos sólidos. No total, serão R$ 10 milhões para projetos no valor mínimo R$ 500 mil e máximo de até R$ 1 milhão.

“Pela primeira vez, teremos um edital específico para os municípios tratarem a fração orgânica dos resíduos, alinhados com a Política Nacional de Resíduos Sólidos”, destacou o secretário-executivo do MMA, Marcelo Cruz. Segundo o secretário de Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do ministério, Jair Tannús, o principal parceiro do FNMA é o Fundo Socioambiental da Caixa. “O compromisso da Caixa com a sustentabilidade já rendeu investimentos de R$ 54 milhões em projetos ambientais com o MMA”, afirmou Osvaldo Bruno Cavalcante, diretor-executivo da Caixa.

As propostas poderão ser apresentadas, até o dia 11 de outubro, por municípios ou consórcios públicos intermunicipais em todo o território nacional que atuem na gestão de resíduos sólidos. Interessados podem participar de evento de capacitação de proponentes que será oferecido pela FSA da Caixa em parceria com o FNMA no dia 27 de setembro, das 9h às 18h. Poderão participar até dois representantes por instituição. Para se inscrever, basta enviar um e-mail para o endereço eletrônico fnma@mma.gov.br com o assunto: Capacitação Edital 01/2017. O curso será no Edifício Marie Prendi, na 505 Norte, em Brasília.

Compostagem – A compostagem é uma alternativa tecnológica de reciclagem de resíduos orgânicos ainda pouco explorada no Brasil. Por ser um processo relativamente simples e com vasta gama de aplicações, desde a escala domiciliar até a escala industrial, são diversas as possibilidades de políticas públicas que promovam esta prática e reduzam a quantidade de resíduos orgânicos enviados para disposição final.

A segregação na fonte dos resíduos em três frações (orgânicos, recicláveis secos e rejeitos) tem se mostrado uma prática de gestão muito eficiente e salutar para garantir a produção de composto de boa qualidade, boa aceitação por agricultores e baixíssimo risco de contaminação. A associação da prática de compostagem com a promoção do uso do composto, em projetos de agricultura urbana e periurbana ou de apoio à agricultura familiar, também é exemplo de sucesso na garantia da continuidade desta prática, fechando o ciclo da gestão dos resíduos orgânicos.

Fonte: MMA // http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2017/09/13/138668-edital-lanca-r-10-milhoes-para-compostagem.html

Carros levam 30% dos passageiros, mas correspondem a 73% da poluição atmosférica

trânsito

A necessidade de repensarmos mobilidade urbana e uso de veículo!

Em grande parte das cidades do Brasil e do mundo, ainda observa-se a preferência pelo uso do automóvel particular em detrimento do transporte coletivo, o que gera impactos não apenas no trânsito das cidades, como também na qualidade do ar e no aquecimento global.

Uma análise inédita realizada pelo jornal Estadão sobre a contribuição de cada modal de transporte nas emissões de poluentes revela que os automóveis são os responsáveis por 72,6% dos gases de efeito estufa emitidos pelo setor de transporte, embora correspondam ao deslocamento de apenas 30% dos contingente de passageiros.

A pesquisa mostra o impacto da escolha do transporte individual em diferentes indicadores. Por exemplo, o total de carros e o total de ônibus transportam volume semelhante de pessoas na cidade (cerca de 30% e 40%, respectivamente), segundo Pesquisa Origem e Destino. Entretanto, segundo os cálculos do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), os veículos particulares ocupam 88% do espaço das vias, enquanto que os ônibus ocupam apenas 3% deste mesmo espaço.

“É bastante chocante quando se juntam todos esses números. Temos mais de 70% das emissões de gases estufa para transportar 1/3 dos passageiros, ocupando quase 90% do território da cidade”, afirma o pesquisador David Tsai. “É uma ineficiência tanto pelo uso do espaço público quanto pelo consumo de energia”, diz.

Leia a matéria completa na página do Estadão.

Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/873068/carros-levam-30-percent-dos-passageiros-mas-correspondem-a-73-percent-da-poluicao-atmosferica?utm_medium=email&utm_source=ArchDaily%20Brasil

Doutorado COM BOLSA na Europa! A quem interessar possa!

Caros amigos e leitores do Blog, o Dr. Martin Hromada, da Universidade de Presov, Eslováquia, está buscando estudantes para dois projetos de tese doutoral, COM BOLSA:
 
Um, sobre ecologia evolutiva  humana – e neste caso, preferencialmente, ele busca candidatos da América Latina. 
 
O outro é sobre ectoparasitas de aves.
 
E-mail do professor Martin: hromada.martin@gmail.com
 
Página no Research Gate do professor Martin: https://www.researchgate.net/profile/Martin_Hromada
Ajudem a divulgar.
Frederico

RE-NATURALIZANDO AS CIDADES

re-cidades

Experts britânicos e brasileiros reuniram-se em Goiânia (GO)

Replico aqui a matéria escrita pelo professor e amigo Fábio Angeoletto, sobre a sua experiência vivida no Re-Naturing Cities, junto com outras autoridades mundiais no assunto.

As Universidades de Portsmouth e Federal de Goiás, com financiamento do British Council, do Newton Fund e da Fapeg, promoveram no início do mês de julho a oficina internacional “Re-Naturing Cities: Theories, Strategies and Methodologies”.

Centenas de profissionais britânicos e brasileiros candidataram-se as 40 vagas oferecidas a experts em ecologia e planejamento urbano. Vinte doutores de cada nação foram selecionados, e viajaram a Goiânia com todas as despesas pagas. O objetivo principal da oficina – plenamente atingido – foi a criação de redes de pesquisa binacionais, para estudos conjuntos objetivando a “re-naturalização” das cidades.

Angeoletto foi um dos brasileiros selecionados pela organização do evento, e durante os quatro dias da oficina, apresentou os resultados do projeto “Biodiversidade Urbana de Rondonópolis”, além de assistir a dezenas de apresentações mui interessantes. Por exemplo, Fabiano Lemes defendeu a ideia das “cunhas verdes”, que são dutos de espaços verdes que se originam no campo e convergem para o centro das cidades. Daniela Perrotti explanou sobre a metodologia para o cálculo do metabolismo urbano, e de como essas mensurações podem ser aplicadas no planejamento. Heather Rumble apresentou o resultados de suas pesquisas sobre telhados verdes.

Também merecem destaque cientistas como Silvio Caputo, o qual demonstrou técnicas alternativas para práticas de agricultura urbana, como canteiros sobre rodas. Mark Goddard apresentou alguns resultados de pesquisas da UrBioNet, uma rede global de ecólogos urbanos cujo objetivo é promover estudos sobre biodiversidade urbana. Stuart Connop apresentou resultados do Projeto TURAS, acrônimo para “Transição para a Resiliência Urbana e a Sustentabilidade”. Jamie Anderson e Lynette Robertson demonstraram a importância das infraestruturas verdes urbanas para a promoção da saúde humana (inclusive a saúde mental). Caroline Nash dissertou sobre o conceito de Ecomímica: a criação de habitats urbanos que mimetizem aqueles presentes em ambientes prístinos, atraindo a fauna.

O evento congregou profissionais das mais diversas formações: biólogos, geógrafos, arquitetos, sociólogos, economistas, urbanistas e cientistas ambientais. Os organizadores pretenderam, e alcançaram a realização de um evento interdisciplinar. E não poderia ser diferente: a cidade, fenômeno multifatorial e extremamente complexo, precisa aglutinar diferentes habilidades e saberes, para o equacionamento dos seus múltiplos desafios ambientais. É uma lástima que nas universidades brasileiras a interdisciplinaridade seja apenas um discurso politicamente correto. Ao contrário: os departamentos não interagem entre si, principalmente aqueles dominados por uma velha guarda mofada, que se debruça sobre o mundo de hoje com a mentalidade de professores do século 19. Eventos como o “Re-Naturing Cities” deveriam ser a norma no cotidiano universitário.

A expressão “Re-Naturing Cities” é na verdade um convite à reflexão. De fato, as cidades não são a antítese da natureza. O filósofo britânico John N. Gray resumiu com maestria o lugar das cidades na biosfera, ao defini-las como “não mais artificiais do que colmeias de abelhas.” Sem embargo, o caráter ecossistêmico heterotrófico das cidades é uma evidência óbvia de como precisamos de categorias de gestão ambiental e planejamento inovadoras. Precisamos preparar as cidades para eventos climáticos extremos. Precisamos de mais cobertura arbórea nas cidades. Precisamos cultivar alimentos nos muitos espaços urbanos disponíveis. Precisamos planejar a flora urbana para o incremento da fauna silvestre. Precisamos democratizar as árvores. A realidade cinzenta de bairros pobres com poucas árvores, quando comparadas aos bairros de classe alta, é internacional.

Fonte: http://www.atribunamt.com.br/2017/07/experts-britanicos-e-brasileiros-reunem-se-em-goiania/